As oito definições do Papa Francisco sobre o momento político da Argentina

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Por: Jonas | 05 Julho 2016

Desde a polêmica pela rejeição da doação do Governo à iniciativa Scholas Occurrentes, um dos pilares do papado de Francisco, a relação entre o Sumo Pontífice e o Executivo de Mauricio Macri é explorada até o último detalhe. Contudo, em uma entrevista ao jornal La Nación, o Papa afirmou que não tem “nenhum problema” com o mandatário, confirmou que neste ano não viajará à Argentina e ofereceu oito definições sobre a atualidade política do país.

A reportagem é publicada por Infobae, 03-07-2016. A tradução é do Cepat.

1) “Eu não tenho nenhum problema com o presidente Macri. Não gosto dos conflitos. Já me cansei de repetir isso. Não há nenhuma explicação na história para que se diga que eu tenho um conflito com Macri. O presidente me parece uma pessoa bem-nascida, uma pessoa nobre. Só tive um problema com Macri uma vez, em mais de seis anos de convivência, ele como chefe de Governo e eu como arcebispo. Uma só vez, em tanto tempo, é uma média muito baixa”.

2) Nas últimas semanas, Francisco recebeu a chanceler Susana Malcorra e os ministros da Educação, Esteban Bullrich, e do Trabalho, Jorge Triaca, e a respeito de sua relação com os servidores de Cambiemos, o Papa disse: “Alguns são velhos amigos, que pedem para me ver e eu os recebo com muito prazer”. Além disso, sobre Malcorra, Francisco se permitiu fazer uma brincadeira: “Não sei o que uma engenheira eletrônica fez para ter semelhante habilidade política. Perguntei com sentido de humor”.

3) “Conheço a sensibilidade social da governadora María Eugenia Vidal e da ministra do Desenvolvimento Social, Carolina Stanley, e sei pela Igreja argentina que continuam sendo muito sensíveis ao sofrimento dos que menos têm”.

4) A respeito da rejeição da doação do Governo a Scholas, Francisco afirmou que decidiu assim “para preservar os responsáveis. Estava cuidando deles diante de eventuais tentações ou erros na gestão da fundação. Continuo acreditando que não temos o direito de pedir um peso ao governo argentino, porque este tem muitos problemas sociais para resolver”.

5)Hebe de Bonafini pediu perdão e eu não o neguei. Não o nego a ninguém. Nunca foi certo que as Mães sujaram a Catedral de Buenos Aires. Ocuparam a Catedral duas vezes. E, nas duas vezes, dei ordem para que não lhes faltassem água e banheiros. É uma mulher a quem mataram dois filhos. Eu me inclino, coloco-me de joelhos diante de tal sofrimento. Não importa o que tenha dito de mim. E sei que disse coisas horríveis no passado”.

6) “Com Hebe conversamos sobre o perdão e ela disse o que sempre disse do governo Macri, o que depois repetiu à imprensa. São coisas dela, não minhas. Para mim, o que interessava era deixar para trás uma história de desencontros”.

7) “A Sala de Imprensa do Vaticano é o único porta-voz do Papa. Há muita confusão sobre meus porta-vozes na Argentina. Há dois meses, a Sala de Imprensa do Vaticano informou oficialmente que esse departamento é o único porta-voz do Papa. Não há mais porta-vozes, na Argentina ou em qualquer outro país, a não ser os porta-vozes oficiais do Papa. É necessário repetir isto?”.

8) “Não posso apoiar ou deixar de apoiar juízes, pois não estou a par dos pormenores judiciais argentinos”.

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