Papa descreve uma nova aliança para o futuro da Europa

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09 Maio 2016

O italiano Andrea Riccardi é historiador da Igreja, ex-ministro do governo italiano e fundador da Comunidade de Sant’Egidio. Este artigo apareceu na edição de 07-05-2016 do jornal italiano Corriere della Sera e foi publicado, em inglês, no sítio Crux após uma tradução de cortesia da própria Comunidade de Sant’Egidio. A versão portuguesa é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

No ambiente solene da Sala Regia no Vaticano, onde afrescos recordam épocas de violência religiosa tais como o massacre aos huguenotes no Dia de São Bartolomeu, o Papa Francisco recebeu, na sexta-feira (dia 6) o prestigiado Prêmio Carlos Magno.

O papa não gosta de premiações, mas usou a oportunidade para falar sobre a Europa e “expressar a esperança por um novo e corajoso salto para frente juntos”. Juntos com quem? A galáxia de líderes europeus na atualidade é ampla, vai além da chanceler alemã Angela Merkel e do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi.

No discurso do papa, mais longo do que de costume, dois pontos ficam claros: começar de novo e fazê-lo juntos.

A cerimônia demonstrou uma “aliança” pela Europa maior e mais profunda. A dinâmica embaixadora alemã à Santa Sé, Annette Schavan, amiga da chanceler, e o destacado cardeal alemão Walter Kasper trabalharam juntos na organização de um evento sem precedentes: o relançamento da Europa por um papa argentino.

Numa época de etno-nacionalismos, Francisco propôs “coalizões”, não no sentido político-militar, mas “cultural, educacional, filosófico e religioso” para a Europa e a paz: “Armemos o nosso povo com a cultura do diálogo e do encontro”, disse ele.

Merkel, na pessoa da embaixadora alemã, acolheu a proposta, indicando os limites da política. A Alemanha não quer ficar sozinha, disse ela, e precisa de “coalizões” com igrejas e com a sociedade. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schultz, denunciou a fragmentação europeia: “As forças centrífugas das crises que enfrentamos tendem a nos dividir…”.

Para Donald Tusk, presidente do Conselho da Europa (e um dissidente do atual governo em Varsóvia), a Igreja de Francisco, “da qual todos nós precisamos”, oferece uma resposta à crise. O papa mostrou-se atencioso e sério numa cerimônia que, até mesmo em seus detalhes, não o exaltou, e sim a comunidade.

Eis uma nova função do Vaticano: um lugar de encontro e de coalizão espiritual.

Francisco já havia falado da Europa como uma “avó”, hoje incapaz de gerar e atrair, e por isso constrói muros e trincheiras. Este argentino, ele próprio filho de imigrantes italianos, usou o informal “tu” ao falar ao continente: “Que te sucedeu, Europa humanista, paladina dos direitos humanos, da democracia e da liberdade?”.

No papa, os políticos encontram um líder espiritual que crê na União Europeia, na medida em que esta é capaz de se expandir e integrar. Com ele, não existe a preocupação de Bento XVI com o laicismo. De acordo com esse papa, a Europa, “nascida do encontro de civilizações e culturas”, está hoje em declínio devido ao medo de se encontrar com outras pessoas e religiões, escondendo-se atrás das fronteiras e identidades cristalizadas.

Os que se recordam da batalha perdida pela Igreja quanto a uma referência às “raízes cristãs” na Constituição Europeia podem ver que Francisco tem uma ideia diferente: as raízes da Europa (que devem, segundo ele, ser irrigadas com o Evangelho) sempre foram uma síntese entre culturas, incluindo culturas heterogêneas.

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