Morre o bispo “clandestino” de Xangai

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Por: André | 19 Março 2014

O jesuíta Joseph Fan Zhongliang (foto), bispo de Xangai não reconhecido oficialmente, morreu nessa cidade aos 97 anos, após passar 14 anos em prisão domiciliar, informa nesta terça-feira o portal católico Chinacath.org, não vinculado à oficial Associação Católica Patriótica da China.

 
Fonte: http://bit.ly/1gyPft6  

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 18-03-2014. A tradução é de André Langer.

A morte de Fan acontece 11 meses depois da do bispo oficial da capital econômica da China, Aloysius Jin Luxian, que morreu aos 96 anos em abril passado, após uma vida em que passou 17 anos na prisão por opor-se à associação eclesiástica oficial chinesa, que mais tarde chegou a presidir.

 O falecimento de ambos coloca a diocese de Xangai, uma das mais importantes e opulentas do país comunista, diante de uma pressão maior para encontrar um novo bispo, já que a sucessão não se resolveu desde abril passado.

Como sucessor oficial de Jin foi nomeado o até então bispo auxiliar Thaddeus Ma Daqin, que foi eleito de comum acordo entre Pequim e o Vaticano, com a mediação exatamente de Jin e Fan.

No entanto, durante a sua própria cerimônia de ordenação, em julho de 2012, Ma Daqin rompeu publicamente com a Associação Católica Patriótica Chinesa, razão pela qual Pequim retirou-lhe o cargo em dezembro daquele ano, desde quando não voltou a aparecer em público e sua sede diocesana está vacante.

Acredita-se que Ma Daqin esteja preso desde então no seminário católico de Shesham, nos arredores de Xangai.

Segundo o portal católico chinês, Fan morreu no domingo em seu apartamento, em companhia de vários sacerdotes.

Fan foi designado pelo Papa João Paulo II como bispo de Xangai, em 2000, embora não fosse reconhecido pela igreja oficial chinesa, que depende do Partido Comunista da China (PCCh), que, por sua vez, controla a República Popular desde a sua fundação, em 1949. Por esta razão, desde a sua nomeação esteve submetido ao regime de prisão domiciliar.

Jin era o bispo oficial desde 1988, e embora não tenha contado com a aprovação do Vaticano, conseguiu que o Papa o reconhecesse ao menos como sacerdote em 2004.

Em 2005, Jin e Fan conseguiram, finalmente, um acordo entre Pequim e o Vaticano para a consagração, na catedral de Xangai de Santo Inácio, de um novo bispo auxiliar para Jin, Joseph Xing Wenzhi, nomeado pela primeira vez de mútuo acordo por ambas as partes.

Fan nasceu em 1918 na província oriental chinesa de Jiangsu, foi batizado como católico em 1932 e ordenado jesuíta em 1951, dois anos depois da fundação da República Popular comunista, e justo quando o país rompeu seus laços diplomáticos com o Vaticano.

Finalmente, Fan foi preso em 1955, acusado de crimes contra a revolução, e passou 20 anos na prisão e em um campo de reeducação pelo trabalho na província ocidental de Qinghai.

Após cumprir sua sentença, foi professor, até que em 1985 foi-lhe permitido voltar a Xangai.

A China e o Vaticano cortaram relações diplomáticas em 1951, quando Roma anunciou que reconhecia apenas como governo chinês legítimo o da República da China nacionalista de Chiang Kai-shek, que se refugiou em Taiwan após perder a guerra civil chinesa para os comunistas em 1949.

Desta maneira, embora suas relações tenham se suavizado nos últimos anos, e dados vários casos de nomeações na hierarquia católica chinesa de mútuo acordo, na prática persiste a discordância entre ambas as partes e os postos com frequência se duplicam entre sacerdotes oficiais e leais ao Vaticano.

A China tem entre oito e 12 milhões de católicos, acredita-se que cerca da metade fora da igreja oficial.

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