Para grupos pró-Palestina, retirada de nome de Dayan como embaixador de Israel no Brasil é 'vitória'

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30 Março 2016

Comunidades e grupos solidários à Palestina celebraram a retirada da nomeação de Dani Dayan para a embaixada de Israel em Brasília, anunciada na segunda-feira (28/03), quase oito meses após sua indicação pelo governo de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense. Em entrevista a Opera Mundi, eles foram unânimes ao dizer que a retirada da indicação foi uma vitória para o Brasil e para a causa palestina.

A reportagem é de Camila Alvarenga, publicada por Opera Mundi, 29-03-2016.

“É uma vitória. É uma sinalização do que podemos conseguir a nível mundial”, disse Soraya Misleh, ativista brasileira filha de refugiados palestinos e membro da Frente em Defesa do Povo Palestino.

“Trata-se de uma vitória do movimento BDS na batalha contra a impunidade e pelo fim da cumplicidade brasileira com os crimes israelenses”, ressaltou Pedro Charbel, coordenador latino-americano do Comitê Nacional Palestino de BDS (Boicote Desinvestimento e Sanções).

Para Jorio Dauster, embaixador aposentado do Brasil na União Europeia, “a aceitação daquele nome consistiria de fato numa humilhação internacional para o Brasil, mas o importante agora é que tratemos de festejar a superação do incidente”. Dauster é porta-voz de um grupo de 57 diplomatas aposentados que assinaram uma carta aberta em janeiro repudiando a forma como ocorreu a nomeação de Dayan.

Na ocasião, o procedimento não contou com a concordância do Brasil, que tomou conhecimento da indicação por meio de um post no Twitter do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. A situação levou, incialmente, a um não pronunciamento do Brasil — o equivalente a uma recusa em termos diplomáticos que foi posteriormente confirmada pelo Itamaraty.

A postura brasileira no momento da nomeação chegou a ser criticada pela Associação Cultural Israelita de Brasília (Acib), presidida por Hermano Wrobel, que repudiou a atitude.

“A menos que o candidato represente um problema direto para o Estado em que ele vai servir, o governo não teria qualquer razão para recusar”, afirmou Wrobel na ocasião durante entrevista para a agência de notícias israelense Tazpit.

De origem argentina, Dayan foi durante seis anos (2007-2013) presidente do Conselho Yesha, organização que trabalha em prol dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, e segue sendo um nome importante no movimento pró-assentamentos em terras palestinas. Os assentamentos israelenses em território palestino são considerados ilegais pela comunidade internacional, inclusive pelo Brasil, que reconheceu em 2010 o Estado da Palestina com as fronteiras de 1967.

Cônsul em NY

No anúncio de segunda-feira (28/03), o governo israelense informou que Dayan será cônsul-geral do país em Nova York. “Acredito que posso implementar uma revolução na diplomacia pública de Israel na América do Norte, cujo coração é Nova York”, disse Dayan em comunicado.

Na mesma nota, ele ainda admitiu a influência de ativistas do movimento BDS na rejeição do governo brasileiro. Considerou, entretanto, seu novo cargo nos EUA um “sucesso” para Israel e uma “vitória sobre o BDS”.

Para Soraya Misleh, a solução israelense para o imbróglio com o Brasil ainda não é positiva para o povo palestino. “Dayan como cônsul nos Estado Unidos é terrível. Vai na contramão da campanha do BDS e dos movimentos de solidariedade à Palestina. Representa um risco para o povo Palestino”, disse a ativista.

Segundo Pedro Charbel, o movimento BDS continuará pressionando o novo cônsul em Nova York. “Nos EUA, Dayan terá que lidar com um forte movimento BDS, que tem crescido como nunca, especialmente nos campus universitários, notadamente entre judeus estadunidenses. Sua presença nos EUA apenas dará mais vigor e argumento ao movimento”, afirmou.

Novo embaixador

Israel deve agora nomear um novo embaixador para Brasília. O governo israelense havia declarado em janeiro que adotaria “ferramentas alternativas” caso a nomeação de Dayan falhasse.

“Como entendo que o governo de Israel não tem qualquer interesse em exacerbar o problema, acredito que, no máximo, poderá postergar a indicação de um novo embaixador, mantendo por algum tempo um encarregado de negócios à frente de sua embaixada em Brasília”, explicou Dauster.

O embaixador acredita que, a partir da nova nomeação, as relações entre Brasil e Israel podem se restabelecer sem tensões. “Existe uma convenção internacional que determina a necessidade de que cada governo submeta o nome de quem pretende nomear ao país que o receberá, de forma sigilosa, e o nome pode ser rechaçado. Se Israel voltar a seguir essas normas, o processo correrá normalmente e poderemos retomar plenamente as boas relações bilaterais nos campos político, econômico e tecnológico entre os dois países”, concluiu.

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