Direitos Humanos e Religiões Abraâmicas

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13 Mai 2016

As religiões Abraâmicas são experiências de fé – aposta de confiança – num Deus único. Elas vivem de uma Tradição (no plural) que encontra sua referência em Abraão (Gn 12-25). É uma nova experiência, onde a fé precisa ser vivida na aventura de um Deus que fala e promete, abre caminhos e aponta para uma meta no futuro. É um Deus que se mostra no caminho, na experiência cotidiana. 

A revelação de Deus é progressiva. Não se dá por completo. É uma aventura no desconhecido e na abertura generosa a uma Palavra, que brota e interpela a vida (dimensão profética). A Palavra torna-se escrita e letra (dimensão literária), não para “prender” Deus num livro, mas para contar com outras linguagens Seus feitos na vida dessas pessoas. 

O testemunho das comunidades Abraâmicas é um horizonte fecundo para reivindicar aquilo que é singular na experiência plural dessas Tradições de Fé. As classificações são limitadas e apressadas, podem sinalizar alguns aspectos importantes, mas não expressam realmente aquilo que é a fonte primordial da experiência. 

O monoteísmo é plural, que amparado na experiência de Abraão, torna-se um monoteísmo que se abre ao diferente, que encontra sua expressão de Deus, ou ainda, O descobre nos caminhos aventurados do outro – que está vindo, que está no futuro. O outro que vem é aquele(a) que compartilha um presente, que se deixa inspirar e provocar pela busca de um mundo melhor. 

A aventura Abraâmica é um percurso de Palavra, Promessa e Provas. Dentre as mais radicais provas, depois da circuncisão de Abraão, encontramos essas: prova da hospitalidade (Gn 18), intercessão pela justiça (Gn 19) e o não-sacrifício de Isaac (Gn 22). Ao desobedecer, Abraão se vê desamparado e precisa recorrer ao direito de proteção: desobedeceu uma ordem divina e rompeu com a lógica da religião de seu tempo.

Uma leitura apressada e viciada, não permite atingir a profundidade, muito menos tirar as devidas consequências. Abraão não encontra mais lugar entre os seus (religião, cultura e clã). Precisa ir para Bersabéia – uma cidade refúgio – onde sua segurança estava garantida. O que acontece de grave? Em Abraão, inicia a “mudança axial” das religiões, uma mudança paradigmática que não as restringe ao local, mas cultivam uma abertura como horizonte e “pretensão” universal. O sacrifício humano não é mais necessário para “agradar” a Deus, mas a misericórdia como compromisso ético com os vulneráveis.

No transcorrer da história religiosa, o povo descobre-se diante de um Deus, que exige um cuidado mútuo, mas principalmente dos/pelos mais vulneráveis: pobre, órfão, viúva, estrangeiro e a criação. O cuidado é um imperativo ético e religioso. Não é permitido negligenciar. Eles possuem um direito: o direito de serem cuidados. Como participantes de uma Tradição comunitária compartilhavam deveres, mas eram garantidos em seus direitos.

O direito dos vulneráveis, com o passar do tempo, torna-se o direito de alguns. Essa postura é típica daquilo que Jan Assmann chama de "distinção mosaica". Onde a "mudança axial" teria acontecido de modo qualitativo: a rivalidade não está entre um Deus e muitos deuses, mas entre o Deus verdadeiro e os falsos deuses - isso encontra equivalência nos termos subsequentes de religião, fé, ética, etc. O fechamento seletivo, por diversas razões históricas, potencializa uma perspectiva aos avessos da inspiração e proposição de Fé.

Exige-se um discernimento fecundo através de uma abertura a crítica e a auto-crítica desde as diversas Tradições de Fé. Uma oportunidade surge no horizonte: a "forte" crítica da modernidade. A razão humana torna-se a referência do saber e das relações. O ser humano dotado de racionalidade se percebe como sujeito, livre, autônomo, igualitário, fraterno, etc.

Com isso, uma "nova" fundamentação para o direito humano torna-se a perspectiva urgente a ser construída. Não é possível "permanecer" nas tutelas de uma transcendência. É preciso buscar uma fonte que alcance a todos. O direito do ser humano é universal como garantia de uma dignidade inerente ao ser "humano". Nela a liberdade de consciência e o valor próprio tornam-se elementos fundamentais na busca de sua expressão e legitimação diante de si e dos outros.

No século XX, o "super-homem" idealizado pela modernidade racional, não deu conta de expressar-se na genuinidade do seu ser, sobretudo porque o empreendimento moderno não considerou suficientemente outras dimensões da existência humana: afetos, anseios, desejos, sonhos, etc. Apesar disso, foi um século de muitas lutas pelo direito na igualdade de gênero, raça, culturas, etc.

Diante de toda essa problemática, Karl-Josef Kuschel, teólogo alemão, apresenta uma reflexão importante sobre a Fundamentação atual dos direitos humanos entre judeus, cristãos e muçulmanos: análises comparativas entre as religiões e problemas (Cadernos Teologia Pública, v. 4, n. 28, 2007). Busca-se um resgate na reflexão, sobretudo encarada como "procedimento precário" das religiões Abraâmicas na busca de plausibilidade e legitimação da ideia moderna de direitos humanos desde suas Tradições.

 

  

O texto está organizado da seguinte forma:

1. O que quer dizer "direitos humanos"?

2. Como fundamentar os direitos humanos a partir do cristianismo?

3. Como fundamentar os direitos humanos a partir do judaísmo?

4. Como fundamentar os direitos humanos a partir do islã?

Para acessar o texto: clique aqui

Por Jéferson Ferreira Rodrigues

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