México: aquelas duras palavras do Papa Francisco

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12 Abril 2016

Reunidos na 101ª Assembleia plenária da conferência episcopal mexicana, os 120 bispos não podiam não fazer referência ao duro e clamoroso discurso do Papa na catedral de 13 de fevereiro, durante a sua visita ao México. A intervenção do Papa – segundo a autorizada opinião do sociólogo Bernardo Barranco – “desenha um modelo mais pastoral de Igreja e uma nova estrada aos bispos mexicanos”, aos quais não é solicitado que sejam príncipes, mas que andem ao essencial, não perdendo tempo e energias em coisas secundárias, em intrigas, em vãos projetos de carreira, em planos vazios de hegemonia, em clubes de interesses pessoais. Ele os pôs em guarda das murmurações e das maledicências. Ainda segundo Bernardo Barranco: “Francisco põe em discussão o ilegítimo e excessivo vínculo entre a Igreja e o poder político, a hierarquia e o poder econômico. O papa refuta os bispos de estado, os prelados de grupo e os monsenhores litigiosos”. Quer que sejam transparentes, que saiam da penumbra da mundanidade, que não se deixem corromper pelo materialismo de baixo padrão, nem façam acordo debaixo do banco, que não se ponham no carro dos faraós do momento. Palavras duríssimas, ditas no decurso de uma dissertação de 4.500 palavras.

A reportagem é de Francesco Strazzari, publicada por Settimana, 07-04-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

Os observadores atentos – como o próprio Bernardo Barranco e Carolina Gomez Mena, do jornal La Jornada – põe em destaque que, há muito tempo, no interior do episcopado há desuniões e fraturas entre o clero secular e o religioso, entre os leigos e uma Igreja clerical, entre os religiosos e as religiosas, entre a Igreja e o povo, e entre os próprios bispos. Entre as palavras de Raul Vera, bispo de Saltillo, e aquelas do arcebispo de Cidade do México, o cardeal Norberto Rivera, existe um abismo. Falta, na hierarquia católica mexicana, uma forte e tangível liderança. Cada bispo se move como lhe parece e agrada e a acusação recorrente é esta: o empenho evangélico, que a 5ª Conferência dos bispos latino-americanos (Aparecida, 13-31 de maio de 2007) havia lançado como prioridade, está bem longe de ser posta em ato. A isto – segundo os observadores – é devida a constante diminuição dos católicos no país. 

Às repreensões – consideradas corretas pela maior parte dos mass mídia mexicanos – tem reagido mal o próprio arcebispo de Cidade do México, através da publicação de um editorial no semanário da arquidiocese Desde a Fé, e Jesus Martinez Zepeda, bispo de Irapuato. Os outros bispos, com exceção de Arizmendi de San Cristóbal de las Casas, escolheram a via do silêncio.

Nota-se que em muitos prelados existe certa apatia ou medo de pronunciar-se. Clima que por certo não faz honra a um episcopado tão numeroso. Observa ainda com argúcia Bernardo Barranco: “No que diz respeito à mudança de cúpula da conferência episcopal, é mais importante a recepção da mensagem de Francisco do que a reconfirmação do cardeal Francisco Robles como presidente ou a extromissão do secretário Eugenio Lira Rugarcia”, réu de não ter gerido bem a viagem do Papa, substituído por Alfonso Miranda Guardiola, bispo auxiliar de Monterrey.

O Papa sabia muito bem que se encontrava ante uma das conferências episcopais mais conservadores e resistentes às mudanças de toda a América Latina. O episcopado mexicano ainda não conseguiu deixar-se às costas a discutida missão diplomática do núncio Prigione, sob o qual eram nomeados bispos disciplinados segundo as regras de Roma, fiéis à ortodoxia e à doutrina católica, com pouco carisma e um perfil intelectual medíocre, se não realmente deficiente.

A viagem do Papa sacudiu leigos, religiosos e religiosas, o baixo clero e as associações civis de inspiração cristã, os quais solicitam uma renovação pastoral e profética da hierarquia. Pergunta-se: saberão os bispos reconhecer com humildade as suas culpas ou reagirão como a classe política que realmente aplaude as críticas de Francisco e depois, com cinismo, as faz escorrer como água sobre a pedra.

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