Francisco, um papa que ama as mulheres. Entrevista com Lucetta Scaraffia

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09 Março 2015

Como muitos outros jornais, o jornal da Santa Sé, L'Osservatore Romano, a partir de 2012, também exibe um caderno feminino. A diferença, porém, é que, ao contrário da maioria dos outros jornais, esse suplemento não é dedicado à moda ou ao jet-set, mas aborda os grandes desafios e os problemas que interpelam as mulheres de hoje e, em particular, o seu papel na vida da Igreja. Intitula-se "Mulheres, Igreja, Mundo".

A reportagem é de Jesús Colina, publicada no sítio Aleteia, 06-03-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quem dirige esse caderno mensal é Lucetta Scaraffia (Turim, 1948), que também é historiadora e professora da Universidade La Sapienza de Roma. No fim dos anos 1980, Scaraffia, fascinada desde sempre pela figura de Santa Teresa d'Ávila, experimentou uma autêntica conversão ao cristianismo. Desde então, ocupa-se da história das mulheres e de história religiosa, e escreveu diversas obras sobre religiosidade feminina.

Durante o pontificado do Papa Francisco, Scaraffia tornou-se uma das vozes jornalísticas mais ouvidas e interessadas no papel das mulheres na Igreja. Nesta entrevista, ela explica bem o porquê.

Eis a entrevista.

Você conheceu o Papa Francisco e aprofundou o seu pensamento. Qual é a visão da mulher por parte desse papa?

O Papa Francisco tem uma visão ao mesmo tempo concreta e profunda do problema. Concreta porque ele entende bem e também disse isso várias vezes na sua linguagem muito clara, que hoje uma Igreja em que as mulheres não são vistas ou desempenham apenas trabalhos subordinados – embora constituindo mais da metade dos religiosos e dos devotos – desperta um olhar crítico e desconfiado do lado de fora. Principalmente não atrai conversões e vocações femininas nos países avançados, que, no mundo laico, ao contrário, encontram paridade e respeito. Profunda, porque ele disse, também isso muitas vezes, que é preciso aprofundar a teologia da mulher.

O Papa Francisco, de fato, não quer uma simples adequação da Igreja ao mundo moderno, mas uma profunda reflexão interna, uma "conversão" que parta das origens e retome o fio interrompido do papel extraordinário que Jesus atribuiu às mulheres. O cristianismo deve se reapropriar da sua especificidade, que é a de ter estabelecido, pela primeira vez na história, uma igualdade entre mulheres e homens.

O papa está levando adiante uma verdadeira renovação na Igreja. Essa renovação vai ter um impacto também sobre o papel das mulheres na vida eclesial?

Esperamos que sim, embora não será fácil, porque está encontrando muitos obstáculos. Em relação às mulheres, além disso, quase todos concordam em adiar por tempo indeterminado – mas distante – uma revisão do seu papel. Mas já se sente, no entanto, a necessidade de dar a palavra a pelo menos uma mulher nas reuniões, e sempre está presente ao menos uma mulher nas comissões que o papa nomeia.

Depois, há uma certa atividade cultural – livros e congressos – dedicada às mulheres, algo totalmente novo. Mas daí a passar para inovações mais concretas ainda há muito caminho a percorrer. Acima de tudo, seria importante que fossem ouvidas as vozes femininas: as mulheres têm muitas coisas a dizer, importantes e muitas vezes novas, sobre as questões que a Igreja está enfrentando.

Você dirige um caderno feminino do jornal do papa. Você já recebeu alguma indicação do Santo Padre? Algum conselho?

Não, movemo-nos em total liberdade. Obviamente, tentamos responder aos seus pedidos: ao longo de 2014, por exemplo, dedicamos uma grande página à teologia da mulher, confiada a teólogas/os de todas as partes do mundo, e essa série se concluiu com uma mesa redonda com altos expoentes da teologia. Todo esse material foi coletado em um livro que está prestes a ser publicado e que quer contribuir para abordar o problema que o papa assinalou.

Para 2015, a página teológica é dedicada à família, a pedido do Sínodo. Certamente, na escolha dos temas e das interlocutoras, buscamos seguir as linhas de interesse indicadas pelo papa: recentemente, dedicamos um número à pobreza das mulheres, por exemplo. E, naturalmente, tentamos manter o fôlego mundial do nosso olhar, ajudadas também pelo fato de que se está ampliando o círculo os nossos leitores/as, que nos escrevem e nos propõem artigos e temas de reflexão.

Qual é a sua experiência como escritora, jornalista, mulher nessa experiência eclesial que está vivendo?

Trata-se de uma experiência muito bonita: quando se trabalha na Igreja, tudo adquire uma dimensão mais ampla no espaço – o mundo – e mais longa no tempo, os 2.000 anos de vida do cristianismo. Então, cada questão que abordamos adquire densidade e amplitude, torna-se mais interessante e mais importante. Ocupar-se das mulheres, além disso, significa descobrir um mundo submerso, o das mulheres na vida da Igreja, de riqueza extraordinária e rico de uma profunda espiritualidade. É como encontrar um tesouro escondido, dar voz a quem não a tem e enriquecer, assim, a vida da Igreja. Não consigo imaginar nada de mais belo...

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