Francisco está redesenhando a Igreja com novos ministérios leigos. Artigo de Phyllis Zagano

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14 Mai 2021

 

Francisco, cuja aparente resistência a alguns pedidos do Sínodo Pan-Amazônico causou muito desgosto, está trabalhando rapidamente para restaurar a Igreja como um corpo funcional e cooperativo de fiéis”, escreve Phyllis Zagano, teóloga estadunidense, pesquisadora associada da Universidade Hofstra, em Hempstead, Nova York, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 12-05-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis o artigo.

 

Quando o Papa Francisco disse que ele não queria clericalizar o laicato, ele se referia a isso. Agora, enquanto muitos bispos estão muito preocupados com quem pode ser aproximar na fila da comunhão, o 266º sucessor de Pedro está redesenhando a Igreja.

Isso tudo começou com o Concílio Vaticano II. Na época, em 1972, o Papa Paulo VI suprimiu as ordens menores em resposta à tempestade que foi o concílio, no lugar desses, criou dois “ministérios leigos instalados”: leitorado e acolitado.

Para os homens.

Leitores e acólitos instalados tiraram os deveres uma vez exercidos por leitores, exorcistas e acólitos da Igreja medieval, os quais pelos tempos modernos recebiam ordens menores na escada clerical. Enquanto fazia isso, Paulo suprimiu a ordem principal de subdiáconos, agora lembrada com carinho principalmente pelos aficionados da Missa Tridentina. O subdiaconato era a etapa final do agora abandonado cursus honorum (curso de honra) antes da ordem principal de diácono.

No final da Idade Média, ninguém se tornava clérigo e entrava no cursus honorum, a menos que estivesse a caminho do sacerdócio. Não importa a história das mulheres diáconas. Não importa se o diaconato já foi uma realidade em funcionamento. Não importa que cerca de 37 papas foram diáconos antes de se tornarem bispos de Roma. Isso tudo acabou de qualquer maneira com Gregório VII, um arquidiácono na época de sua eleição em 1073. Gregório insistiu na ordenação sacerdotal antes de sua consagração episcopal.

No presente, Francisco, cuja aparente resistência a alguns pedidos do Sínodo Pan-Amazônico causou muito desgosto, está trabalhando rapidamente para restaurar a Igreja como um corpo funcional e cooperativo de fiéis.

Embora Francisco tenha ignorado alguns pedidos do Sínodo da Amazônia, especialmente para padres casados e diáconas, ele focou mais na função do que na funcionalidade. Sua bela Querida Amazônia, em resposta ao documento final do Sínodo Amazônico, lembrou a toda a Igreja que o Cânon 517.2 reconhecia os coordenadores da vida paroquial — alguns religiosos, alguns seculares, alguns homens, algumas mulheres, alguns casados, alguns diáconos ordenados — que mantêm as paróquias juntas, como comunidades vibrantes. Ele os quer reconhecidos, profissionalizados e pagos.

Não se trata de quem pode fazer tudo, como os padres medievais que essencialmente se arrogaram dos deveres de todas as outras ordens — maiores e menores — garantindo que seu sacerdócio fosse a principal sede do poder. É sobre os membros de toda a igreja pegando suas promessas batismais e correndo com elas.

Considere o seguinte: em 11 de janeiro deste ano, o Papa Francisco abriu às mulheres os ministérios leigos "instalados" de leitoras e acólitas, antes restritos aos homens (principalmente homens treinados para serem diáconos e padres).

E agora, há poucos dias, o Papa Francisco respondeu a uma ideia que era intocável desde o concílio e estabeleceu o ministério instalado de catequista. O papa chamou por “homens e mulheres de profunda fé e maturidade humana, participantes ativos na vida da comunidade cristã, capazes de acolher os outros, sendo generosos e dando vida a comunhão fraterna”. Ao fazer isso, ele coloca o dedo sobre as falhas de paróquias “geminadas” e “amarradas”, onde um pastor e sua equipe pessoal administram múltiplas comunidades, nas quais eles são essencialmente as lideranças.

A eclesiologia de Francisco prefere comunidade de fiéis reunidos em torno do Evangelho e da Eucaristia com a participação de todos. Ele vê muitas flores nos campos da Igreja: leitores, acólitos, catequistas, coordenadores de pastorais, diáconos e padres, todos em Igrejas particulares lideradas (não administradas) por bispos.

Claro, alguém tem que coordenar os ministérios (esperançosamente pagos) em todos os níveis, mas quanto menor a paróquia, maior a coordenação. Este documento motu proprio sobre os catequistas não elimina a ordenação como necessária para o ministério sacramental, mas expande a noção de evangelização. Sim, os ordenados podem evangelizar, mas a formação, as aptidões, as personalidades e as disponibilidades específicas exigidas para a catequese real podem ser melhor encontradas entre os leigos.

O ministério leigo é ministério real, e o foco aqui está no Evangelho. É sobre sinodalidade. É evangelização. Sem eles, não haverá Igreja.

 

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