A manobra do cardeal Marx desencadeia um acerto de contas na Igreja. O que o Papa vai fazer?

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09 Junho 2021

 

O próprio líder dos bispos alemães admite que há muito mais do que a grave questão dos abusos sexuais por trás da decisão do cardeal Reinhard Marx de renunciar à liderança da diocese de Munique e Freising. Entrevistado pelo canal de televisão Ardmediathek, Mons. Georg Bätzing diz que está chocado com a decisão do coirmão, mas nunca fala sobre o escândalo que teria motivado tal escolha. O fato é que a aposta em jogo é bem mais alta e os abusos, com relatos diocesanos sobre os encobrimentos, representam apenas um dos temas que atribulam a Igreja ao norte dos Alpes.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada em Il Foglio, 08-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Na Alemanha, chega-se ao confronto final entre duas visões da Igreja, entre dois modelos contrapostos. “Estamos em um ponto de crise fundamental das Igrejas, uma crise de credibilidade, são problemas de natureza sistêmica, que devem ser resolvidos em nível sistêmico”, diz o presidente da Conferência Episcopal, retomando os temas da agenda do Sínodo bienal "vinculante" que recebeu três advertências de Roma (do Papa, do prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Ouellet, e do presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Mons. Iannone).

Em discussão, está também o celibato sacerdotal: “Tem de estar necessariamente ligado à ordenação sacerdotal? Não é necessário. Também a Igreja sabe disso. Mas há decisões a tomar”. A única maneira de resolver a crise sistêmica é o Sínodo permanente, dizem da Alemanha; não há como voltar atrás e - como o próprio Marx disse entre as duas assembleias sobre a família de 2014-15 - “não será Roma a nos dizer como devemos nos comportar na Alemanha”.

Nesse sentido, a renúncia do poderoso cardeal, que é um assessor próximo e apreciado de Francisco, representa uma mina no pontificado: mesmo não colocando o Papa no meio do atual impasse e não debitando a Francisco qualquer responsabilidade pelo fato. que a Igreja “está em ponto morto”, o seu gesto pôs Roma em dificuldade: o que pode fazer o Pontífice diante da rendição do mais proeminente entre os bispos alemães que, de fato, afirma não haver uma terceira via entre a atualização ex Sínodo e o colapso total?

Certamente a Igreja alemã está num acerto de contas interno: Marx vai embora tornando ainda mais precária a posição do cardeal arcebispo de Colônia, o conservador Rainer Maria Woelki, chamado a responder por algumas escolhas (suas, de ex-colaboradores e antecessores) em relação ao encobrimento de sacerdotes abusadores. O Papa encarregou dois visitantes independentes para lançar luz sobre a situação, enfraquecendo ainda mais o papel de Woelki como a principal barreira às derivas "inovadoras" objeto de discussão no Sínodo alemão.

Alguns observadores, assim que souberam da renúncia de Marx, previram um comportamento semelhante por parte do arcebispo de Colônia, mas é Mons. Bätzing a dizer que agora é tarde demais: “Agora, ali se aplicam leis diferentes, está em curso uma visita apostólica. O momento passou”. Certamente, depois de ter concedido autoridade doutrinal às conferências episcopais nacionais, o Papa será chamado a intervir de maneira ainda mais direta no caminho sinodal em curso na Alemanha. Seja interrompendo-o devido à agenda ou dando-lhe seu aval. Ou a linha de Marx é válida ou não o é.

 

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