Financiada pelo tráfico, invasão denominada ‘Cidade das Luzes’ cresce e avança sobre a floresta

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22 Julho 2015

Um buraco gigante no meio de uma Área de Preservação Ambiental (APA) produzido com dinheiro do tráfico de drogas. Assim, a invasão “Cidade das Luzes”, situada entre o ramal da Anaconda e à margem direita do rio Tarumã-Açu, no Tarumã, na Zona Oeste, pode ser vista de cima.

A entrevista é de Kelly Melo, publicada pelo jornal A Crítica, 21-07-2015. 

Sem qualquer intervenção do poder público, a invasão “rasga” agressivamente floresta e continua a expansão e degradação do meio ambiente rumo ao principal curso de água da região.

Apesar de ser uma ocupação irregular, é possível ver que as ruas foram abertas por máquinas, mas ainda são de barro batido. Por baixo, além de uma placa como o nome da comunidade logo na entrada, observa-se que a Cidade das Luzes tenta se organizar, devido ao afastamento da cidade.

Logo, os comércios estão espalhados por todos os lados e os barracos continuam sendo construídos, sejam eles de resíduos de madeira ou alvenaria. 

De um lado, carros de material de construção entram e saem a todo momento. De outro, as condições de higiene também são precárias, uma vez que boa parte das casas são improvisadas, e na frente da comunidade, o lixo doméstico fica espalhado. No entanto, os moradores evitam falar sobre suas instalações, por medo de represálias.

É que a invasão também tem como líderes, criminosos perigosos que possuem ligações com facções criminosas. Um exemplo deles é o assaltante Sebastião Ribeiro Marinho Filho, o “Velho Sabá”, preso em abril deste ano, durante uma ação da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV), que apreendeu armas e drogas no local, além de encontrar o corpo de uma mulher que havia sido morta há três dias.

À época, o Velho Sabá foi apontado com integrante da liderança da comunidade e tido como um incentivador de invasões.

Polícia

O comandante da 20ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), Ítalo D’ávila, informou que mais de 500 famílias de baixa renda estão instaladas na invasão que começou há pouco mais de um ano. Segundo ele, as mazelas sociais na área são muitas, mas disse que a comunidade está pacíficada.

“Frequentemente nós fazemos visitas comunitárias e o patrulhamento ostensivo também acontece. Até porque muitas crianças estudam distante e a estrada que dá acesso à comunidade fica escura a noite”, explicou. Entretanto, o capitão confirma que, por ser uma área afastada, sempre há pessoas infiltradas na comunidade para “fazer o mal”.

Atualmente, um dos líderes comunitários da “Cidade das Luzes” é uma homem conhecido como “Paulinho”. A CRÍTICA procurou por ele, mas os moradores disseram que há dias ele não aparece na invasão.

Lei municipal

Os invasores contam com a consolidação da ocupação irregular construindo casas de alvenaria e fazendo ligações na rede de energia elétrica usando postes de concreto. Há, contudo, uma lei municipal que proíbe órgãos públicos de dotarem invasões de terra dos serviços estruturais e melhoramentos urbanos.

Ipaam

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas informou que uma equipe da gerência de Fiscalização esteve na invasão Cidade das Luzes no dia 12 de maio. O objetivo era recolher informações e registrar por meio de fotografias a questão da invasão e uma possível poluição do rio Tarumã. Ficou constatado que no local estão 500 família e que no igarapé conhecido como Anaconda ainda está preservada uma faixa de mata entre a invasão e a margem dele. Porém a possibilidade de ocorrer a poluição é inevitável dada a ocupação irregular e a expansão dela.
O órgão já indicou aos demais órgãos a quem compete a contensão da invasão. Somente após a retirada das famílias o Ipaam pode adotar procedimento padrão para a situação de degradação ambiental.

Semmas

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informa que, tão logo foi acionada para averiguar denúncia de ocupação irregular no ramal da Anaconda, esteve no local e constatou tratarem-se de áreas particulares, onde o órgão não tem atribuição legal para atuar, cabendo aos proprietários requisitarem na Justiça a reintegração na posse dos terrenos.

Vizinhos na pior

Moradores de comunidades vizinhas reclamam da área que é invadida, pois a “Cidade das Luzes” está crescendo do dia para a noite e como está se alastrando pela mata, eles também reclamam da fumaça, causada pela queima das árvores que estão sendo derrubadas. Uma das principais preocupações, para eles, é com a segurança, já que a invasão seria liderada também por criminosos.

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