Democratas católicos dividem-se sobre o convite do Vaticano a Sanders

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18 Abril 2016

Enquanto Bernie Sanders dirige-se a Roma para participar nesta sexta-feira, 15-04-2016, de um congresso promovido pelo Vaticano, os católicos atuantes nos círculos democratas mostram-se divididos sobre se a visita irá ajudar o senador de Vermont a ganhar a corrida presidencial – ou se poderá politizar o Vaticano durante um processo eleitoral contencioso nos EUA.

A reportagem é de Michael O’Loughlin, jornalista em autor do livro “The Tweetable Pope: A Spiritual Revolution in 140 Characters”, publicada por Crux 15-04-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Sanders deve proferir um discurso de 10 minutos sobre a igualdade de renda, restando saber ainda quais as chances de haver um encontro dele com o Papa Francisco.

“Eu acho que foi um erro do Vaticano convidar alguém que está concorrendo à presidência dos Estados Unidos”, disse Christopher Jolly Hale, presidente da Catholics in Alliance for the Common Good, organização sediada em Washington, DC, que promove o magistério católico da justiça social.

“A visita atrapalha o exemplo do Papa Francisco, quando parece que, com essa iniciativa, ele estaria apoiando alguns candidatos em detrimento de outros, principalmente quando não é o caso”, disse ele.
“Independentemente de quem tenha tomado esta decisão, a pessoa fez um desserviço ao papado de Francisco”, continuou Hale. “Dito isso, eu não acho que vá fazer alguma diferença no resultado das eleições”.

James Zogby, católico, fundador e presidente do Arab American Institute além de assessor de política externa da campanha de Sanders, disse não se preocupar com que o convite venha a prejudicar a imagem do papa.

“Eu acho que a agenda do papa nos Estados Unidos já está politizada”, afirmou. “Desde o seu primeiro dia à frente da Igreja, ele vem sendo um papa com uma mensagem religiosa que, querendo ou não, seria interpretada como uma mensagem política por muitas pessoas”.

Bdisse que não ter dúvidas sobre se a visita seria correta do ponto de vista político, porém falou que o convite, em si, fazia sentido.

“Me parece que a questão é que as posturas de Bernie e as do Papa Francisco são bastante semelhantes, assim não me surpreende que o candidato queira ir a Roma, ou que alguém no Vaticano queira convidá-lo”, disse.

“Se eu estivesse organizando um congresso como este, acho que Bernie seria um palestrante a ser convidado”, continuou.

A pessoa responsável pelo convite foi o chefe da Pontifícia Academia das Ciências e da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, o bispo argentino Marcelo Sánchez Sorondo, que esteve de visita aos EUA nesta semana.

Quando surgiu a notícia do convite na última sexta-feira, horas depois do lançamento da tão esperada exortação apostólica sobre a família, alguns meios de comunicação informaram erroneamente que o próprio Francisco havia pessoalmente convidado Sanders a ir ao Vaticano.

Margaret S. Archer, presidente da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, sugeriu em entrevista que Sanders havia quebrado o protocolo ao pedir para ser convidado para o evento, afirmação rapidamente refutada por Sánchez Sorondo.

Ao lado de Sanders no congresso no Vaticano estará Jeffrey Sachs, coordenador do Columbia University Earth Institute. Como Zogby, Sachs também é assessor de política externa na campanha de Sanders possuindo, além disso, ligações com o Vaticano, sendo recentemente convidado para promover a encíclica sobre o meio ambiente, Laudato Si’.

Alguns católicos politicamente conservadores manifestaram um sentimento negativo ao ver o Vaticano convidar Sanders, apoiador dos direitos abortistas, dizendo que o convite torna mais difícil persuadir colegas e universidades católicas nos EUA a não dar espaço ou conceder graus honoríficos a políticos que defendem o aborto.

Por exemplo, Thomas Peters, católico atuante nos círculos conservadores, tuitou na semana: “Fica difícil aos bispos americanos reforçar a ideia de não dar ‘nenhuma plataforma para políticos pró-aborto’ quando uma plataforma é oferecida por burocratas do Vaticano”.

O alvo mais recente da ira conservadora é a Universidade de Notre Dame, que irá no próximo mês homenagear o ex-presidente da Câmara dos EUA John Boehner e o vice-presidente Joe Biden com a prestigiada Medalha Laetare. Alguns não gostaram que Biden, político a favor dos direitos ao aborto, irá receber o prêmio.

(Por sua vez, Biden anunciou na quarta-feira que ele, também, irá visitar o Vaticano, no dia 28 de abril, para promover os esforços contra o câncer assumidos no governo Obama.)

Ainda que alguns funcionários no Vaticano estivessem tentando arranjar um encontro entre Sanders e Francisco na sexta-feira, um porta-voz vaticano afirmou esta semana que um tal momento entre os dois é improvável de acontecer – porém a possibilidade não foi descartada.

Enquanto isso, a campanha de Sanders tenta minimizar as conotações políticas em torno da visita do senador ao Vaticano.

“Algumas coisas simplesmente não têm a ver com política”, disse Michael Briggs, diretor de comunicação da campanha de Sanders, à revista americana Politico.

“Ele falará por poucos minutos em um encontro de grande importância no Vaticano”, continuou Briggs.

“Provavelmente ele vai passar menos tempo longe de Nova York esta semana do que Hillary Clinton, que vai ir para a Flórida, Virgínia e Califórnia em busca de fundos para a sua campanha. Sanders está levando muito a sério a sua campanha aqui em Nova York”.

Cerca de um terço dos eleitores do estado de Nova York são católicos, segundo o Public Religion Research Institute. Os outros dois estados com uma grande parcela de católicos (Rhode Island e Connecticut) votam no dia 26 de abril.

Em uma corrida que começou com, pelo menos, meia dúzia de candidatos católicos, todos os quais hoje já se retiraram da campanha, foi o judeu Bernie Sanders quem surgiu como o apoiador mais destacado da pauta proposta pelo Papa Francisco.

Sanders trouxe o seu apoio à agenda papal ao Senado americano, particularmente em fevereiro deste ano quando disse que o papa “mostrava grande coragem em levantar questões que nós muito raramente ouvimos serem discutidas aqui no Congresso”, e então citou um trecho da Evangelii Gaudium, exortação apostólica escrita por Francisco e que muitos afirmam ser uma espécie de modelo para o seu papado.

Esta visita de Sanders ocorre poucos dias antes de os democratas irem às urnas em Nova York, onde as pesquisas mostram que Sanders supera Hillary Clinton por dois dígitos em um estado que, dizem alguns, vai ser decisivo para o futuro do senador de Vermont.

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