Nova especialista antiabuso sexual do Vaticano diz que o papa “não está hesitando"

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05 Abril 2016

Uma ex-coronel da polícia estadual de Illinois e ex-funcionária da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos recentemente contratada pelo Vaticano para ajudar no desenvolvimento de políticas de prevenção a abusos sexuais na Igreja ao redor do mundo, diz não ter “nenhuma dúvida” de que o Papa Francisco está pessoalmente comprometido com a causa.

A reportagem é de Ines San Martin, publicada por Crux, 01-04-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“Se o papa estivesse hesitando, acho que ele não daria à Comissão o apoio que tem dado”, disse Teresa Kettelkamp, referindo-se à Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, criada por Francisco em 2014 para assessorá-lo no combate aos casos de pedofilia na Igreja.

Kettelkamp, que atuou no Departamento para a Proteção das Crianças e Adolescentes da Conferência Episcopal americana entre 2005 e 2011, foi contratada em janeiro pela citada comissão pontifícia para desenvolver um modelo de diretrizes antiabusos e um conjunto das “melhores práticas” para as Conferências dos Bispos de todo o mundo, especialmente em lugares como a África, Ásia e América Latina, que não desenvolveram normas robustas ainda.

Kettelkamp concedeu uma entrevista exclusiva ao Crux na semana passada, a sua primeira desde que assumiu o cargo no Vaticano.

Alguns críticos têm questionado a seriedade de Francisco no tocante à reforma da Igreja a respeito dos escândalos de abusos sexuais clericais, apontando, entre outras coisas, a sua nomeação de um bispo no Chile conhecido por ter defendido o padre pedófilo mais notório do país.

Kettelkamp, no entanto, falou que a existência de uma Comissão no Vaticano é, em si, um sinal da determinação do pontífice.

“Essa Comissão existe no Vaticano, não em algum outro lugar numa parte remota do mundo. Ela existe bem aqui, dentro do Vaticano, e isso é uma mensagem importante”, disse.

Kettelkamp disse ainda que “não teria feito as malas e se mudado para Roma” simplesmente para melhorar a imagem externa de uma instituição que não estivesse profundamente comprometida com a proteção das crianças.

“Eu não estaria aqui caso eu tivesse alguma dúvida”, declarou ela na entrevista.

Kettelkamp contou ao Crux que ela construiu esta sua confiança em parte na experiência de trabalhar junto ao Cardeal Sean O’Malley, de Boston (presidente da Comissão para a Tutela dos Menores), e junto ao Monsenhor Robert Oliver (ex-assessor de O’Malley, que hoje atua como secretário da Comissão).

“O cardeal está a um passo de distância do Santo Padre, e eu não o vi, nem vi o monsenhor, vacilar”, disse ela.

“Caso o chefe deles, o papa, estivesse com um pé atrás aqui, nós teríamos visto um efeito de gotejamento, mas não é isso o que acontece”.

Quanto ao seu papel no Vaticano, Kettelkamp disse que a sua principal responsabilidade é desenvolver um “modelo” para normas antiabusivas a serem adotadas pelas Conferências Episcopais, trazendo junto a “Carta para a Proteção das Crianças e Jovens” dos bispos americanos em 2002 bem como uma carta circular emitida pela Congregação para a Doutrina da Fé, em 2011.

O modelo, informou ela, irá abordar questões do tipo: como responder às vítimas, como responder a uma queixa, como colaborar com os pais e mestres, além de elucidar dúvidas sobre se os esforços educativos devem ser adequados segundo a idade das pessoas envolvidas e outros.

Assim que o modelo e um conjunto de melhores práticas estiverem em vigor, disse ela, eles poderão ser adaptados às mais variadas circunstâncias nas diferentes regiões do mundo.
“Estamos atentas às diferenças cultuais”, completou.

Um aspecto desafiador em seu nome papel, segundo contou na entrevista, é persuadir os bispos em regiões do mundo onde a crise de pedofilia não chegou com tanta intensidade como em alguns países, por exemplo, os EUA, cujas crises de abusos sexuais se fizeram bastante presentes na imprensa e que resultaram em grandes quantidades de dinheiro destinadas a indenizações.

“Outros países não tiveram esta experiência”, disse.

“Não se trata apenas de montar um modelo e ajudar os países a adaptá-lo às suas realidades. Em alguns casos é preciso convencer os bispos de que o problema não existe somente nos EUA ou nos países de língua inglesa”, disse Kettelkamp.

“É um problema de salvaguarda de todas as crianças, do valor de todas elas”.

Alguns países em desenvolvimento enfrentam problemas mais urgentes como o conflito violento, desastres naturais ou a pobreza, motivos que fazem Kettelkamp entender que poderá haver dificuldades para que o seu conjunto de sugestões seja adotado imediatamente aí.

“Nós estamos dizendo que eles precisam manter as suas crianças seguras, e eles estão simplesmente tentando manter vivas estas crianças”, disse.

“Compreendo quais são as prioridades destes países, e eu rezo para que eles possam nos ouvir quando conversarmos sobre o valor dos nossos filhos e que possamos usar estas ideias para melhorar a situação”.

Em países mais economicamente desenvolvidos e que não têm normas para orientar este trabalho de proteção, Kettelkamp disse que o seu papel é ajudá-los a evitar a “complacência”, revisando os seus materiais e aprendendo com a experiência dos outros.

Diferentemente de muitas contratações que são feitas pelo Vaticano, Kettelkamp sabe exatamente como ela acabou na mira da Comissão para a Tutela dos Menores.

Em julho passado, ela contatou um amigo para ver se ele conhecia Oliver. Quando este lhe perguntou por que, ela falou que queria oferecer os seus serviços no intuito de contribuir para a proteção infantil num nível global.

A resposta de seu amigo foi desanimadora: “Você não tem a mínima chance”. Isso porque Kettelkamp é americana, mulher e não fala italiano.

Mesmo assim, ela entrou em contato com Oliver. Após um encontro com O’Malley, ela se mudou para Roma e tem trabalho aí há quase três meses.

Oliver contou ao Crux que, embora o papel exato da Comissão continua sendo um trabalho em progresso, há claramente uma divisão de mão de obra com a Congregação para a Doutrina da Fé, agência doutrinal vaticana que, desde 2001, assumiu a responsabilidade pelos casos de abusos sexuais cometidos pelo clero.

“Certamente eles irão permanecer encarregados da resposta jurídica aos abusos, das normas e assim por diante”, disse Oliver. “Nós estamos assessorando no tocante à tutela dos menores; eles estão trabalhando nos casos de abuso”.

Apesar de ter sido policial, Kettelkamp falou que não é uma preocupação a falta de poder de prisão em seu novo cargo.

“A minha inspiração não é desta terra”, disse, acrescentando que traz uma “fé robusta” e também uma convicção enraizada na experiência de “ver todo o bem que a Igreja tem feito”.

Kettelkamp falou que a sua referência para o sucesso ou fracasso é a eficácia que ela e a Comissão podem demonstrar na criação de um quadro global coerente para a proteção infantil.

“Irei avaliar isto com base em nosso trabalho junto àqueles países que não nós não tivemos condições de entrar ainda, e em saber se as crianças nestes países estão mais seguras por causa das diretrizes e dos procedimentos que estaremos compartilhando com eles”, disse ela.

“Esta é a medida, reverter a maré”.

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