Narcotráfico e os bandos violentos disputam controle do território na América Central

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13 Outubro 2011

A América Central e o Caribe têm um índice de homicídios de 33,3 por 100 mil habitantes. Na Europa esse número é de 3,5. Na América Central, um em cada 50 homens maiores de 20 anos morrerá antes de alcançar os 31 anos. Esses são alguns dos dados obtidos no primeiro Estudo Global sobre o Homicídio apresentado na última quinta-feira (6) pelo Escritório da ONU contra a Droga e o Crime. As cifras de mortos superam as registradas durante as guerras civis que assolaram a região nos anos 1980.

A reportagem é de do jornal El País e reproduzida pelo portal Uol, 13-10-2011.

A região, explica o relatório, está "perto de um ponto de crise". Ali se estabeleceram os cartéis do narcotráfico combatidos na Colômbia e no México. As "maras", os temidos bandos juvenis, agem sem controle. A criminalidade pesa nas economias regionais: segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, os países centro-americanos assumem perdas de US$ 6,5 bilhões por causa da violência, quase 8% de seu Produto Interno Bruto. Em junho os vizinhos centro-americanos apresentaram uma estratégia conjunta de segurança que obteve o apoio de 60 países e compromissos de ajuda econômica no valor de US$ 2 bilhões.

"El País" colocou o foco em quatro dessas nações.

EL SALVADOR

Tantos homicídios quantos na guerra civil

Doze pessoas, em sua maioria jovens, são assassinadas diariamente em El Salvador, em uma vertigem de violência desenfreada que quase iguala a registrada na guerra civil (19809-1992). Segundo números oficiais, nos últimos 19 anos foram cometidos 74 mil homicídios. Durante os 12 anos do conflito armado houve 75 mil mortos.

El Salvador tem um índice de 69 homicídios por 100 mil habitantes, sete vezes o que a Organização Mundial da Saúde reconhece como epidemia.

Os bandos criminosos ou "maras" controlam territórios que o Estado lhes disputa palmo a palmo, com unidades do exército e da polícia. E têm cada vez mais ligações com os cartéis do narcotráfico. O sequestro reapareceu. Os desaparecimentos também são frequentes, como o assassinato diante do não pagamento de "rendas ou impostos" - extorsões - que as maras impõem a pequenas empresas e a ônibus públicos, ou os ajustes de contas e a eliminação de testemunhas em julgamentos contra membros dos bandos.

Desde 2006 até hoje foram encontrados 513 cadáveres em cemitérios clandestinos, especialmente nos municípios vizinhos à capital, San Salvador, verdadeiras zonas da nova guerra. "Noventa e cinco por cento dos corpos são de menores de 17 anos e 85% pertencem a mulheres", explica Israel Ticas, o único criminalista forense, conhecido como "o desenterrador de mortos".

El Salvador gasta cerca de 10,8% de seu PIB em segurança, mais de US$ 2,1 bilhões anuais, indica um relatório da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). As empresas estabelecidas em El Salvador destinam 7,7% de seu orçamento à proteção. Há 21.140 seguranças privados. A polícia beira os 16 mil membros, e o exército também tem um número parecido.

GUATEMALA

A morte na porta de casa

Com uma média de 16 ou 17 assassinatos diários, a insegurança é a principal preocupação dos guatemaltecos. A fragilidade do Estado favorece tanto a consolidação das maras como o assentamento das cúpulas do narcotráfico mexicano e colombiano.

"O Estado carece de políticas e instituições adequadas", diz Lorena Escobar, especialista em segurança da Associação de Pesquisa e Estudos Sociais. Isto transforma a Guatemala em uma excelente "estação de serviço" para o narcotráfico. A falta de controles permite que este país dê a essas máfias uma infraestrutura impecável para o tráfico de drogas e armas e lavagem de dinheiro. Estar a meio caminho entre os países produtores do Cone Sul e o grande mercado americano transforma a Guatemala e a região em passagem obrigatória para os carregamentos de cocaína.

A resposta, salienta Escobar, "tem de ser regional, como é multinacional a agressão das máfias de narcotraficantes". Não é uma tarefa fácil. O coronel Mario Mérida, ex-chefe da Inteligência Militar, indica a fragilidade institucional centro-americana e a necessidade de profissionalizar os quadros que vão combater essas máfias, sem perder de vista a tremenda assimetria que existe entre esses países pobres e a riqueza do crime organizado.

Um aspecto pouco conhecido, mas não por isso menos dramático, é o custo social da violência. Os tratamentos com vítimas da violência consomem 60% do orçamento hospitalar.

NICARÁGUA

A realidade empana o discurso oficial

Os recentes assassinatos de um estudante de engenharia e um padre consternaram a Nicarágua, cuja população questiona o lema que as autoridades repetem como uma litania: que este país é o mais seguro da América Central.

As estatísticas oficiais mostram um aumento alarmante da violência. Os crimes contra as pessoas (roubos com intimidação, violações e homicídios) somaram 68.447 casos em 2010, triplicando a cifra registrada em 2000 (26.645 crimes). O índice de homicídios (785 no ano passado) é de 13 por 100 mil habitantes. Um número baixo em comparação com os vizinhos, mas que não deixa de alarmar. O assassinato de Evans Omar Ponce, um estudante apunhalado por menores em plena zona comercial de Manágua por se negar a entregar seu celular, mobilizou a comunidade universitária, que exige que o Código da Infância e Adolescência seja endurecido.

Os assaltos e sequestros concentram as conversas. "A violência geral é elevada. Os roubos com intimidação aumentaram", diz Roberto Orozco, do Instituto de Estudos Estratégicos. Na Nicarágua há 385 mil armas nas ruas.

COSTA RICA

Um oásis cercado pela violência

O medo dos crimes aflige o país menos problemático da América Central, que se vende como "o mais feliz do mundo". Seu índice de homicídios é de 11 por 100 mil habitantes, um oitavo do de Honduras e um sexto do salvadorenho, mas o temor tampouco é infundado. Há dez anos a quantidade de assassinatos era um terço do que é hoje. Os veículos são blindados e as lojas se enchem de câmeras e guardas armados.

A percepção é de que tudo vem de fora das fronteiras. "A mudança foi brutal. Vivemos no meio da região mais violenta do mundo, em sociedades pós-conflito cheias de gente treinada no manejo de armas. A Costa Rica está no meio de uma mistura explosiva", explica Mario Zamora, ministro da Segurança. Zamora confia na qualidade institucional da Costa Rica. "Somos o país da América Latina com mais juízes per capita e com corpos policiais que se controlam entre si." Esse otimismo não impede que o ministro reconheça "riscos" como a penetração do narcotráfico nas instituições. Além disso, o país é mais que um corredor para a droga. "Aqui há um mercado com capacidade de pagamento. Já somos um destino final."

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