Religiosas que prometem desmantelar redes de tráfico humano

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30 Julho 2021

 

A rede Talitha Kum planeja também fortalecer seus esforços para reduzir o risco de sobreviventes serem novamente traficados e explorados repetidamente.

A reportagem é publicada por La Croix International, 26-07-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Uma rede de religiosas católicas e seus colaboradores lançou uma campanha mundial para enfrentar a indústria criminosa do tráfico humano de 150 bilhões de dólares.

A Talitha Kum, rede de religiosas sob a direção da União Internacional de Superiores Gerais (UISG), quer ajudar cerca de 40 milhões de pessoas presas na escravidão moderna por meio de sua campanha “The Care Against Trafficking” (“Cuidado contra o Tráfico de Pessoas”, em tradução livre), em razão do Dia Mundial contra Tráfico de Pessoas, de 30 de julho.

A Talitha Kum usará suas contas no Twitter, Instagram e Facebook para promover a iniciativa.

Com a hashtag #CareAgainstTrafficking, a Talitha Kum planeja fortalecer seus esforços para erradicar o tráfico de pessoas, descrito como “uma ferida aberta no corpo da sociedade contemporânea” pelo Papa Francisco em 2014.

A campanha tem como objetivo oferecer “atendimento a pessoas em risco, atendimento às vítimas e aos sobreviventes”.

De acordo com um comunicado da rede, “abordagens de longo prazo centradas na assistência podem reduzir o risco de sobreviventes serem novamente traficados e explorados”.

O que as irmãs precisam é de “apoio holístico em nível institucional”, disse a irmã Gabriella Bottani, coordenadora internacional da Talitha Kum, ao Vatican News.

“Convocamos todas as pessoas de boa vontade a se unirem e combater as causas sistêmicas do tráfico de pessoas, para transformar a economia do tráfico em uma economia do cuidado”.

Muitas vítimas são exploradas para trabalho, para trabalho sexual, para o lucrativo comércio de órgãos, diz a declaração da Talitha Kum.

O tráfico para mão de obra barata, que carece de conscientização, é considerado muito maior do que o tráfico para exploração sexual conduzido pelo crime organizado.

As vítimas são enganadas, ameaçadas e manipuladas para trabalhar em condições desumanas e inaceitáveis por pouco dinheiro. Este modelo de negócios “de roubar liberdade para obter lucro” garante bons retornos para os traficantes, disseram as religiosas.

Muitos trabalham em construção, hotéis e hospitalidade, paisagismo, atividades ilícitas, artes e entretenimento, serviços de limpeza, fábricas e manufatura, para citar alguns.

Devido à natureza clandestina de seu modelo de negócios, os traficantes costumam estar um passo à frente das agências de aplicação da lei.

 

Combater a opressão e a exploração

Talitha Kum está comprometida em “desmantelar os sistemas que permitem sua opressão e exploração”, disse a irmã Patricia Murray, secretária executiva da UISG.

“Em 2020, as redes Talitha Kum em todo o mundo cuidaram de 17 mil sobreviventes do tráfico humano”, disse o comunicado.

Quase 170 mil pessoas “se beneficiaram com as atividades de prevenção e conscientização organizadas pela Talitha Kum”, que atua em 90 países com 50 redes, acrescentou.

Em Pattaya, Tailândia, um dos principais destinos do turismo sexual, as irmãs de Talitha Kum oferecem treinamento de indústria do bem-estar para mulheres jovens, que antes faziam parte da próspera rede de comércio de sexo do país.

O objetivo é proporcionar um emprego digno, segundo as irmãs.

“Precisamos transformar a economia do tráfico em uma economia de cuidado que permitirá a todos, especialmente as mulheres, promover comunidades prósperas e seguras”, disse a irmã Bottani.

“Não ficaremos calados, porque as pessoas em todos os cantos do mundo sofrem por isso”, disse a missionária comboniana.

O Papa Francisco enfatizou uma “economia sem tráfico de pessoas” – o tema deste ano – em uma mensagem de vídeo por ocasião do 7º Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, e 08 de fevereiro.

O lucrativo negócio do tráfico de pessoas se tornou mais recompensador para os traficantes com a globalização.

A internet se tornou mais útil para facilitar o tráfico de pessoas.

O tráfico de pessoas “encontra um terreno fértil na abordagem do capitalismo neoliberal e na desregulamentação dos mercados que visa maximizar sem limites éticos, sem limites sociais e sem limites ambientais”, disse o Papa Francisco.

Enquanto a pandemia de covid-19 devastava a renda familiar, os traficantes fizeram ofertas mentirosas para atrair famílias vulneráveis, observou um relatório do Departamento de Estado dos EUA.

O Relatório de Tráfico de Pessoas de 2021 disse que quase 25 milhões de pessoas em todo o mundo são vítimas de tráfico sexual.

“Nós necessitamos de trabalho conjunto, compartilhar informação, sustentar a responsabilidade com o outro”, afirmou Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA, no lançamento do relatório em 1º de julho.

O tráfico humano está crescendo devido à crescente demanda por trabalho barato, possibilitando sindicatos do crime explorarem pobres e desalentados trabalhadores por lucro.

 

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