Eis o que esperar do Papa Francisco em 2016

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11 Janeiro 2016

Prever quais problemáticas o Papa Francisco estará assumindo em um ano novo é quase impossível. Chamam-no de o “papa das surpresas” por um bom motivo: ele define a sua agenda pessoalmente. Ele parece sempre manter suas cartas juntas a si, não permitindo o seu porta-voz e sequer alguns de seus colaboradores mais próximos ver o que ele está prestes a fazer.

A reportagem foi publicada por Huffington Post, 05-01-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Papa Francisco igualmente acredita em um processo a longo prazo em vez de resultados imediatos. Isso fica reforçado pelo fato de que um papa, por definição, não precisa encarar eleições, cumprir um mandato ou trabalhar dentro de um período dado. Nesse sentido, 2016 pode muito bem ser somente mais um ano em um pontificado que em breve estará entrando em seu quarto ano.

Não obstante, a primeira parte de 2016 já se mostra estabelecida. Francisco parece estar perseguindo as reformas organizacionais e administrativas do Vaticano. Em seu discurso de dezembro, em que trouxe a sua mensagem de Natal à Cúria, Francisco mostrou uma forte determinação em levar a cabo as reformas. Mais que isso, pareceu querer abordar as “doenças e mesmo os escândalos” que, segundo ele, foram testemunhados ao longo do ano que se passou dentro do órgão governante da Igreja.

O papa estava implicitamente se referindo ao caso “Vatileaks II” – aquele que envolveu documentos sigilosos sobre a má-gestão interna do Vaticano e que Francisco está tentando resolver. Este escândalo levou a um julgamento, marcado para ser reaberto em fevereiro, com alguns dos cardeais do alto escalão convocados para depor.

Descentralização?

Este processo jurídico, porém, não deve evitar que a reforma da Cúria se desenvolva. O “C9”, conselho de nove cardeais assessores do papa, vai se encontrar por cinco vezes no ano. O próximo encontro, no início de fevereiro, estará parcialmente dedicado a refletir sobre uma “descentralização saudável” da Igreja Católica, conforme pedido por Francisco em uma de suas alocuções mais importantes sobre o tema em 2015. Um seminário com especialistas, que abordará a construção de uma “igreja que escuta” mais, como expressou Francisco nesse mesmo discurso, vai também se realizar no Vaticano em fevereiro.

A reestruturação da própria Cúria Romana também continua na ordem do dia. Alguns departamentos vaticanos poderão se fundir – aqueles relacionados à caridade e a iniciativas de paz encabeçadas pela Igreja, por exemplo. Também espera-se que os setores que envolvem os leigos e a família sofram uma fusão.

Documento sobre a família

Mas a reforma mais esperada este ano concernente à família não é uma engenharia institucional. É um documento que Francisco deve publicar diante da Páscoa, talvez antes. Esta “exortação”, conforme é oficialmente chamado na terminologia católica, decorre das duas assembleias mundiais dos bispos (“Sínodos”) em torno desta questão altamente sensível – assembleias gerais ocorridas em Roma em outubro de 2014 e outubro de 2015. Quem sabe qual a surpresa que Francisco irá trazer nesse texto, que os bispos pediram que ele produzisse?

A questão mais polêmica que o papa estará enfrentando é a de permitir que os casais divorciados e recasados voltem a participar da Eucaristia. Francisco até agora evitou ser inteiramente explícito a respeito dessa muito debatida questão. Ele continua, porém, dizendo que todos os pecados – os quais devem incluir o pecado do divórcio – podem ser perdoados.

As suas homilias durante o período de Natal se focaram no perdão. “O perdão é a essência do amor, que sabe compreender o erro e pôr-lhe remédio”, afirmou durante uma cerimônia dedicada às famílias no dia 27 de dezembro na Praça de São Pedro. Na noite de Natal, ele retratou um “mundo que tão frequentemente é impiedoso para com o pecador e leniente com o pecado”. Com certeza, esses dizeres dão aos analistas uma ideia da forma como Francisco quer que a sua Igreja trabalhe junto às famílias de todas as classes sociais. Ao mesmo tempo, ele deve se certificar de que as suas mudanças não vão provocar divisões dentro de sua própria organização. Isto se mostra como o maior desafio em seu pontificado: engajar-se em reformas profundas sem criar um novo cisma.

Dez mil “Portas da Misericórdia”

Para evitar que isso aconteça, Francisco fez algo especial. A reforma do comando da Igreja e a reforma da atitude dela para com as famílias contemporâneas deverão ser realizadas durante o Jubileu da Misericórdia, um Ano Santo que oficialmente começou em 8 de dezembro. Pela primeira vez na história centenária dos Jubileus, este se destaca como o mais descentralizado. A assim-chamada Porta Santa, que todos os peregrinos jubilares tradicionalmente cruzam, não está somente em Roma. Existem cerca de dez mil delas em todas as catedrais e santuários do mundo.

Elas são chamadas “Portas da Misericórdia” – devem estar abertas e acolher a todos e todas, não importando quais dificuldades as pessoas estejam encontrando em suas vidas. Estas portas representam a atitude que Francisco quer que a sua Igreja tenha. Muito embora a agitação em Roma para o Jubileu em dezembro tenha sido pequena, ele espera que este Ano Santo, a terminar em 20 de novembro, vá gerar uma “revolução de ternura”, de acordo com uma de suas expressões favoritas – um impulso para uma Igreja mais caridosa e aberta.

Canonização de Madre Teresa

Esta atitude irá ser posta em prática por meio da canonização de Madre Teresa, que deve acontecer em 4 de setembro. A celebração da santidade da “madre de Calcutá”, quem recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979, deve atrair centenas de milhares de pessoas ao Vaticano e vai se tornar um evento de destaque do Jubileu.

Não esqueçamos da Jornada Mundial da Juventude. Francisco já focou este evento na misericórdia. Organizado na Cracóvia, Polônia, no final de julho, esta será a primeira visita do papa argentino à terra de seu falecido antecessor, João Paulo II.

E quanto ao país de origem de Bergoglio? Nenhuma visita à Argentina foi anunciada ainda; os planos de viagens do papa para 2016 permanecem um mistério. Segundo a agenda oficial de suas audiências públicas em Roma, ele tem programado estar fora em maio e junho, o que dá a entender haver algumas viagens além-mar nesse período.

A fronteira mexicana com os EUA

Uma viagem que já está marcada para acontecer é a sua estada, com duração de uma semana, no México em meados de fevereiro. Francisco irá se encontrar com comunidades indígenas em Chiapas e, então, rumará ao norte, como um migrante, para a cidade fronteiriça de Ciudad Juárez. O seu objetivo aí é apoiar a mudança naquilo que tem sido considerado um submundo do crime.

Seja no México, seja em Roma ou em outro lugar, a segurança do papa irá continuar sendo uma preocupação em 2016. O Vaticano sabe que ele é um alvo dos terroristas do [grupo] Estado Islâmico. Geralmente Francisco descreve os tempos atuais como uma “guerra sendo travada em parcelas”. Mas isso não o impede de viajar para todo lado sem carros à prova de bala, mostrando confiança nas pessoas a quem visita – os quais, é claro, esperam que ele não enfrente nenhuma surpresa desagradável.

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