O impacto positivo de Francisco nas opiniões sobre a Igreja, especialmente entre democratas e progressistas

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20 Novembro 2015

Na esteira da visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, uma nova pesquisa do Centro de Pesquisas Pew (Pew Research Center), publicada no dia 19-11-2015, diz que o papa gerou uma boa vontade para com a Igreja Católica de Roma entre as pessoas ao longo de todo o espectro político. Os progressistas e moderados, juntamente com os democratas, estão especialmente propensos a dizer que Francisco ajudou-lhes a ter uma visão mais positiva sobre a Igreja Católica.

A tradução é de Isaque Correa Gomes.

Ao mesmo tempo, o índice de favorabilidade do papa permanece próximo de onde se encontrava no começo de 2015. E a maioria dos americanos dizem que o que pensam da Igreja Católica não mudou por causa do Papa Francisco.

O gráfico mostra que o efeito do Papa Francisco nas opiniões sobre a Igreja Católica é mais positivo do que negativo.

No geral, 28% dos católicos adultos americanos dizem ter uma visão mais positiva da Igreja Católica por causa do Papa Francisco. Um número bem menor – somente 6% – diz ter uma visão mais negativa da Igreja por causa de Francisco. Quase seis em dez americanos (58%) dizem que a sua opinião sobre a Igreja não mudou muito.

Tanto os católicos como os não católicos estão mais propensos a dizer que Francisco teve um impacto positivo, em vez de negativo, em suas opiniões a respeito da Igreja: o mesmo é verdadeiro dos americanos nos dois principais partidos políticos e em todo o espectro ideológico.

Porém, opiniões melhoradas sobre a Igreja Católica ficam especialmente claras entre os autoidentificados progressistas e moderados bem como entre os democratas. Quase quatro em cada dez progressistas (39%), por exemplo, dizem ter uma visão mais positiva da Igreja Católica por causa do Papa Francisco, superando de longe os 4% que dizem ter uma visão mais negativa da Igreja por uma margem de 10 a 1.

E entre os moderados, 31% dizem que a opinião deles sobre a Igreja melhorou por causa do Papa Francisco, enquanto que 5% dizem que a sua opinião sobre a Igreja se tornou mais negativa, uma proporção de 6 por 1. Entre os conservadores, por outro lado, a proporção daqueles com uma opinião mais positiva da Igreja (22%) com aqueles com uma visão mais negativa (10%) está mais próxima: 2 por 1.

Uma divisão parecida é vista entre os democratas e republicanos. Enquanto 27% dos republicanos dizem que Francisco teve um impacto positivo na visão deles sobre a Igreja Católica e somente 10% dizem ter uma visão mais negativa (uma proporção de quase 3 por 1), a proporção de sentimentos negativos para sentimentos positivos é ainda mais desigual entre os democratas. 35% dos democratas dizem ter uma visão mais positiva da Igreja Católica por causa do Papa Francisco, enquanto que somente 2% dizem que Francisco conduziu a opinião deles sobre a Igreja na outra direção – uma proporção de aproximadamente 17 por 1.


As opiniões dos não católicos sobre o Papa Francisco são mais positivas após a sua visita aos EUA.

O índice de positividade do Papa Francisco agora encontra-se na casa dos 68%, um pouco acima em comparação ao mês de junho, quando 64% dos adultos americanos diziam ter uma visão favorável do papa, quase o equivalente aos 70% dos americanos que manifestaram uma visão positiva do pontífice em fevereiro de 2015. A melhora recente (entre junho e outubro) no índice de favorabilidade de Francisco concentra-se entre os não católicos.

Quase dois terços dos não católicos (65%) agora manifestam uma visão favorável do Papa Francisco, o que está a par com o mês de fevereiro (quando 64% dos não católicos manifestavam uma opinião favorável do papa na medida em que ele se aproximava da marca de dois anos de papado) e 7 pontos percentuais acima desde junho.

Oito em 10 dez católicos pesquisados (81%) agora dizem ter uma visão favorável do Papa Francisco. Em comparação, 86% dos católicos manifestaram uma visão favorável do Papa Francisco em junho, e 9 em cada 10 católicos (90%) manifestaram uma visão favorável do pontífice em fevereiro. O índice de favorabilidade do Papa Francisco entre os católicos dos EUA quase equivale, hoje, ao índice que os católicos deram ao Papa Bento XVI na sequência de sua visita ao país em abril de 2008.

Estes estão entre os achados centrais de uma nova pesquisa do Centro Pew, conduzida entre os dias 1 e 4 de outubro de 2015, via telefones fixos e celulares com uma amostragem nacional de 1 mil adultos. Ainda que a pesquisa forneça uma retrato inicial útil do impacto da visita de Francisco sobre as opiniões dos americanos a respeito do papa e da Igreja Católica, o seu tamanho limitado (ela incluiu entrevistas com apenas 218 católicos autoidentificados) e a sua duração (as entrevistas foram conduzidas no curso de quatro dias apenas) fazem ser difícil discernir claramente o “por que motivo” os católicos podem estar admirando um pouco menos o Papa Francisco agora do que o admiravam no começo do ano.


Um número um pouco menor de católicos manifesta uma opinião favorável sobre o Papa Francisco.

Os dados sugerem, no entanto, que o declínio no índice de favorabilidade de Francisco entre os católicos deve-se, principalmente, às opiniões cambiantes dos católicos que estão indo à missa regularmente. Entre os 97 católicos entrevistados que dizem ir à missa pelo menos uma vez na semana, 84% têm uma visão favorável do Papa Francisco – abaixo em comparação com fevereiro, quando 95% dos católicos que vão regularmente à missa manifestaram uma visão favorável do pontífice. Os católicos praticantes não se tornaram significativamente mais favoráveis a manifestar opiniões “desfavoráveis” sobre o papa; em vez disso, eles estão agora mais propensos a dizer que não têm opinião.

Durante o mesmo período, não houve essencialmente nenhuma mudança de opinião sobre o papa na parcela dos católicos que vão menos de uma vez por semana à missa.

Os dados também mostram que, entre o público como um todo, incluindo os católicos e não católicos, Francisco é mais querido entre os democratas do que entre os republicanos ou independentes. As diferenças partidárias nas opiniões sobre o Papa Francisco eram menores em fevereiro deste ano. Os progressistas e democratas também veem o papa de maneira mais positiva do que os conservadores.

Respostas à pergunta “Qual a palavra que melhor descreve a sua impressão do Papa Francisco?”

Destaque para as palavras “Bom/boa pessoa” e “humilde”, com grande número de menções (60 e 38, respectivamente). Obs.: Somente as palavras que foram mencionadas por, no mínimo, quatro vezes foram codificadas como positivas, neutras ou negativas. As palavras mencionadas por menos de quatro participantes não estão incluídas nesta contagem.

Além de perguntar sobre as opiniões a respeito do Papa Francisco e o seu impacto nas impressões que as pessoas têm da Igreja Católica, a pesquisa pediu aos participantes que dissessem “qual a palavra” que melhor descreve a impressão que possuem do pontífice. Entre as mais mencionadas estão “bom”, “humilde”, “legal” e “compassivo”. Palavras positivas como estas foram mencionadas muito mais vezes do que palavras neutras ou negativas (como “religioso”, “progressista” ou “socialista”). Na verdade, das palavras que puderam ser codificadas como descrições positivas ou neutras/negativas sobre o papa, três quartos (76%) eram positivas, enquanto que 24% eram neutras ou negativas.

Tendências nos índices de favorabilidade papal

Opiniões favoráveis do Papa, na relação entre Bento e Francisco.

A nova pesquisa, conduzida durante a semana após a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, dá a oportunidade de fazer comparações com a reação do público à visita do Papa Bento XVI ao país em 2008. Ao longo de seu papado, o Papa Francisco tem sido, em geral, visto de forma mais positiva pelos americanos do que foi o Papa Bento. E se comparados com as leituras feitas logo antes de eles visitarem, os dois papas receberam um “salto” em seus índices de favorabilidade imediatamente após as suas respectivas viagens ao país. Se comparado com uma pesquisa feita no mês passado, a parcela dos adultos americanos que manifestavam uma opinião favorável sobre o Papa Bento cresceu 9 pontos (52% para 61%) imediatamente após a sua visita em abril de 2008. As opiniões favoráveis sobre o Papa Francisco assinalaram 4 pontos em comparação com uma pesquisa conduzida em maio e junho de 2015.

O salto que recebeu o Papa Bento após a sua visita foi vista tanto entre os católicos como entre o público como um todo: 83% dos católicos manifestaram uma visão favorável do Papa Bento imediatamente após a sua visita, acima dos 74% do mês anterior. Por outro lado, não houve aumento algum na parcela dos católicos que manifestavam uma visão favorável a respeito do Papa Francisco na sequência de sua viagem.

E, embora no geral Francisco venha sendo mais positivamente considerado pelos católicos do que Bento, o atual índice de favorabilidade de Francisco entre os católicos está próximo do mesmo índice de Bento medido imediatamente após a sua visita aos EUA. Francisco é, no entanto, visto “muito favorável” por mais católicos do que Bento XVI, mesmo imediatamente após a sua visita de 2008; 62% dos católicos agora dizem ter uma visão “muito favorável” do Papa Francisco, juntamente com os 20% que têm uma visão “muitíssimo favorável”. Em abril de 2008, 49% dos católicos manifestavam uma visão “muito favorável” do Papa Bento, enquanto 34% manifestava uma visão “muitíssimo favorável”.

Visita papal acompanhada pela maioria dos católicos e por quase a metade dos não católicos

 
Metade do público acompanhou a visita papal de perto, conforme mostra a tabela.

A metade dos adultos americanos diz que seguiram o noticiário em torno da visita papal “de perto” (22%) ou “muito de perto” (28%). Entre os católicos, cerca de 6 em cada 10 dizem ter seguido o noticiário sobre a visita papal aos EUA pelo menos de perto, incluindo 35% que seguiram a visita “muito de perto”. Um terço dos católicos diz ter acompanhado a visita “não muito de perto” (19%) ou “não acompanhou absolutamente nada” (14%).

Para colocar estes números em contexto, uma pesquisa conduzida em maio deste ano descobriu que dois terços dos adultos americanos (66%) diziam ter seguido “de perto” ou “muito de perto” o noticiário acerca da agitação em Baltimore que se seguiu à morte de Freddie Gray, e uma pesquisa conduzida em janeiro de 2015 descobriu que 43% dos adultos acompanharam “de perto” ou “muito de perto” o noticiário em torno do discurso sobre o Estado da União, do presidente Obama.

A visita papal deste ano foi acompanhada muito de perto por quase 6 em cada 10 pessoas morando na região Nordeste do país (57%), juntamente com quase a metade dos americanos vivendo no Centro-Oeste (52%) e no Sul (50%). Em comparação com o Nordeste, um número um tanto menor de residentes na região Leste (42%) diz ter seguido de perto a visita do Papa Francisco.

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