Duas visões sobre ‘NiUnaMenos’, a grande manifestação argentina contra a violência de gênero

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Por: Jonas | 06 Junho 2016

Ni Una Menos é um grito coletivo contra a violência machista. Surgiu da necessidade de dizer “basta aos feminicídios”, porque na Argentina, a cada 30 horas, assassinam uma mulher só por ser mulher”, conforme informação na página web Ni Una Menos, que também expressa: “No dia 03 de junho de 2015, na Praça do Congresso, em Buenos Aires e em centenas de praças de toda Argentina, una multidão de vozes, identidades e bandeiras demostraram que ‘Ni Una Menos’ não é o fim de nada, mas apenas o começo de um caminho novo. Junte-se”.

Abaixo, reproduzimos dois artigos motivados por estas mobilizações, publicados por Página/12, 03-06-2016. A tradução é do Cepat

Devem estar presentes

“Impossível pensar, neste ano, em outro gesto como o que expressou a mobilização de 2015, em relação à extraordinária consciência sobre as diferentes formas de violência que são exercidas sobre as mulheres, sem abraçar a causa da liberdade de Milagro”, escreve Juliana Marino, ex-deputada da Frente para a Vitória.

Eis o artigo.

O coletivo 'Ni una menos', hoje com o lema 'Vivas nos queremos', deve incluir em sua denúncia a situação de Milagro Sala, presa política do atual governo provincial e nacional, vítima de violência institucional ao mais alto nível, vítima de discriminação e assédio político e social, estimulado pelas esferas de poder (sobretudo, o Poder Judiciário) que, pelo contrário, deveriam cumprir com o “basta” que o coletivo antiviolência empunha.

Impossível pensar, neste ano, em outro gesto como o que expressou a mobilização de 2015, em relação à extraordinária consciência sobre as diferentes formas de violência que são exercidas sobre as mulheres, sem abraçar a causa da liberdade de Milagro.

Impossível marchar em massa, neste dia 03 de junho, com a ausência do rosto de Milagro no conjunto que mais uma vez elevará sua voz contra a violência às mulheres.

Impossível ignorar que há claramente um caso de violência institucional exercida com cólera, calúnia e machismo explícito, sobre uma mulher, líder social, deputada do Parlasul que, portanto, deve ser uma causa de tod@s.

Impossível ignorar que a justiça provincial não foi justiça, mas ferramenta violenta de desarticulação de um dos empreendimentos sociais provinciais mais impressionantes das últimas décadas.

Não há desculpas políticas, diferenças ideológicas, metodológicas ou análises feministas que justifiquem a falta de apoio à causa da liberdade de Milagro.

No pessoal político, proponho também rodear com um forte abraço a nossa ex-presidenta, vítima de violências institucionais, políticas e midiáticas, ferozes e deliberadamente organizadas, com ampla base de sustentação em um profundo desprezo à capacidade das mulheres para governar, conduzir e liderar.

Ni uma menos’ deveria também incluir um decidido apoio a Milagro, uma condenação à perseguição a Cristina Fernández.

Claro, as duas denúncias significariam a superação dos limites de pertencimentos setoriais e a verdadeira compreensão da natureza do feminismo, ao qual estaríamos rendendo a homenagem que merece, por ser um dos acontecimentos mais revolucionários que o século anterior produziu.

É possível sair da violência

“O #NiUnaMenos de 2015 marcou uma mudança; pela primeira vez, colocou-se na agenda pública um tema no qual, há décadas, vínhamos trabalhando junto com as companheiras do movimento de mulheres”, escreve Fabiana Túñez, presidenta do Conselho Nacional das Mulheres.

Eis o artigo.

Há exatamente um ano, quando ainda estava na sociedade civil, coube-me viver um dos momentos mais emocionantes de minha vida como militante pelos direitos das mulheres, meninas e meninos. Pela primeira vez, milhares de pessoas de todo o país se uniam para dizer basta à violência machista. Pela primeira vez, as famílias que haviam perdido suas filhas pelas mãos de um feminicida sentiam o abraço fraterno, não só nosso, as “loucas” feministas, mas de toda uma sociedade. O #NiUnaMenos de 2015 marcou uma mudança; pela primeira vez, colocou-se na agenda pública um tema no qual, há décadas, vínhamos trabalhando junto com as companheiras do movimento de mulheres.

Mesmo quando não adquire sua forma mais extrema, a violência contra as mulheres é uma realidade que nos interpela todos os dias. A recente divulgação das estatísticas da ferramenta de informação, contenção e assessoramento gratuito sobre violência contra as mulheres (Linha 144), que gerimos no Conselho Nacional das Mulheres, é uma clara demonstração disso. Só nos primeiros quatro meses do ano, recebemos mais de 27.000 telefonemas. Mais de 27.000 pessoas, mulheres em sua grande maioria, que optaram em procurar ajuda, em refletir se era “normal” o tratamento (ou destrato) que recebiam de seu parceiro, por questionar se os ciúmes e o controle eram uma forma de “expressar carinho”. Em definitivo, mulheres que começaram a abandonar o caminho de um vínculo de violência.

As(os) profissionais da linha – provenientes, principalmente, do direito, do serviço social e da psicologia – estão capacitadxs para dar assessoramento antes, durante e depois da emergência, 24 horas todos os dias do ano. Além disso, a linha conta com uma área de acompanhamento de casos que se coloca à disposição das mulheres de todo o país para acompanhá-las nos diferentes processos que possam atravessar, desde a realização de uma denúncia policial até a apresentação diante da justiça. Sabemos que sair do ciclo da violência não é fácil, mas é possível. E é aí que o Estado tem a responsabilidade de dar respostas.

É por isso que no mês de julho estaremos apresentando, junto à ministra do Desenvolvimento da Nação, Carolina Stanley, o Plano Nacional para a Erradicação da Violência contra as Mulheres, em conformidade com o artigo 9º da Lei 26.485, e que o Poder Executivo estava devendo desde 2010. O Plano reúne um conjunto de propostas de políticas públicas orientadas a abordar a violência intersetorial e transversalmente; desde a prevenção até a atenção integral e a proteção. Com uma visão federal, o Plano está pensado como uma ferramenta dinâmica para conseguir a plena implementação da Lei 26485, e consagrar assim o direito de todas as mulheres do país a viver uma vida livre de violência.

Este dia 03 de junho será diferente para mim. Não me cabe ficar reclamando, mas, ao contrário, literalmente, atendendo as demandas. Diante do que estimamos, será uma nova expressão massiva de visibilização das violências contra as mulheres. Junto com meu gabinete, vamos trabalhar na linha 144, porque é possível sair da violência, pedir ajuda é o primeiro passo. Telefone, estamos prontos para lhe atender.

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