Famílias cristãs no Afeganistão apelam ao Papa Francisco para fugir da perseguição

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20 Agosto 2021

 

Alì Ehsani, 31 anos, sabe o que pode ser a vida de um cristão sob o regime do Talibã. Nascido em Cabul, em 1989, ele e seu irmão fugiram quando tinham 8 anos, depois do assassinato de seus pais por extremistas islâmicos.

“Eu sei o quão difícil é ser cristão nesse país”, falou Ehsani ao Religion News Service, na segunda-feira, 16-08. “Eu vivi o horror, o terror desse Talibã”. Ehsani detalhou isso em dois livros, que escreveu em Roma, “Tonight We Watch the Stars” (“Hoje à noite observamos as estrelas”, em tradução livre) e “The Kids Have Big Dreams” (“As crianças tem grandes sonhos”, em tradução livre). Em 2015, ele formou-se em Direito em uma universidade em Roma.

Desde então, ele tem se comprometido a ajudar seus colegas cristãos no Afeganistão, incluindo uma família católica que está sendo perseguida depois que o Talibã assumiu o controle do país. A urgência aumentou cem vezes depois que a retirada dos EUA nas últimas semanas cedeu o país ao Talibã.

A reportagem é de Claire Giangravé, publicada por Religion News Service e America, 18-08-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Embora os novos governantes do Afeganistão tenham prometido não derramar sangue, alguns moradores temem que o regime islâmico leve a perseguições e violência, retrocedendo 20 anos em termos de liberdade e democracia.

Ehsani entrou em contato com a família cristã no Afeganistão por meio de um afegão que também estudava em Roma. Os dois eram amigos há algum tempo quando Ehsani fez o sinal-da-cruz antes da refeição, e eles aprenderam que compartilhavam da fé cristã.

Os cidadãos afegãos não têm permissão legal para se converter ao cristianismo e há poucos dados sobre o número de cristãos que vivem no país. De acordo com o Relatório de Liberdade Religiosa dos EUA, publicado em 2009, existem entre mil e 8 mil cristãos praticando secretamente sua fé no país. Existe apenas uma igreja cristã oficialmente reconhecida no Afeganistão, a capela católica dentro da embaixada italiana.

Graças a seu amigo, Ehsani começou a se comunicar via WhatsApp com a família cristã no Afeganistão há seis meses, conforme as preocupações com o destino do país começaram a crescer. A família deseja permanecer anônima para evitar ser encontrada.

No início, a família era protegida, explicou Ehsani, mas há cerca de três meses eles revelaram cautelosamente que procuravam orientação espiritual do Papa Francisco. Foi quando Ehsani entendeu que eles são católicos.

Como eles não puderam assistir à missa no Afeganistão, Ehsani começou a transmitir ao vivo os serviços em Roma para eles assistirem de Cabul. “Seus vizinhos os descobriram um dia”, disse Ehsani ao Religion News Service por telefone na segunda-feira (16 de agosto), “então eles os delataram há duas semanas”.

Como resultado, o pai da família foi preso há seis dias, disse Ehsani, enquanto o resto da família foi forçado a fugir. “Eles ainda não sabem onde ele está”, disse ele.

A família disse a Ehsani que “o Talibã está indo de porta em porta” perguntando se algum cristão mora lá ou naquela comunidade. Ehsani não conseguiu dormir desde que ouviu a notícia. “Estou sempre orando por eles”, disse ele.

Ele está tentando ajudar a família por vias humanitárias, na esperança de que possam ser incluídos nos esforços do governo italiano para evacuar cidadãos italianos e aliados locais, em meio a um esforço global para receber refugiados afegãos.

Ehsani também está tentando entregar uma carta para Francisco, na qual a família apela ao papa e à comunidade internacional para ajudá-los a deixar o país.

“São dias de terror e a ideia de cair nas mãos de soldados me apavora e me causa ansiedade”, dizia o apelo, compartilhado com a RNS.

“Se algum dia eles me capturassem ou outros membros da minha família, eu preferiria morrer”, escreveu a família. “Nós nos escondemos na esperança de ser encontrados o mais tarde possível. Mas não sabemos por quanto tempo seremos capazes de nos proteger desta forma”.

Com o Talibã indo de casa em casa à procura de mulheres solteiras, a carta dizia que implorava “para nos salvar desta situação, que está colocando em perigo a mim e a muitas outras famílias, especialmente meninas cristãs”.

Francisco fez um apelo ao Afeganistão no domingo, horas antes de o Talibã invadir Cabul. “Eu me associo à preocupação unânime pela situação no Afeganistão. Peço a todos vocês que rezem comigo ao Deus da paz, para que cesse o clamor das armas e as soluções possam ser encontradas na mesa de diálogo”, disse ele aos fiéis após a oração semanal do Angelus.

Enquanto isso, a filial italiana da rede católica de ajuda Caritas, que está ativa no Afeganistão desde o início dos anos 90, anunciou em um comunicado de imprensa no domingo que a situação atual “levará à suspensão de todas as atividades”.

“Crescem os temores sobre a possibilidade de manter uma presença ainda no futuro, bem como pela segurança dos poucos afegãos de fé cristã”, diz o comunicado, acrescentando que missionários católicos e padres também estão deixando o país. A Caritas Itália disse que continuará ajudando os cidadãos afegãos, especialmente crianças, do Paquistão.

“Não entendo por que o Ocidente deixou o Afeganistão dessa forma”, disse Ehsani, “após 20 anos de sacrifícios, de democracia”.

Mas Ehsani não quer entrar na política: “Eu só quero salvar esta família cristã e possivelmente outras”, disse ele, acrescentando que para alguns pode ser apenas “uma questão de dias” antes de serem descobertos ou pior.

 

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