Sobre o passaporte vacinal. Artigo de Massimo Cacciari e Giorgio Agamben

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29 Julho 2021

Todos estão ameaçados por práticas discriminatórias. Paradoxalmente, as pessoas “habilitadas” pelo green pass [passaporte vacinal] mais ainda do que os não vacinados, já que todos os seus movimentos seriam controlados e nunca se poderia chegar a saber como e por quem.

A opinião é dos filósofos italianos Massimo Cacciari e Giorgio Agamben, em artigo publicado por Diario della Crisi, do Instituto Italiano para os Estudos Filosóficos, 26-07-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Eis o texto.

 

A propósito do decreto sobre o green pass

 

A discriminação de uma categoria de pessoas, que se tornam automaticamente cidadãos de segunda categoria, é por si só um fato gravíssimo, cujas consequências podem ser dramáticas para a vida democrática.

Estamos enfrentando isso, com o chamado green pass, com inconsciente leviandade. Todo regime despótico sempre operou por meio de práticas de discriminação, talvez no início contidas e depois desenfreadas.

Não por acaso, na China, eles declaram que querem continuar com os rastreamentos e os controles mesmo ao término da pandemia. E vale a pena lembrar o “passaporte interno” que os cidadãos da União Soviética deviam mostrar às autoridades a cada deslocamento.

Além disso, quando um expoente político chega a se dirigir a quem não se vacina usando um jargão fascista como “vamos purgá-los com o green pass”, é realmente preciso temer se já não estamos além de toda garantia constitucional.

Ai de nós se a vacina se transformar em uma espécie de símbolo político-religioso. Isso não só representaria um desvio antidemocrático intolerável, mas contrastaria com a própria evidência científica. Ninguém está convidando a não se vacinar! Uma coisa é defender a utilidade da vacina; outra, completamente diferente, é calar sobre o fato de que ainda nos encontramos em uma fase de “experimentação em massa” e que, em muitos aspectos fundamentais do problema, o debate científico está totalmente em aberto.

O Jornal Oficial do Parlamento europeu do dia 15 de junho passado afirma com clareza: “É necessário evitar a discriminação direta ou indireta de pessoas que não estão vacinadas, até mesmo daquelas que optaram por não se vacinar”.

E como poderia ser de outra forma? O vacinado não pode só contagiar, mas também pode adoecer ainda: na Inglaterra, de 117 novas mortes, 50 haviam recebido as duas doses. Em Israel, calcula-se que a vacina cobre 64% de quem a recebeu. As próprias empresas farmacêuticas declararam oficialmente que não é possível prever os danos da vacina em longo prazo, não tendo tido tempo para realizar todos os testes de genotoxicidade e de carcinogenicidade. A Nature calculou que será fisiológico que 15% da população não tomem a vacina. Então, deveremos ficar com o pass até quando?

Todos estão ameaçados por práticas discriminatórias. Paradoxalmente, as pessoas “habilitadas” pelo green pass mais ainda do que os não vacinados (que uma propaganda de regime gostaria de vender como “inimigos da ciência” e talvez defensores de práticas mágicas), já que todos os seus movimentos seriam controlados e nunca se poderia chegar a saber como e por quem.

A necessidade de discriminar é tão antiga quanto a sociedade e certamente já estava presente também na nossa, mas o fato de torná-la lei hoje é algo que a consciência democrática não pode aceitar e contra o qual se deve reagir imediatamente.

 

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