Assembleia Regional Norte 1: Ousadia para inculturar a fé e a espiritualidade

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21 Setembro 2021

 

A pandemia da Covid-19 marcou a vida da Igreja desde há um ano e meio, também no Regional Norte 1. Depois de perder muita gente, homenageada em uma celebração neste primeiro dia, aos poucos, as atividades estão sendo retomadas, nas comunidades, nas paróquias, nas dioceses e prelazias, também no Regional Norte 1, que nesta segunda-feira, 20 de setembro, começou sua 48ª Assembleia.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

O tema da assembleia, que será encerrada na quarta-feira, com a presença dos bispos, também alguns bispos eméritos, e representantes das 9 igrejas particulares, é “Construindo Novos Caminhos”. Após dois anos sem assembleia, o Regional Norte 1 quer construir esses novos caminhos para a Igreja da Amazônia desde o Magistério do Papa Francisco, especialmente a Querida Amazônia, surgida do Sínodo para a Amazônia, um momento de grande importância para o Regional Norte 1, da encíclica Fratelli tutti e das Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Esses documentos fizeram parte das palavras de acolhida do presidente do Regional Norte 1, Dom Edson Damian. O bispo de São Gabriel da Cachoeira ressaltou a importância dos documentos do Papa Francisco na vida da Igreja do Regional. No relatório das atividades, realizado pelo secretário executivo do Regional Norte 1, o diácono Francisco Lima, foi mostrada a vida da Igreja, marcada pela pandemia, destacando as muitas ações de solidariedade que as igrejas do Regional têm realizado neste tempo.

 

Foto: Luis Miguel Modino

 

Tudo isso é consequência da atual conjuntura social e eclesial, analisada por Dom Leonardo Steiner. O arcebispo de Manaus constatou que na sociedade se vive uma ideologia fechada, e na Igreja, a fé hoje em vários ambientes, se tornou ideologia. Ele relatou situações hoje presentes na sociedade, notícias falsas, agressão nas palavras e nos gestos, agressão às instituições, desrespeito à Constituição, linguagem de baixo calão, gestos de descivilizados, modos de exercer o poder que pretendem se sustentar na violência.

Dom Leonardo denunciou que “o governo federal governa de costas para os pobres, ataca os povos indígenas”, e junto com isso a condução da pandemia no país, que tem provocado “o momento mais dramático dos últimos tempos na história do Brasil”, mostrando seu assombro diante do fato de que pouca gente se revolta diante dessa situação. Brasil é um país onde os evangélicos e as milícias chegaram ao Planalto, onde os meios de comunicação dão cobertura ao modo de desgoverno.

 

Foto: Luis Miguel Modino

 

O arcebispo refletiu sobre a política, cada vez mais fragilizada, sobre o meio ambiente, vítima de ataques violentos e do desmonte das instituições responsáveis pelo meio ambiente, sobre a desestruturação da sociedade como um todo, sobre o desmonte do Estado. Dom Leonardo denunciou que estamos diante da crise da ética, sendo imposta a economia como aquilo que determina a sociedade, fazendo com que “neste momento, tudo se torna uma questão de produção e de consumo”.

Ao falar sobre a conjuntura eclesial, Dom Leonardo destacou a maior “consciência de uma Igreja em saída, uma Igreja encontro, uma Igreja esperança”. Ao mesmo tempo, fez ver que “o papa é contestado, o bispo é contestado, a liturgia é contestada, a eclesialidade é contestada”. Junto com isso, o fato de que “estamos ausentes nas periferias, nas comunidades ribeirinhas; a nossa Igreja poderia ser mais inculturada na sua espiritualidade e na sua liturgia”.

 

Foto: Luis Miguel Modino

 

Também questionava a participação da igreja na política, de refletir sobre “a importância da política dentro de uma sociedade apolítica”, a participação nos meios de comunicação, a falta de conhecimento da doutrina social da Igreja. Nesse ponto se referia a Fratelli tutti como grande instrumento para entender uma política voltada para o bem comum.

Segundo o arcebispo, a proposta de uma Igreja sinodal, ainda que com dificuldades, caminha, insistindo na necessidade de “receber uma maior participação dos leigos”, de descobrir as expressões profundas de religiosidade nas comunidades indígenas, de avançar numa Igreja mais amazônica, algo que “exigirá ousadia para podermos realmente inculturar a fé, inculturar a espiritualidade”.

 

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