“A Epidemiologia precisa de humildade epistêmica e compaixão radical”

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25 Novembro 2021

 

A ciência é falha. É um caminho que vai e volta, passos à frente, passos atrás. E não há nada de errado com a imprecisão, é necessário assumir as limitações do conhecimento humano. A “falsa certeza” é um dos desafios para a Epidemiologia, segundo Sandro Galea, professor e reitor da Boston University School of Public Health (EUA) que apresentou a conferência Refletindo sobre a epidemiologia para um mundo pós-Covid-19, no EPI 2021, em 23 de novembro.

 

A reportagem é publicada por Associação Brasileira de Saúde Coletiva - ABRASCO, 24-11-2021.

 

“A Covid-19 assume caminhos que não conseguimos prever, e devemos ser humildes para enfrentar as limitações. As modelagens epidemiológicas, por exemplo, são úteis, desde que considerem as incertezas das premissas. Não podemos apresentar dados com essa certeza, que supera o que realmente sabíamos”, afirmou o epidemiologista. Outras falha destacadas, na construção cotidiana da ciência, é o não reconhecimento da contradição – as evidências científicas não são lineares, muitas vezes um achado contradiz o achado anterior – e a intolerância com a discordância, já que é necessário dar espaço para a pluralidade de vozes.

“Para avançar, devemos ser honestos e transparentes sobre os passos à frente e passos atrás da ciência. No caso do uso de máscaras, por exemplo, inicialmente dizíamos que não tinha um papel muito importante na prevenção do novo coronavírus, e depois percebemos que sim, que reduz a carga viral. Em vez de falar claramente sobre a certeza e incerteza, tentamos deletar o passado para garantir a da saúde pública. Também houve intolerância à discordância no caso do isolamento social – os cientistas tentam impor uma outra percepção, sem respeitar que há elementos diferentes”, pontuou o pesquisador.

Galea finalizou afirmando que, para uma Epidemiologia a serviço da sociedade, é preciso humildade epistêmica – reconhecer o quê se sabe e o quê não se sabe; compaixão radical, ao entender que a maioria da população não acessa os mesmos direitos que os cientistas – à moradia, alimentação, à saúde -, e pautar a produção científica nesta consciência ; e um esforço para reformar o mundo através da razão, a fim de que “os dados permitam aspirar uma visão radical de um mundo no qual somos mais saudáveis e podemos diminuir as ameaças de vírus como o da Covid-19”.

 

A conferência foi presidida por Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

 

Assista na íntegra

 

 

 

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