EUA. Quatro dioceses de Nova York vão à falência depois de receber milhares de novas denúncias de abusos

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17 Agosto 2021

 

Se McCarrick pôde ser julgado por abusos é graças a uma lei do estado de Nova York que, durante dois anos, permitiu às vítimas de pedofilia denunciar sem levar em conta o limite de prescrição. O prazo, que finalizou no último sábado, deixou mais de 9 mil denúncias, indenizações milionárias e pelo menos quatro dioceses à beira da falência.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 16-08-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Quatro das dioceses católicas do estado se declararam em falência, em parte como resultado dos litígios desencadeados pela Lei Estadual de Vítimas Infantis. Milhares de novas acusações contra padres, professores, líderes dos escoteiros e outras autoridades intensificaram a luz sobre as instituições encarregadas de cuidar das crianças.

E os sobreviventes de abusos encontraram uma saída para seu trauma e uma oportunidade de prestar contas que antes se acreditava perdida. “Ironicamente, isso foi uma experiência muito curativa para mim a nível pessoal”, disse Carol DuPre, de 74 anos, que demandou à diocese católica romana de Rochester, dizendo que foi abusada por um padre quando era adolescente no início da década de 1960, enquanto contava as oferendas e copiava os boletins depois dos serviços religiosos.

Guardou os fatos “em um armazém de sua mente”, porém a perseguiram durante décadas. Quando chegou a oportunidade de apresentar uma demanda, foi uma decisão fácil. “A ideia de falar e enfrentar isso me liberta internamente”.

Nova York é um dos estados que nos últimos anos estabeleceu possibilidades de demandar judicialmente por abusos na infância, sem importar o tempo dos mesmos. Várias possibilidades semelhantes foram abertas em Nova Jersey e Califórnia.

Normalmente, os tribunais estabelecem prazos para as demandas devido à dificuldade de celebrar um julgamento justo sobre incidentes ocorridos há muitos anos. Testemunhas morrem ou se mudam. Os registros são perdidos. As memórias desaparecem, mas os legisladores acreditam que, apesar desses obstáculos, as vítimas merecem uma chance de justiça e agora podem se sentir encorajadas a falar sobre coisas que mantiveram em segredo por muitos anos.

O prazo de um ano de Nova York deveria terminar em 14 de agosto de 2020, mas foi prorrogado duas vezes em meio a preocupações de que a pandemia do coronavírus e subsequentes interrupções judiciais impediriam os sobreviventes de se apresentarem.

O tsunami de litígios surpreendeu até mesmo alguns dos advogados que trabalham regularmente com supostas vítimas de abuso. “Achávamos que poderíamos ter cem ou algumas centenas de casos, mas aqui estamos”, disse o advogado James Marsh, cuja empresa abriu cerca de 800 casos. “Calculamos mal o interesse que havia.”

Os advogados dos demandantes disseram que clientes em potencial continuaram avançando conforme o prazo se aproximava, alguns ganhando força depois de ver histórias de outros entrando com ações judiciais. O advogado Jeff Anderson disse que alguns sobreviventes esperam até o último minuto pela dificuldade de comparecer.

E alguns não terão ganhado forças para avançar antes que a janela se feche, disse o advogado Mitchell Garabedian. “Um prazo de tribunal divulgado incentiva muitas vítimas e sobreviventes a se apresentarem”, disse Garabedian. “Mas para outras vítimas e sobreviventes, não faz sentido.”

De acordo com dados do tribunal, milhares de casos registrados em Nova York estão relacionados a instituições religiosas. Especialistas alertam que é muito cedo para estimar a responsabilidade de entidades relacionadas à igreja no estado. Embora Anderson, que chama Nova York de “principal campo de batalha”, espera que seja na casa dos bilhões de dólares.

A diocese de Rockville Centre, em Long Island, citou o “severo” peso financeiro do litígio quando se tornou a maior diocese dos Estados Unidos a pedir falência em outubro passado. Metade das oito dioceses católicas romanas de Nova York declarou falência, começando com a Diocese de Rochester, em 2019.

“Qualquer sofrimento financeiro que a Igreja enfrente como resultado desta crise empalidece em comparação com o sofrimento dos sobreviventes que altera a vida”, disse Dennis Poust, diretor executivo da Conferência Católica do Estado de Nova York. Poust disse que os bispos estão agora focados em resolver os processos civis de uma forma que satisfaça aqueles que foram prejudicados, enquanto preserva os ministérios de caridade, educação e sacramentos da Igreja.

As falências permitem que as dioceses consolidem as reivindicações das vítimas e negociem com os demandantes como uma única classe. Por exemplo, os Boy Scouts of America (Escoteiros da América) pediram proteção contra falência em fevereiro de 2020 e no mês passado chegaram a um acordo de 850 milhões de dólares com advogados que representam dezenas de milhares de vítimas de abuso sexual infantil.

Os advogados veem o fechamento da janela como o início de outra fase intensa, à medida que os casos individuais são considerados e as falências prosseguem. O corte dos novos arquivamentos da Lei das Vítimas de Crianças pode resultar em decisões porque os réus agora saberão quantas reivindicações eles enfrentam. “Ainda está no início do processo porque a janela ainda não fechou”, disse Anderson. “E quando isso acontecer, veremos mais progresso”.

 

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