Francisco abre o caso da infalibilidade do Papa

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29 Abril 2016

No dia 27 de abril, Hans Küng comunicou ao mundo que o Papa respondeu ao apelo por ele lançado anteriormente de que abra a possibilidade da discussão sobre o dogma da infalibilidade.

A reportagem é de de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 28-04-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

Hans Küng narra que a carta de Francisco, com data de 20 de março, lhe foi entregue através da Nunciatura de Berlim. Uma carta “que responde à minha solicitação de uma livre discussão sobre o dogma da infalibilidade” do Papa.

“Respondeu-me de maneira fraterna, em espanhol, dirigindo-se a mim como ‘Lieber Mitbruder’, caro coirmão, e estas palavras pessoais estão em cursivo”, narra Küng. O grande teólogo suíço “pela reserva que devo ao Papa” não cita frases do Pontífice. Mas diz que “Francisco não fixou nenhum limite à discussão”, que “apreciou” as suas considerações.

Com mal disfarçado estupor faz notar quanto seja “para mim importante” o fato que tenha respondido pessoalmente e, sobretudo “não tenha deixado, por assim dizer, cair no vazio o meu texto”.

E, com efeito, o texto, dirigido a um Pontífice, era exigente: “Imploro ao Papa Francisco, que sempre me respondeu de modo fraterno: receba esta ampla documentação e permita na nossa Igreja uma discussão livre, sem prevenção e aberta sobre todas as questões não resolvidas e removidas, ligadas ao dogma da infalibilidade. Não se trata de banal relativismo, que mina os fundamentos éticos da Igreja e da sociedade. Nem de rígido e insulso dogmatismo ligado à interpretação literal. Está em jogo o bem da Igreja e do ecumenismo”.

Küng o havia tornado público, traduzido em várias línguas, aos nove de março.

Por ocasião do octogésimo aniversário, “como teólogo no fim dos meus dias, baseado e com uma profunda simpatia por você e pela sua ação pastoral”, o pensador suíço havia relançado “um apelo que por diversas vezes lancei inutilmente no decurso de uma discussão de várias décadas”.

Francisco jamais falou do dogma da infalibilidade, sancionado pelo Concílio Vaticano I e por Pio IX aos 18 de julho de 1870. De resto, ninguém além Tibre considera que alguéns tenha pensado de pô-lo em discussão.

Bergoglio é o Papa da sinodalidade, mas tem bem presentes as prerrogativas do Pontífice, que elencou num discurso memorável aos 18 de outubro de 2014, no final do Sínodo, citando o Código de Direito Canônico: o Papa é “o garante da obediência e da conformidade da Igreja à vontade de Deus, ao Evangelho de Cristo e à Tradição da Igreja, pondo de parte todo arbítrio pessoal, embora sendo – por vontade do próprio Cristo – o “Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis” (cânone 749) e embora gozando “da potestade ordinária que é suprema, plena, imediata e universal na Igreja” (cânones 331-334)”.

Diferente é dizer que Francisco não tenha posto “nenhum limite à discussão”, como refere Küng. Também porque se trata do dogma talvez mais mal entendido, além de debatido. O Concílio Vaticano I não disse de fato, como muitos acreditam, que o Papa é infalível pura e simplesmente. O Papa é um ser humano e a primeira coisa que Bergoglio disse no conclave, logo após a eleição, foi: “eu sou um pecador”.

Após longas discussões, em 1870 se estabeleceu que o Papa é infalível somente “quando fala ex cathedra, isto é, quando exerce o seu supremo ofício de Pastor e Doutro de todos os cristãos, e em força do seu supremo poder Apostólico define uma doutrina sobre a fé e os costumes”. São casos raríssimos, como quando, em 1950, Pio XII proclamou solenemente a Assunção de Maria ao céu. Mas a extensão da infalibilidade continua debatida entre os teólogos. A posição de Küng é clara: quereria aboli-la o pelo menos submetê-la a uma revisão radical.

Já o simples fato que Francisco não tenha posto um limite à discussão, escreve, é uma bela notícia: “Penso que seja agora indispensável utilizar esta nova liberdade para levar em frente a reflexão sobre as definições dogmáticas, que são motivo de polêmica no interior da Igreja católica e em sua relação com as outras igrejas cristãs”.

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