Papa Francisco encoraja os primeiros formandos em "proteção de menores" na Gregoriana

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16 Junho 2016

"Vocês estão fazendo um grande esforço para evitar e tratar a chaga dos abusos de menores. Tenham coragem e paciência: tenho certeza de que vocês vão encontrar muitos sorrisos de gratidão." É assim, em uma carta, que o Papa Francisco saúda os primeiros 19 estudantes, religiosos e leigos de todo o mundo, diplomados na Pontifícia Universidade Gregoriana no programa de Estudos Avançados intitulado "Proteção de Menores".

A reportagem é de Gabriella Ceraso, publicada no sítio da Radio Vaticana, 14-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nesta quarta-feira, ocorre a cerimônia de fim do semestre na instituição. Iniciado em fevereiro de 2016 e oferecido uma vez por ano, mediante seleção, o curso é interdisciplinar e interativo, e quer ser mais uma resposta responsável da Igreja sobre o assunto.

Conversamos sobre o papel e a formação dos novos especialistas com o padre Hans Zollner (foto), membro da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores e presidente do Centro para a Proteção dos Menores da Gregoriana.

"Chegaram mais pedidos do que podíamos aceitar... No fim, acolhemos 19 de 14 países dos quatro continentes: neste ano, uma clara maioria de pessoas da África, que, assim, poderão ajudar as Igrejas locais, as congregações religiosas e as instituições católicas nos países onde, até agora, no papel, talvez, se fala dos direitos das crianças, mas, efetivamente, há muito pouco. Portanto, pessoas especialistas capazes não só de escrever documentos, mas também de realmente sacudir as pessoas que sabem que ocorrem crimes horrendos, mas não sabem como agir, que não sabem quais são as leis no Estado onde vivem, com as normas canônicas para a Igreja...

Eis a entrevista.

Havia pré-requisitos?

Os requisitos eram que tivessem um primeiro grau acadêmico, uma carta de recomendação de um superior ou de uma Conferência Episcopal. A terceira coisa era que também devia ser expressado um interesse pessoal para desempenhar esse trabalho, porque esse é um campo muito delicado e também muito pesado, e, portanto, uma pessoa não pode simplesmente vir porque lhe foi pedido, mas deve ter uma motivação própria para vir e, depois, voltar para os seus países e poder trabalhar de forma verdadeiramente eficaz.

A abordagem é interdisciplinar?

Sim, foram expostos temas que dizem respeito a âmbitos em 360°: psicologia, psiquiatria, jurisprudência – do direito canônico às ciências sociais –, saúde pública até a teologia. Para nós, é muito importante, e acho que essa também é a singularidade desse programa, reunir todas as dimensões da pessoa humana em uma visão verdadeiramente abrangente. Temos também uma certa variedade de competências que cada candidato trouxe consigo e agora buscamos completar essa visão. Os candidatos poderão agora trabalhar nos escritórios de proteção ou de intervenção, e poderão ser inseridos na pastoral familiar, porque sabemos que, em muitos países do mundo, o problema maior está no contexto familiar.

O amor incondicional de Deus é vital para recuperar, para curar os sobreviventes de tais experiências. Mas também é importante o rigor e a firmeza de algumas decisões. O que o senhor acha da última decisão do papa na forma de motu proprio, no que diz respeito aos bispos?

O motu proprio "Como uma mãe amorosa" sublinhou algo que, juridicamente, já estava claro, e que o Santo Padre esclareceu muito bem, de forma decisiva: que esses fatos não são uma coisa leve. Ele especificou que a negligência oficial em relação à assunção do abuso de menores não deve ser muito grave para ser considerada como crime, mas, já no caso de uma "negligência" pura, isso pode ser considerado como crime.

Será possível – com o tempo, com a educação – chegar a erradicar essa praga?

Essa é uma das expectativas de todos aqueles que estão verdadeiramente comprometidos com isso, e também é uma expectativa compreensível. Mas, infelizmente, enquanto formos seres humanos, não será possível erradicar de uma vez por todas: é impossível. O mal está conosco: infelizmente, essa é a realidade da condição humana, que somos vulneráveis ao mal. Portanto, é ainda mais importante que se faça todo o possível para esses casos ocorram o menos possível. Por isso, devemos ser muito vigilantes, mudar não só os conhecimentos – porque os temas –, mas devemos desenvolver a atitude adequada e também pronta para intervir, de modo que os mais vulneráveis sejam protegidos. Jesus nos ajuda e nos dá esperança, mas também devemos fazer a nossa parte.

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