Não há um plano B depois do Brexit

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Por: André | 28 Junho 2016

“Pelo fato de dar as costas às sociedades, a União Europeia tem agora um encontro marcado com os povos que são hostis a tudo o que vem dela. A grande mãe protetora perdeu a confiança de seus filhos e os ideais com os quais os educou”, escreve Eduardo Febbro, em artigo publicado por Página/12, 27-06-2016. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Os defensores da retórica ficaram mudos. Respira-se um clima de avião sem piloto no meio de uma tempestade nas capitais europeias. Ninguém, de fato, tem um plano B para sair do beco sem saída em que está mergulhado o futuro da União Europeia depois que a Grã-Bretanha aprovou o Brexit. Os 27 membros são 27 silêncios e 27 controvérsias que enfrentam três opções decisivas: a maneira e os tempos em que a Grã-Bretanha deixará a União Europeia, as reformas que devem ser colocadas em prática e os tratados que deverão revistos.

Bruxelas, Berlim, Paris, Roma, Londres, as grandes capitais europeias, flutuam em um estado de levitação. A chanceler alemã Angela Merkel organiza hoje [segunda-feira] um encontro em Berlim com o presidente francês, François Hollande, e com o presidente do Conselho italiano, Matteo Renzi. Merkel não tirou da cartola nenhuma proposta e limitou-se, no momento, a pedir que se mantenha “a calma e a determinação”.

François Hollande ameaçou fazer um arrazoado a favor do “crescimento, da harmonização fiscal e social”. Em suma, nada. O mais agressivo foi Renzi. Em uma coluna publicada pelo jornal econômico Il Sole 24 Ore, o presidente do Conselho italiano atacou “as políticas de austeridade que cobriram o horizonte, transformaram o futuro em uma ameaça e reforçaram o medo”.

Essas três posições irão se transferir amanhã e depois de amanhã [dias 28 e 29 de junho] para Bruxelas, onde os chefes de Estado e de governo dos 27 países da União Europeia se reúnem em uma reunião às apalpadelas. Nesta terça-feira, reúne-se também o Parlamento Europeu, que busca alguma ideia ambiciosa. Mas, todos estão com as mãos amarradas e dependem do que a Grã-Bretanha fizer. Não se sabe quando Londres ativará o famoso artigo 50 do Tratado da União Europeia mediante o qual se abre a porta de saída.

Além disso, o referendo sobre o Brexit é consultivo. Por conseguinte, o governo britânico deve antes obter uma maioria para modelar o Brexit nos fatos. Na Câmara, no entanto, os “no leave”, ou partidários do “Brimain”, são em maioria. Na edição do sábado do Bild Zeitung, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou que “a União Europeia tem décadas de experiência na gestão das crises e sempre saiu reforçada”.

A diferença é que agora não se trata de uma crise que se pode negociar, mas de uma ruptura decidida por uma maioria popular. Por este motivo, ninguém esconde a realidade: a União Europeia está em perigo, fragilizada pelos populismos extremistas e emocionais, pelo euroceticismo, pelos nacionalismos pujantes, uma quadrilha de dirigentes políticos oportunistas cujas formações têm um passado tão negro quanto os pesadelos, o custo alucinante das políticas de ajuste e do desemprego, sem credibilidade diante da opinião pública e, em parte, paralisada por uma tecnocracia kafkiana.

Como se fosse pouco, os britânicos parecem decididos a alongar a agonia de sua partida e, com isso, deixam os seus sócios europeus de mãos amarradas diante de qualquer decisão coletiva. Os chanceleres dos seis países fundadores da União Europeia (França, Itália, Bélgica, Holanda, Alemanha, Luxemburgo) reuniram-se no sábado em Berlim e convidaram Londres “para ir o mais rápido possível”. De fato, antes que qualquer plano de ação comum, a urgência está hoje em tirar de cima o Reino Unido o mais rápido possível para evitar o estancamento das águas. O chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, disse claramente que a rapidez evitaria “que fiquemos atolados”. Esse discurso alemão não reflete a posição de tartaruga adotada, por enquanto, pela Angela Merkel.

Os 27 membros da União Europeia são prisioneiros de Londres, mais ainda agora que os ingleses brincaram com o fogo do Brexit, mas não querem perder as vantagens. A Grã-Bretanha procura manter os privilégios inerentes à União Europeia, entre eles o acesso ao mercado interno. Por isso, Londres atrasa a ativação do artigo 50 até obter garantias de que conservará um estatuto especial. No horizonte dessa controvérsia esboça-se uma ruptura entre o eixo alemão e holandês – mais da metade do seu excedente comercial pode ser encontrado na Grã-Bretanha – e os demais países.

No que diz respeito aos povos europeus, especialmente a França, ameaçados por uma extrema direita galopante e nacionalista, nenhum dirigente tem um roteiro. O primeiro-ministro francês Manuel Valls pediu que se “reinventasse uma Europa que escuta os seus povos”. Sua credibilidade, nesse preciso campo, é pouca. Foi, entre tantos, o primeiro surdo. Os países fortes da Europa, como a França, caminham sobre uma corda bamba porque seus dirigentes não têm credibilidade suficiente para submeter as reformas profundas da Europa a um referendo: o perderiam de imediato – é o caso de François Hollande.

O presidente francês, no entanto, estava certo quando interpelou os seus sócios para “reforçar a Zona do Euro e sua governabilidade democrática”. Esse é um dos olhos do furacão: como o demonstrou a tragédia grega, a famosa Zona do Euro foge a qualquer controle, quer seja Executivo, Parlamentar ou nacional. Para mudar essa ordem vertical e absurda é preciso reformar os tratados europeus para transferir o controle aos parlamentares, isto é, aos povos, sobre uma Zona do Euro que funciona em circuito fechado.

Ali surge outro limite: novos tratados equivalem a consultar os povos, e o passado mais recente mostra que os referendos terminaram quase todos com votos negativos. Pelo fato de dar as costas às sociedades, a União Europeia tem agora um encontro marcado com os povos que são hostis a tudo o que vem dela. A grande mãe protetora perdeu a confiança de seus filhos e os ideais com os quais os educou.

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