Sobrevivente do Massacre de Caarapó escapa de emboscada dias depois de deixar hospital

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Por: Cesar Sanson | 29 Junho 2016

Menos de 48 horas depois de deixar o Hospital da Vida, em Dourados (MS), Simão Guarani e Kaiowá, sobrevivente do Massacre de Caarapó, sofreu emboscada durante a noite de domingo, 26, na casa que divide com a esposa e uma filha na Reserva Tey'i Kue, inserida nos limites de demarcação da Terra Indígena (TI) Dourados Amambai Peguá, município de Caarapó. Antevendo as intenções dos indivíduos não identificados que se aproximavam da moradia, Simão mandou que a mulher fugisse com a filha e ele danou-se pela plantação de mandioca da família em busca de um esconderijo.

A reportagem é publicada por  Conselho Indigenista Missionário - Cimi, 28-06-2016.

O indígena não conseguiu fugir para mais longe porque ainda se recupera dos tiros que o alvejaram no abdômen e no tórax durante a invasão de fazendeiros no último dia 14 à retomada Yvu, tekoha – lugar onde se é – Tey'i Jusu, TI Dourados Amambai Peguá. A ação criminosa, cujos indícios apontam para o envolvimento de empresa de segurança, terminou com o assassinato do agente de saúde indígena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza e outros seis Guarani e Kaiowá feridos com gravidade por disparos de arma de fogo, entre eles Simão e uma criança de 12 anos.

Com lanternas e encapuzados, ao menos três indivíduos, conforme visualização e relato de Simão, vasculharam a moradia. Todavia, não procuraram pelo Guarani e Kaiowá nas imediações da casa, onde está o roçado de mandioca no qual Simão se embrenhou para escapar da emboscada. Na fuga, a filha de Simão caiu e bateu a cabeça, mas sem gravidade – o indígena, a mulher e a criança passam bem. A Força Nacional, enviada ao município de Caarapó depois do massacre, se retirou da aldeia horas antes da emboscada – o contingente policial não tem ficado à noite na terra indígena.

O caso confirma o temor apresentado pelos parlamentares da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal (CDHM) que no relatório da diligência realizada em Mato Grosso do Sul, entre os dias 15 e 16 de junho, pede à Secretaria de Direitos Humanos, vinculada ao Ministério da Justiça e Cidadania, a inserção dos sobreviventes do Massacre de Caarapó no Programa de Defensores de Direitos Humanos. A CDHM entende que como “testemunhas oculares” do ataque violento, esses Guarani e Kaiowá precisam de proteção.

“O pai dele (Clodiodi) está ameaçado, outro filho em risco de morte no hospital. Não pode ir pra cidade atrás de comida que é ameaçado. E na mídia os fazendeiros ainda dizem que Clodiodi foi atropelado por um caminhão”, diz um Guarani e Kaiowá da TI Dourados Amambai Peguá.

A banalização do mal

Em entrevista ao jornal El País, no último dia 16, José Armando Cerqueira Amado, irmão da proprietária da fazenda incidente na retomada Yvu, declarou que os fazendeiros não estavam com armas de fogo ou de bala de borracha, apenas com fogos de artifício. “Essa mentira contam do mesmo jeito que falaram que o Semião Vilhalva (assassinado na Terra Indígena Ñanderú Marangatú em agosto de 2015) foi morto pelos próprios índios. Eles nos matam e ainda dizem que nós é que somos responsáveis pelas mortes”, declarou outro indígena Guarani e Kaiowá da mesma terra indígena.

Ao programa Notícias Agrícolas, o presidente do Sindicato Rural de Caarapó, Carlos Eduardo M. Marquez, declarou que os “produtores da região” se reuniram para retirar os Guarani e Kaiowá da retomada Yvu, mas que “não houve conflito. Os indíos voltaram para a aldeia, ficaram revoltados e trancaram a estrada. Tinha uma carreta carregada com uma colhedeira. O motorista ficou com medo e atropelou o índio (Clodiodi)”.

O superintendente do Hospital da Vida, em Dourados, para onde foram encaminhados os Guarani e Kaiowá baleados, declarou ter “certeza absoluta” de que os indígenas foram atingidos por arma de fogo. No caso de Clodiodi, a morte foi causada por dois disparos que o atingiram no tórax, sem nenhum sinal de atropelamento por um veículo de grande porte. Conforme imagens feitas pelos próprios indígenas, o corpo de Clodiodi foi recolhido por seus parentes no interior da fazenda Yvu e ainda com a presença dos fazendeiros na área.

Os disparos que atingiram de forma fatal Clodiodi, de acordo com o relatório da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, teriam sido efetuados por um fazendeiro chamado Virgílio Mata Fogo. “Tio do indígena assassinado, Zenildo Isnarde presenciou o momento dos tiros fatais e socorreu o sobrinho. Ele viu Virgílio atirando no rapaz, tiros que se seguiram mesmo depois de o tio já estar carregando o sobrinho no ombro. “Eles vieram atacando, empurrando. O menino já morreu dentro da aldeia”, conforme trecho do relatório.

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