Francisco anuncia o réquiem para a Missa em latim

Revista ihu on-line

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Clarice Lispector. Uma literatura encravada na mística

Edição: 547

Leia mais

Mais Lidos

  • Rico ri à toa

    LER MAIS
  • Charles Chaput, arcebispo emérito da Filadélfia, chama o Papa Francisco de mentiroso

    LER MAIS
  • Por dentro do Sínodo: falar com franqueza, ouvir com atenção. Artigo de Austen Ivereigh

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


19 Julho 2021

 

Francisco ousadamente reverteu o mais significativo ato legislativo de Bento XVI, dando passo para enfim eliminar o uso do Rito Tridentino.

A reportagem é de Robert Mickens, publicada por La Croix International, 16-07-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Em um movimento verdadeiramente corajoso, o Papa Francisco reverteu uma das mais significativas (e muitos acreditavam que duradoura) peças da lei da Igreja universal, que foi publicada pelo seu predecessor, e ainda vivo, Bento XVI.

O papa de 84 anos reduziu os direitos especiais dados por Bento aos padres, em 2007, para celebrar a Missa Tridentina à vontade e sem permissão dos superiores.

Em um novo “motu proprio” chamado Traditionis custodes (Guardiões da Tradição, em tradução literal), o papa jesuíta anulou a maior das provisões chave estabelecidas no “motu proprio” de Bento XVI, de 14 anos atrás, Summorum Pontificum.

 

Os limites aos bispos para a Missa antiga 

Mais importante, Francisco deu aos bispos diocesanos plena autoridade sobre quem pode celebrar a Missa antiga e sob quais condições eles devem fazer. Até então os padres tinham carta branca.

O papa também deu aos bispos instruções explícitas de quais passos tomar para limitar o uso do Rito Tridentino com um claro objetivo de fazer todos os católicos a eventualmente celebrarem apenas a liturgia reformada que segue o Vaticano II.

“As indicações sobre como proceder em suas dioceses são principalmente ditadas por dois princípios”, disse em uma carta aos bispos acompanhando o novo decreto.

“Por um lado, para prover o bem daqueles que estão enraizados na forma de celebração anterior e necessitam retornar no seu devido tempo para o Rito Romano promulgado por São Paulo VI e São João Paulo II”, afirmou.

“E, por outro lado, descontinuar o surgimento de novas paróquias personalizadas vinculadas mais aos desejos e às vontades individuais dos padres que à real necessidade do ‘santo Povo de Deus’”, insistiu o papa.

 

De divisões a divisões

Era óbvio desde o início do seu pontificado em 2013 que Francisco não era favorável a perpetuar o uso da Missa Antiga. Mas parece que ele não poderia limitar sem ofender profundamente Bento e exacerbar as divisões na Igreja.

De fato, com esse novo movimento ele pode ter feito ambas as coisas.

Deixando de lado os sentimentos do papa emérito, as divisões já estavam feias e muito profundas antes da eleição de Francisco.

Embora Bento tenha reivindicado sua intenção na publicação Summorum era para ajudar a facilitar a reconciliação com os cismáticos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) e satisfazer os desejos de outros católicos vinculados à Missa Antiga, a iniciativa ampliou as facções dentro da Igreja.

Isso se tornou mais evidente imediatamente após a Summorum vir com força, e todos, excetos aqueles vivendo em um universo paralelo, perceberam.

Em sua carta aos bispos do mundo, Francisco disse que certos católicos exploraram as permissões de Bento para celebrar a Missa de acordo com o Missal de 1962 a fim de “ampliar as distâncias, reforçar as divergências e encorajar desacordo que ferem a Igreja, bloqueando o seu caminho, e expondo-a ao perigo da divisão”.

E ele disse que isso está vinculado a outro desastre, se não mais danoso que permitir o retorno da Missa Antiga.

 

Resgatando o Vaticano II

“Eu estou entristecido que o uso instrumental do Missal Romano de 1962 é frequentemente caracterizado pela rejeição não apenas das reformas litúrgicas, mas do próprio Concílio Vaticano II, clamando, com asserções infundadas e insustentáveis, que este traiu a Tradição e a ‘verdadeira Igreja’”, afirmou.

“Tomo a firme decisão de revogar todas as normas, instruções, permissões e costumes que precedem o presente ‘motu proprio’ (Traditionis custodes) e declaro que os livros litúrgicos promulgados pelos santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II constituem a expressão única da lex orandi do rito romano”, disse Francisco aos bispos.

O original italiano deixa claro que "único" é usado aqui para significar "apenas", o que leva a uma conclusão? Que os livros litúrgicos anteriores a 1970 não expressam o Rito Romano.

O que são, então? Anomalias, ao que parece.

Não é preciso ter uma bola de cristal para prever que haverá reações violentas e raivosas ao que Francisco acabou de fazer. Certos cardeais, bispos e padres que estão ligados à Missa Antiga, e católicos tradicionalistas declarados, estarão causando um inferno.

Eles são uma pequena minoria dentro da Igreja que cresceu em proeminência durante o último pontificado, a ponto de se tornarem os tumultuadores.

O Papa Francisco não apenas os ignorou, até esta semana ele teve o cuidado de não antagonizá-los abertamente.

Não mais.

E agora sabemos o que os médicos do papa não removeram durante sua recente cirurgia.

 

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Francisco anuncia o réquiem para a Missa em latim - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV