Católicos e luteranos reúnem-se para o aniversário da Reforma

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18 Janeiro 2016

Católicos e luteranos deram mais um outro passo em direção à comemoração conjunta do 500º aniversário da Reforma em 2017 emitindo orientações litúrgicas comuns para as celebrações ecumênicas que marcarão a ocasião. As orientações, publicadas em uma cartilha chamada “Common Prayer” [orações em comum], fornece um modelo para as celebrações ecumênicas, com rezas sugeridas, hinos e temas para os sermões.

A reportagem é de Tom Heneghan, publicada por America, 14-01-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

As lideranças católicas no país natal de Lutero, a Alemanha, onde o interesse pelo aniversário é mais forte, rejeitaram, primeiramente, a ideia de “celebrar” o que os luteranos locais já haviam dado o nome de “Reformationsjubiläum” (Jubileu da Reforma). Mas diálogos detalhados entre a Federação Luterana Mundial e o Vaticano produziram um relatório com 93 páginas intitulado “Do Conflito à Comunhão” em 2013 que anunciava que as duas tradições religiosas marcariam o aniversário conjuntamente e apresentariam a Reforma como o começo de uma caminhada compartilhada de 500 anos, em vez de um evento histórico singular e divisor.

As orientações dizem que todas as celebrações devem ressaltar os conceitos de ações de graças, arrependimento e compromisso comum, com o foco principal em Jesus. Elas foram apresentadas em 11 de janeiro pela sede da Federação Luterana Mundial em Genebra e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidades dos Cristãos.

A Reforma, iniciada com a publicação das 95 Teses de Martinho Lutero em 1517, dividiu o cristianismo ocidental na medida em que os protestantes se distanciaram do catolicismo romano e formaram as suas próprias igrejas. Até cerca de 50 anos atrás, os dois lados viam-se com suspeitas em uma divisão teológica profunda. Porém os debates ecumênicos travados nas últimas décadas alcançaram uma tal reconciliação que os teólogos recentemente sugeriram se explorar a possibilidade de uma comunhão compartilhada, o que a Igreja Católica não se permite com outros cristãos.

Quando uma luterana casada com um católico perguntou ao Papa Francisco sobre a comunhão compartilhada em sua visita à comunidade religiosa dela em Roma no último mês de novembro, ele disse que não poderia decidir a questão, mas deu a entender que a apoia. “É uma questão que as pessoas devem responder por si mesmas (…) Há Um só batismo, um só Senhor, uma só fé. Fale com o Senhor e, em seguida, vá para frente”, disse ele à congregação reunida, que rompeu em aplauso.

A cartilha “Common Prayer” salienta as crenças partilhadas entre o 1,2 bilhão de católicos romanos e os 75 milhões de luteranos de todo o mundo, e aconselha os seus leitores a que as suas recomendações sejam ser ajustadas de acordo com o país e o idioma em que serão usadas.

A seção sobre o arrependimento admite que as guerras religiosas pós-Reforma causaram “mortes de centenas de milhares de pessoas” e enfraqueceram a mensagem evangélica. “Nós lamentamos profundamente as coisas más que os católicos e luteranos fizeram mutualmente uns aos outros”, lê-se.

“[A cartilha] Common Prayer marca um momento muito especial no nosso caminho comum do conflito à comunhão”, disseram, em uma carta conjunta que acompanhava a publicação, o Rev. Martin Junge (secretário geral da Federação Luterana Mundial) e o Cardeal Kurt Koch (prefeito do dicastério ecumênico do Vaticano). A cartilha sugere que os serviços religiosos ecumênicos tenham dois presidentes, um católico e um luterano, e que conte com leitores das orações advindos de ambas as tradições.

Devem-se usar hinos conhecidos tanto por católicos com por protestantes, tais como “Louva ao Senhor, Potentíssimo” (originalmente escrito para uma igreja luterana na Alemanha) ou cânticos meditativos tais como “Veni Sancte Spiritus”, da comunidade ecumênica do Taizé, na França.

Pede-se que se citem passagens do documento “Do Conflito à Comunhão” que explicam o porquê os católicos e luteranos deveriam se unir em oração, e os presidentes são instruídos a conduzir uma oração que lamenta que “até mesmo as boas ações de reforma e renovação tiveram, muitas vezes, consequências negativas não intencionais”. Quanto às leituras do Evangelho, sugere João 15, em que Jesus se compara a uma videira e diz que os seus seguidores são como os seus ramos. As celebrações deverão incluir a recitação de duas orações, o Credo dos Apóstolos e a Oração do Senhor.

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