Grupos católicos escrevem a John Kerry para pedir investigação minuciosa sobre a morte de ativista hondurenha

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16 Março 2016

Pelo menos, 25 grupos católicos juntaram-se a organizações não governamentais na condenação do assassinato da ativista ambientalista hondurenha Berta Cáceres, pedindo por mudança na política americana relativa à assistência na região.

A reportagem é de David Argen, publicada por Catholic News Service, 14-03-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em uma carta aberta ao secretário de Estado americano John Kerry, as organizações pediram uma investigação do crime que capturou a atenção internacional e pôs um holofote sobre a impunidade no país centro-americano. A entidades signatárias pediram ao governo americano que não deixe que o assassinato de Cáceres fique sem uma resolução e punição dos envolvidos. Os Estados Unidos, escrevem, deveriam lançar mão desta tragédia para “fazer uma mudança profunda de direção no sentido de melhorar a situação abismal dos direitos humanos em Honduras”.

 

Ativistas seguram uma foto da ambientalista assassinada Berta Cáceres durante um protesto no lado de fora da casa presidencial em Tegucigalpa, Honduras, em 08-03-2016. (foto CNS / Jorge Cabrera, Reuters)

“Pedimos ao Departamento de Estado que deixe claro ao governo hondurenho que as parcerias e os financiamentos futuros dependem da demonstração de vontade política para investigar e processar este crime e todos os crimes contra os defensores dos direitos humanos”, afirmam os grupos na carta, datada de 7 de março.

“O governo hondurenho (…) deve garantir a liberdade de expressão, inclusive acabando com a repressão severa e constante dos protestos sociais, pondo um fim imediato às declarações públicas intimidadoras feitas por autoridades governamentais e membros das forças militares e policiais que colocam os defensores dos direitos humanos e jornalistas em perigo”.

Cáceres foi morta em sua casa no último dia 3 de março, em um ataque que as autoridades inicialmente atribuíram a roubo. A família e amigos rejeitaram esta explicação, dizendo que ela vinha sendo alvo de constante ameaça por donos de terra, por policiais e soldados.

Indígena da etnia lenca do leste de Honduras, Cáceres liderou uma oposição a um projeto de construção de uma hidrelétrica que havia sido proposta sem consulta dos povos locais e que ameaçava arruinar o rio do povo lenca, rio considerado a fonte principal de água e importante para a cultura e o modo de vida locais.

Ela venceu o Prêmio Goldman Environmental” de 2015 por seu trabalho contra a construção da barragem Agua Zarca no Rio Gualcarque. Cáceres também participou do Encontro Mundial dos Movimentos Populares no Vaticano em 2014.

Berta Cáceres nos unia no sentimento patriótico de uma luta por justiça a partir do ponto de vista dos povos nativos, trabalhando para a construção de uma nova sociedade e de um novo mundo, onde nenhuma família careça de moradia, onde nenhum trabalhador careça de emprego e onde nenhum campesino careça de terra”, disse a Caritas Honduras em nota no dia 5 de março.

A organização Global Witness, uma das signatárias da carta, informa que 116 ativistas ambientalistas foram mortos em 2014 em todo mundo, com três quartos das causas ocorrendo nas Américas Central e do Sul. Em Honduras, a Global Witness documentou 101 casos de ativistas assassinatos entre 2010 e 2014, fazendo deste o “país mais perigoso per capta para se ser um ativista ambientalista”. Três das mortes envolveram colegas de Cáceres”.

Honduras vem sofrendo com a instabilidade e a insegurança desde um golpe de Estado ocorreu em 2009, ao mesmo tempo em que a corrupção tem causado protestos generalizados, especialmente em 2014 após as revelações de que o dinheiro desviado do instituto de previdência social acabou sendo usado na campanha presidencial vencedora do Partido Nacional.

A carta escrita pelas organizações sociais pede ao governo americano que mude a sua abordagem exigindo uma maior responsabilização dos projetos que apoia e respaldando aqueles que trabalham para proteger os territórios tradicionais.

“O governo dos EUA deve ficar ao lado dos que estão pondo suas vidas em risco ao protegerem os direitos humanos e o meio ambiente em Honduras”, lê-se no texto divulgado, que conta com as assinaturas da Conferência de Liderança das Religiosas (Leadership Conference of Women Religious), da Conferência dos Superiores Maiores, do Escritório Maryknoll para Assuntos Globais, da província americana das Missionários Oblatos de Maria Imaculada, da Rede Inaciana de Solidariedade e da Rede de Ação Franciscana.

“Instamos o Departamento de Estado a suspender todo o auxílio e treinamento às forças de segurança hondurenhas, com a exceção da assistência investigatória e forense à polícia, até o momento em que os assassinatos de Berta Cáceres e de dezenas de outros ativistas hondurenhos permanecerem impunes”, diz a carta.

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