Povo Kanela Apanyekra do Maranhão: falando ao coração

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21 Agosto 2015

"Amigos, acompanhei mais uma delegação indígena lutando por seus direitos em Brasilia. É gratificante sentir o quanto de resistência e garra possuem os povos nativos e a disposição de lutar pelos seus direitos, especialmente os territórios"

"Os Apanyekra tiveram um dia diferente do que quando estão na mata, no roçado ou no rio, na aldeia. Enfrentaram as longas caminhadas dos corredores no emaranhado de gabinetes de parlamentares e ministros. Em quase todos os lugares foram recebidos com simpatia e com a promessa de apoio a seus direitos.", narra Egon Heck, do Secretariado Nacional do CIMI, ao enviar o artigo que publicamos a seguir.

Eis o artigo.

Um convite, uma missão, uma luta. Uma delegação do povo Kanela deixa a tranquilidade da grande aldeia de Porquinhos, com mais de 800 habitantes, rumo a Brasília. Não vieram dizer apenas que existem, mostrando seus rostos cansados, mas sorridentes e confiantes, de um povo guerreiro, do tronco linguístico macro-jê, da nação Timbira. Vieram exigir direitos, falando ao coração de ministros, senadores e deputados.

Apesar de um século e meio de contato com a sociedade, envolvente, invasora, vivem conforme sua cultura e costumes. Mal conseguem se expressar em português. As mulheres praticamente só se comunicam em sua própria língua.

Terra é nossa luta

Vieram tratar de uma questão muito especial e preocupante: a demarcação e garantia de seu território. No dia 30 de setembro do ano passado, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal anulou a portaria 3.058 de 21/10/2009 do Ministério da Justiça. Definidos os limites da terra, foi iniciado o processo de demarcação física, conforme previsto no Decreto 1775/96. Porém, o trabalho foi paralisado por pressão dos interesses políticos e econômicos da região. A comunidade indígena ficou então em total insegurança, sem saber ao certo porque os organismos dos “Kupen” (não índios) estavam impedindo a demarcação de seu território tradicional. Decidiram então vir a Brasília para saber ao certo do que se tratava e conversar diretamente ao coração dos responsáveis, falando da necessidade da demarcação daquelas terras e narrando a história de massacres, invasões e violências a que os “Mehin” (indígenas) foram submetidos nessas últimas décadas.

“Não viemos com arco e flecha brigar pelos nossos direitos. Viemos armados com a memória do nosso sofrimento para levar ao coração dos ministros que decidem sobre nossas terras e nossas vidas. Queremos mostrar a eles nossos rostos de mulheres, crianças, anciãos e guerreiros. Pedimos a eles que façam justiça, reconheçam nossas terras, que precisamos para viver em paz, com alegria e a sabedoria do nosso povo”. Dessa forma, Elias Apanyekra externou o desejo de sua gente, que não quer ser destruída.

Visitas, falas e apoios

Os Apanyekra tiveram um dia diferente do que quando estão na mata, no roçado ou no rio, na aldeia. Enfrentaram as longas caminhadas dos corredores no emaranhado de gabinetes de parlamentares e ministros. Em quase todos os lugares foram recebidos com simpatia e com a promessa de apoio a seus direitos. Foram econômicos nas palavras, mas eficazes o suficiente para dar o seu recado. A simples presença nos corredores e gabinetes com seu jeito Timbira de ser propiciou várias manifestações de solidariedade e reconhecimento. “Esses são os primeiros brasileiros”. “É muito importante vocês estarem aqui”. “Contem com o nosso apoio às reivindicações”. “Tragam o registro de todos esses massacres do vosso povo para podermos ajudar melhor”.

Vários parlamentares pediram para tirar fotos para colocar no facebook. O deputado Tiririca, com seus cabelos brancos e jeito brincalhão, chamou a atenção no corredor do quinto andar do anexo IV.

Hoje estarão visitando senadores e mostrando seus rostos aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), marcando presença no plenário, mostrando que existem e que são atingidos por suas decisões.

“Viemos falar do nosso sofrimento. Fomos massacrados, invadidos e agora vemos com muita dor as nossas terras tradicionais sendo ocupadas pelos fazendeiros, com plantação de eucalipto e soja. Os caçadores entram em nossas terras e estão acabando com os animais. Mas quando vão demarcar nossa terra, vamos fazer festa. Os macacos bugios vão ficar alegres, podem também viver em paz”. Dessa forma, Manoel Apaneykrá externou sua confiança de verem suas terras demarcadas e livres de invasões.

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