“Estamos vivendo uma das maiores crises da Humanidade. É o momento de agir”

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15 Janeiro 2016

Duzentos milhões de pessoas. Um hipotético "quinto país do mundo" em número de habitantes, que, contudo, ainda vivem sem pátria, fugindo, sem futuro. Eles são os migrantes. 60 milhões deles são refugiados, que fogem da guerra, da morte e do ódio diante do silêncio ameaçador do Ocidente. Não se trata de uma emergência pontual, mas de uma necessidade de agir. Isto é o que procura a Companhia de Jesus, que esta manhã lançou o Hospitalidad.es, uma campanha global que visa promover, de forma integrada, uma cultura de aceitação, da sensibilização, cooperação e incidência.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 14-01-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.

“O Papa nos lembra de que há muito a lamentar pelo mundo para que a alma não seque. Já choramos, e agora é a hora de agir”, disse Alberto Ares, sj., encarregado do setor social dos jesuítas espanhóis. A campanha “quer trazer a voz dos refugiados que já vivem com a gente”, porque “estamos vivendo uma das maiores crises de migração da humanidade”.

Em 17 de janeiro, celebra-se o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. Neste dia queremos nos lembrar de que o mundo está passando pela maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, relata a Companhia. Conflitos travados na Síria, no Afeganistão e no Chifre da África estão desencadeando a fuga contínua da população civil que procura salvar sua vida e ter um futuro.

“O Mediterrâneo tornou-se a fronteira mais desigual e mortal no mundo”, queixou-se Ares, que observou que “os 3.771 mortos que tentavam chegar à Europa pelo mar em 2015 representam um escândalo ético. Eles são seres humanos com direito de serem protegidos. O cumprimento deste direito pesa sobre os governos, mas nós cidadãos também temos a nossa parcela de responsabilidade”.

Ceuta e Melilha são os principais pontos de entrada da Espanha. Ao país, lamentavelmente, das 19.000 “assentadas” esperadas só chegaram 18 pessoas, “algo que dá muito que pensar”. Para o jesuíta responsável, é preciso “enfrentar a globalidade da indiferença, que atingiu uma dimensão mundial”.

A Companhia de Jesus decidiu agir com a hospitalidade, com uma resposta generosa abrangente, que não deixe ninguém de fora. Com quatro linhas: acolhimento, cooperação, sensibilização e incidência.

Daniel Villanueva SJ, diretor da Fundação Entreculturas, sublinhou como “a resposta envolve necessariamente o acompanhamento, é indispensável”. “Precisamos trabalhar sobre esta questão a nível transnacional, vinculando origem, trânsito e destino. Não podemos nos esquecer daqueles que não puderam escapar do conflito”, disse Villanueva, que encorajou-nos a “visualizar as causas deste êxodo, derrubar os estereótipos frente a um população que se viu forçada a abandonar seus países”.

“Nós temos que assumir a nossa responsabilidade enquanto europeus, nesta crise. O nosso trabalho não é só o de acolhida, mas de se comprometer por uma cooperação internacional com os países onde o sofrimento ocorre. A política do desenvolvimento tem sido a mais recortada nestes últimos anos de crise”, acrescentou o coordenador da Entreculturas, que encorajou-nos à “responsabilidade que diz respeito a todos nós para sermos fiéis a uma sociedade que sempre tem sido de acolhimento”.

Por sua parte, Miguel González, responsável pelo Serviço Jesuíta aos Refugiados na Espanha, observou como até mesmo antes da crise no Mediterrâneo, o sistema espanhol de asilo era muito limitado. “Queremos ir aonde o sistema falha, porque as pessoas têm os seus direitos, mas o sistema é muito pequeno, e há pessoas que não têm acesso a ele, e outros que ficam fora dele”. González destacou duas das linhas de trabalho: acolhimento e sensibilização.

“Queremos colocar a cabeça, as mãos e o coração das pessoas”, disse González, alertando para a “onda de xenofobia e de exclusão” que está crescendo na Europa. “Você tem que derrubar mitos da intelectualidade”, mas também “precisamos estimular o coração, a empatia”, algo que tem a ver com assumir a responsabilidade pelos migrantes e refugiados, entrar em contato com eles, conviver com eles. E, é claro, “mudar as políticas que limitam os direitos das pessoas”.

De sua parte, Cristina Manzanedo, responsável pela adovacia do SJR, sublinhou a necessidade de “ter uma voz pública muito poderosa” para denunciar as falhas e potencialidades dos sistemas de acolhimento na Espanha e na Europa. “Queremos analisar, investigar e propor mudanças políticas que exerçam o impacto necessário a favor da justiça para estas pessoas. Queremos prestar atenção especial para a fronteira sul, nas pessoas que já estão entre nós e na falta de coordenação da resposta europeia”.

“Como explicar para a Europa que fomos incapazes de acolher os imigrantes, porque a Europa não sabe coordenar esforços para responder aos refugiados, e atendendo a todos”, disse Manzanedo. Com relação à Espanha, “preocupa-nos que houve um momento de grande solidariedade, e agora parece não haver preocupação”. “Os refugiados já estão aqui: há uma rota muito importante no Mediterrâneo Ocidental”, disse ela, ressaltando que existem 10.900 pessoas que já entraram por aqui. Chegam e ficam nos CETIs (Centros de Estadia Temporária de Imigrantes) cujo funcionamento “tem que mudar”.

"Existem refugiados de primeira e de segunda na Espanha”, denunciou a especialista, que observou como a situação dos refugiados sírios “esconde” a realidade dos refugiados africanos. “Seus pedidos levam anos, e enquanto isso vivem perseguidos e isolados”. Também faz falta “investir na integração”.

Mariana Morales, coordenadora de Acolhimento em Madri, relatou o bruto testemunho de uma família de refugiados sudaneses em Madri, e os contratempos para escapar do horror, caindo nas mãos de máfias de imigrantes, mas, acima de tudo, a falta de solidariedade em um sistema que não leva em conta as pessoas.

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