Os ciganos que o Papa não viu em Košice

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15 Setembro 2021

 

O Papa Francisco fez um apelo contra a discriminação no bairro cigano de Lunik IX, na cidade eslovaca de Košice, e considerado um verdadeiro gueto no coração da Europa, mas na realidade não viu seus habitantes, já que somente uma pequena representação pôde se sentar nas primeiras filas, enquanto o resto encontrava-se distante, rodeado de valas e vários fechados em seus próprios edifícios.

A reportagem é de Cristina Cabrejas, publicada por Religión Digital, 15-09-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O porta-voz da cidade de Košice, Vladimir Fabian, explicou que se deu a possibilidade aos residentes de se inscreverem para estar entre o público, mas muitos não o fizeram e por razões de segurança lhes foi dito para que permanecessem em seus edifícios, ainda que lhes tenha sido permitido um corredor para se deslocar pelas zonas próximas.

Centenas de ciganos, vindos de outros assentamentos do país, puderam assistir ao ato por trás da esplanada onde ajudantes, voluntários e membros dos salesianos e religiosas ocupavam as primeiras filas.

Participaram com alegria nos coros e danças da tradição romana centro-europeia que se escutaram e rezaram com devoção, já que muitos eram católicos, enquanto se esperava pelo papa.

 

Um bairro limpado para a ocasião

 

O padre Marian Deahos, um salesiano que trabalha com os ciganos em outro bairro, explicou que geralmente para a comunidade cigana o sacerdote que está com eles é importante e o Papa “pouco se importa com eles”. Do carro, Francisco pôde ver um bairro que foi limpo nos últimos dias. As ruas foram limpas do lixo acumulado e as vias de acesso foram arrumadas, assim como foram pintados murais nos prédios com desenhos que algumas crianças fizeram graças a vários projetos.

Fora do centro dos Salesianos, um oásis verde entre os altos blocos de concreto, foi instalada uma caixa onde o Papa em seu discurso os assegurou: “Vocês na Igreja não estão à margem. Vocês estão no coração da Igreja”.

Nesta considerada o maior gueto de ciganos da Europa, onde vivem no meio do lixo, sem água encanada e sem luz, Francisco insistia: “Que ninguém vos abandone, vocês ou qualquer outra pessoa, fora da Igreja!”.

De acordo com dados da União Europeia, 25% das crianças ciganas na Eslováquia frequentam turmas em que todos os seus colegas pertencem a esse grupo étnico, em comparação com 15% da média nos nove países da União Europeia onde vivem comunidades ciganas. A Comissão Europeia abriu um processo de infração por este motivo.

 

Casas cercadas, cordão policial

 

Quem Francisco ouviu um casal cigano que conseguiu integrar e deixar Lunik IX, Nikola e René Harakaly, que compareceu ao papa com seus dois filhos, Filip e Simon.

“Caro Santo Padre, meu marido e eu crescemos neste bairro, jogávamos jogos e estudávamos aqui. Crescer neste bairro é difícil”, explicou a mulher a Francisco, que agradeceu à Igreja por ajudá-los a estudar e a procurar emprego.

“Santo Padre, nossos pais, irmãos e amigos continuam morando neste bairro. Esperamos que sua visita traga uma nova esperança e paixão pela transformação interna”, desejaram.

Enquanto isso, as crianças brincavam perto de suas casas cercadas, ignorando a chegada do pontífice, vigiados por um importante cordão policial.

 

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