Cardeais ouvem plano para as reformas vaticanas do Papa Francisco

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13 Fevereiro 2015

Como parte de um amplo programa de reformas do Papa Francisco, Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, anunciou nesta quinta-feira que os assessores que compõem o Conselho dos Cardeais levantaram a ideia de se criar dois superdepartamentos no Vaticano – um para a caridade, justiça e paz, e outro para os leigos e a família.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 12-02-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Estes dois novos organismos absorveriam as funções de, pelo menos, seis atuais departamentos (ou dicastérios). A ideia é comunicar que, em termos das estruturas do Vaticano, estes dois setores merecem a mesma atenção tradicionalmente dirigida aos sacerdotes e bispos.

O porta-voz lembrou, no entanto, que é pouco provável que estes sejam liderados por um leigo em vez de um cardeal.

As possíveis mudanças foram discutidas nesta quinta-feira pelos cardeais reunidos em Roma em preparação para o consistório, cerimônia a acontecer neste sábado em que Francisco vai criar até 20 novos Príncipes da Igreja.

Durante uma coletiva de imprensa, o porta-voz disse que o objetivo da reforma é garantir uma forma mais eficiente de serviço por parte do Vaticano, tanto para a Igreja universal quanto para as conferências episcopais ao redor do mundo.

Federico Lombardi reconheceu que ainda não se sabe se a reforma proposta irá funcionar. “Se as reformas vão levar a um serviço mais eficaz e menos centralizado é algo que só o tempo e a história irão nos dizer”, falou.

Lombardi também lembrou que haverá um período de experiências até que decisões finais sejam tomadas, dizendo que alguns departamentos da Cúria Romana, principal burocracia administrativa do Vaticano, poderão ser fundidos ou reorganizados.

“Há um longo caminho a percorrermos”, disse o porta-voz.

As dificuldades a serem enfrentadas podem não ser só de ordem logística, mas também política. Durante o debate na manhã de hoje, por exemplo, o cardeal alemão Gerhard Müller, czar doutrinal do Vaticano, insistiu que nenhum plano de reforma pode envolver a transferência da autoridade doutrinária às conferências dos bispos locais, tirando-a do Vaticano e do papado.

O bispo italiano Marcello Semeraro, secretário do Conselho dos Cardeais que assessora o papa, informou aos demais cardeais sobre o trabalho realizado até agora em vista das reformas.

Semeraro falou sobre o processo realizado no papado de João Paulo II de preparação da atual Constituição vaticana, a Pastor Bonus. Um primeiro grupo de cardeais produziu um rascunho, o qual foi então discutido pelas conferências episcopais. Em seguida, as sugestões foram analisadas e incorporadas num segundo documento, escrito pelos cardeais e especialistas em Direito Canônico.

Se alguns resultados específicos durante o curso do atual processo se tornarem visíveis e se ações pontuais forem feitas, disse Lombardi, serão somente em nível experimental e poderão, eventualmente, ser modificados antes que se dê como uma reforma finalizada.

Ao longo de sua apresentação, chamada de intervenção, Semeraro traçou um perfil teológico das duas propostas que foram consideradas pelo Conselho dos Cardeais: da Congregação para Leigos, Família e Vida, e da Congregação para Caridade, Justiça e Paz.

Estas duas congregações unificariam uma série de conselhos pontifícios que atualmente lidam com tais questões e poderão, também, incluir outras organizações.

“Existe aí uma ideia”, disse Lombardi, “[e] uma visão eclesiológica e teológica”.

A Congregação da Caridade irá também incluir um novo setor relacionado ao meio ambiente e à salvaguarda da criação a partir de um ponto de vista humano, ou seja, o impacto que o meio ambiente – e suas mudanças – têm sobre as pessoas.

Lombardi igualmente afirmou que não acha que um leigo, ou leiga, irá liderar alguma destas duas novas congregações em lugar de um cardeal, como a atual Constituição estipula.

“Elas serão organismos da Cúria Romana e, como tal, exigem certas competências específicas”, complementou.
Antes da intervenção de Semararo sobre o processo de reforma, o Papa Francisco pediu que os cardeais cooperassem com as reformas da burocracia vaticana, dizendo que uma maior harmonia e colaboração na “transparência absoluta” ajudaria a Igreja a espalhar a fé e a realizar sua missão no mundo.

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