Justiça para Víctor Jara, vítima da ditadura no Chile

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01 Julho 2016

No último dia 27-06-2016, foi condenado nos Estados Unidos um ex-militar acusado de ser o responsável pela morte do cantor chileno Víctor Jara. Pedro Barrientos, de 67 anos, que fugiu do Chile e é cidadão estadunidense, foi considerado culpado por uma corte em Orlando, na Flórida.

A decisão é mais um capítulo do longo processo que busca conduzir à Justiça os responsáveis por crimes cometidos pelas ditaduras em países da América Latina. Jara era ativista político e foi encontrado morto dias após o golpe de Estado de 11-09-1973, que instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990). O total de vítimas oficiais, segundo diversos relatórios, supera os 40 mil torturados, executados e desaparecidos, os dois últimos ultrapassando a cifra de 3 mil pessoas.

Foto: Wikipedia

Extradição

A corte também condenou Barrientos a pagar 58 milhões de dólares de indenização para a família de Jara. A defesa diz que o ex-militar não tem recursos para cumprir essa parte da decisão.
O Chile pediu a extradição de Barrientos anos atrás, mas o departamento de Justiça dos EUA não concedeu. O golpe de Estado que derrubou o presidente democraticamente eleito, Salvador Allende, e deu o poder aos militares, foi apoiado pelos EUA.

Atualmente, os países têm boas relações, apesar de os EUA nunca terem feito um pedido de desculpas formal ao Chile por esse envolvimento. O governo de Allende foi o primeiro de orientação marxista a chegar ao poder pela via eleitoral na América Latina. A investida dos EUA ocorreu no auge da Guerra Fria, em que empenharam esforços em instaurar no país um governo aliado.

O pós-ditadura no Chile

O Chile ainda luta para lidar com os traumas de sua ditadura. Em 1978, os militares decretaram anistia. Embora não tenha mais efeito legal, o decreto não foi anulado até hoje. Ainda há uma parcela da população saudosista do tempo em que o ditador estava no poder. Embora haja em Santiago o Museo de la memoria y los derechos humanos, que reconstrói a história da ditadura militar, há na cidade também um museu dedicado a Pinochet.

Depois de ter deixado o poder, em 1990, Pinochet seguiu como comandante do Exército até 1998. Além disso, era senador vitalício – direito que a Constituição do país reservava a ex-presidentes.
Quando morreu, em 2006, estava em prisão domiciliar preventiva – ele nunca chegou a ser condenado por seus crimes. É uma situação oposta à da Argentina, país em que os comandantes militares foram condenados e presos. O ex-presidente Jorge Rafael Videla, que assumiu após o golpe de 1976, morreu na prisão, em 2013, aos 87 anos.

Memória

Jara foi torturado e morto em um estádio de Santiago que hoje leva seu nome. O local virou um centro de repressão após o golpe de 1973, assim como o maior estádio do país, o nacional. Durante as seções de interrogatório, o músico teve um a um de seus dedos das mãos amputados como manifestação de tortura física, psicológica e simbólica.

No estádio Nacional de Santiago, há atualmente um espaço em que a arquibancada de madeira da época do regime militar foi preservada. No espaço vazio, lê-se a inscrição: “um povo sem memória é um povo sem futuro”.

Por João Flores da Cunha / IHU – Com Agências

Foto: Wikipedia

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