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11 Junho 2021

 

O recente casamento católico do duplamente divorciado Boris Johnson pode nos ensinar muitas coisas sobre quem é digno de receber a Comunhão.

A opinião é de Sean Hall, presbítero católico da Diocese de Hexham e Newcastle, na Inglaterra. Atualmente, ele é pároco da Igreja de Santa Maria do Rosário (Forest Hall) e, anteriormente, lecionou teologia no Ushaw College e atuou como conselheiro para a educação religiosa na diocese.

O artigo foi publicado em La Croix International, 10-06-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Eis o texto.

 

Foi anunciado no dia 29 de maio que, no dia anterior, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, havia se casado com sua noiva em um rito católico de matrimônio na Catedral de Westminster.

Johnson, que se divorciou duas vezes, foi batizado católico, mas, como estudante no Eton College, foi confirmado na Igreja da Inglaterra e não professou qualquer fidelidade à Igreja Católica desde então.

A notícia do seu novo casamento causou alvoroço nos círculos católicos na Grã-Bretanha, principalmente devido às muitas pessoas que ficaram magoadas com o modo como foram tratados pelas autoridades da Igreja quando, como divorciados ou com a intenção de se casar com um divorciado, pediram uma bênção ou mesmo a admissão à sagrada Comunhão.

Tudo isso veio à mente na recente celebração de Corpus Christi – a Solenidade do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Jesus e seu grupo heterogêneo

 

No relato do Evangelho, Jesus se senta para a refeição festiva mais solene do calendário judaico, a Páscoa. E, enquanto estava à mesa, dá aos seus companheiros o dom da Eucaristia, o seu próprio Corpo e Sangue em uma nova refeição ritual.

Jesus está rodeado por um grupo heterogêneo de 12 “amigos”.

Poucas horas depois,

um deles, Judas, o trairá e o entregará às autoridades judaicas.

Outro deles, Pedro, que é considerado como o líder desse grupo, inclusive negará três vezes que conhecia Jesus. Junto com outros nove apóstolos, Pedro abandonará Jesus na sua hora de maior necessidade.

Só um dos “amigos”, aquele que se chamava João, estará com Jesus aos pés da cruz.

Mesmo assim, Jesus acolhe os doze para se juntarem a ele à mesa nessa ocasião solene.

 

Quem pode e quem não pode se sentar à mesa

 

Dado esse exemplo paradigmático, pode parecer surpreendente que a comunidade eclesial que surgiria desse grupo despenda tempo elaborando, praticamente nos mínimos detalhes, quem pode e quem não pode ser acolhido à mesa da Eucaristia. De fato, quem também é bem-vindo nos outros sacramentos.

Primeiro, a nova comunidade precisava perceber que não apenas os judeus, mas também os gentios eram bem-vindos.

Mais tarde, porém, eles começarão a excluir outros: os pecadores públicos, por exemplo, que na época incluíam os apóstatas (aqueles que renunciaram à sua fé durante uma perseguição), os adúlteros e os assassinos.

Isso foi ficando cada vez mais refinado ao longo dos séculos. É por isso que ainda temos muitas pessoas que, de acordo com seu estado de vida, estão excluídas dos sacramentos, incluindo, por exemplo, tecnicamente, os divorciados e recasados, e aqueles que pertencem a outra Igreja cristã não em comunhão com Roma.

Então, foi uma surpresa para todos – uma consternação para alguns, assim como uma raiva e uma indignação para outros – saber que o primeiro-ministro britânico, que se divorciou duas vezes, e sua noiva se casaram recentemente em um rito católico de matrimônio na Catedral de Westminster.

Ora, é claro que isso não teria acontecido a menos que as autoridades da catedral estivessem absolutamente seguras de que tudo isso estava de acordo com as leis da Igreja.

 

Um padrão duplo?

 

A imagem oferecida naquilo que aconteceu, no entanto, é de que parece haver uma lei para os ricos e poderosos, e outra para o resto, ou pelo menos parece que se oferece um tratamento preferencial a alguns poucos favorecidos.

Ora, embora isso possa ou não ser realmente o caso, essa é claramente a impressão de muitas pessoas, especialmente aquelas que foram excluídas dos sacramentos no passado devido ao seu estado marital.

Quase todos nós estamos familiarizados com pessoas às quais, embora inocentes na ruptura de um casamento, foi recusada a bênção de uma nova união e a recepção da sagrada Comunhão.

O sofrimento causado a essas pessoas é incalculável.

A Igreja perdeu algumas pessoas excelentes por causa da sua rigidez e frieza de coração para com aqueles que estavam feridos e precisavam de cura, e não de um dedo apontado contra elas e de um julgamento.

A lei da Igreja – suas regras e regulamentos relativos à admissão aos sacramentos – agora parece ridícula e insuportável.

Embora todos desejem o melhores votos ao casal, assim como fazemos com todos os recém-casados, permanece aquela imagem, certa ou errada, de um tipo de tratamento para os poucos eleitos e outro para o resto do mundo.

No dia em que celebramos o dom da Eucaristia, somos lembrados no Evangelho que Jesus se sentou à mesa, na primeira Eucaristia, com um traidor, um mentiroso e amigos só das horas boas. Mas ele acolheu todos eles.

Nós também somos pecadores que fracassam regularmente em viver de acordo com os altos padrões do discipulado, mas que, mesmo assim, somos bem-vindos a essa celebração.

Quem somos nós, então, para criar barreiras para aqueles que genuinamente desejam ser alimentados por esse grande Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus?

 

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