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07 Agosto 2015

Por que o Papa Francisco volta com tanta insistência no assunto dos separados recasados? O fez novamente na quarta-feira, na sala Paulo VI no Vaticano, na retomada das audiências sobre a família em vista do Sínodo, frente a uma grande multidão atraída pelo Pontífice que cancelou as merecidas férias que os seus predecessores se concediam em agosto.

O texto é de Franco Garelli, publicado pelo jornal La Stampa, 06-08-2015. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto

Francisco repetiu um conceito que lhe agrada: deixar os separados recasados fora das portas da Igreja significa “perder” não somente eles, mas também os seus filhos. Quer dizer primeiramente juntar ou romper os pontos com uma cota da população sempre em crescimento, que embora venha marcada pelos ambientes eclesiásticos de viver de uma forma “irregular”, continua a pedir a Igreja de ser mãe e não madrasta.

Não é uma questão de pouca importância numa época onde as igrejas se esvaziam de fiéis, os índices de frequência nos rituais religiosos estão despencando em todos os lugares, e até os confessionários estão ficando com uma boa camada de mofo.

Francisco, como pastor universal, conhece bem os humores do seu rebanho, o “vai-e-vem” interno, as fugas de alguns como a vontade de ingresso (possivelmente da porta principal) de outros. Porque então a Igreja não escuta o pedido de “cidadania eclesiástica” por parte dos casais cujos membros apenas se desviaram cometendo um erro na vida; enquanto que depois da “irreversível falência” do seu “sim para sempre” em frente ao altar, iniciaram uma nova ligação que pretende viver à luz de uma comunidade de fé e em paz com o Senhor? E na verdade, lembra Francisco, que o Sacramento cristão não se anula. Mas o convite sincero é para que toda Igreja encontre formas melhores para não fazer ouvir essas pessoas como os fiéis da série B; mesmo através da possibilidade de se aproximar da comunhão, que é uma das questões decisivas sobre as quais o próximo Sínodo deverá se pronunciar.

Mas além das razões dos interessados diretos existem aqueles dos seus filhos. Aqui emerge novamente um Papa que conhece bem quanto o amadurecimento de uma aproximação de fé nos jovens depende das escolhas e da vivência com a família, além da sua inserção em grupos de fiéis.

A Igreja não pode pedir aos pais que eduquem seus filhos na fé cristão e ao mesmo tempo permitir que muitos casais “fiéis” vivam de fato às margens da comunidade cristã. Com a óbvia consequência para a Igreja de não ser capaz de estabelecer contato com os filhos desses casais; ou vice-versa com o risco que estes jovens tenham dificuldades de encontrar em seu caminho a novidade da mensagem cristã. Porque os filhos devem pagar as “culpas” (uma vez que faça sentido usar este termo) dos pais?

Papa Francisco, porém, parece atento às consequências sociais de alguns estigmas que circulam nos ambientes católicos. Visto que as situações familiares que a Igreja julga irregulares estão em considerável aumento, não existe o risco que os ambientes eclesiásticos devam se ocupar somente com os “virtuosos” da religião, prestando pouca atenção em uma ampla população colorida que viveu mais tortuosamente no passado? Resumindo: a Igreja deve ser clara sobre os destinatários da própria missão, acima de tudo numa época em que as estradas da vida não seguem mais a linearidade do passado.

E talvez exatamente a vontade de esclarecimento pode ter despertado Bergoglio a afirmar – pela primeira vez ontem – uma “verdade” sobre este tema que resulta óbvio para os homens da Igreja, enquanto não é totalmente evidente para os que não seguem com interesse os trabalhos eclesiais. O fato – como lembrou o Papa – que os divorciados recasados “não são de fato ‘excomungados’”, “nem são tratados como tal”.

A Igreja nunca se pronunciou sobre quantas pessoas estão nesta condição, quando ao invés mantém essa forte sanção para com os que fazem um aborto, a condição que seja consciente das consequências que vão de encontro. No caso dos divorciados recasados o erro parece devido ao fato de que a Igreja impediu sim que eles tenham acesso aos sacramentos, preclusão essa que evoca a ideia da falta de comunhão com a própria Igreja, que é o significado literal dado a palavra “excomungar”.

Em resumo: existe quem diga que Bergoglio não tenha introduzido nada de novo no tema dos divorciados recasados; mas outros sustentam que a sua missão seja a de favorecer a abertura de toda a Igreja sobre as questões éticas, por parte de um Papa particularmente atento aos princípios da sinodalidade e da colegialidade.

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