Abril foi o mês mais mortal da pandemia no Brasil

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03 Mai 2021

 

País fechou o mês com mais de 82 mil óbitos por covid-19 oficialmente contabilizados. Cifra superou recorde anterior, em março, quando 66 mil pessoas morreram.

A reportagem é publicada por Deutsche Welle, 01-05-2021.

Abril de 2021 se encerrou como o mês mais mortal da pandemia de covid-19 no Brasil. Foram registrados 82.266 óbitos relacionados ao coronavírus ao longo dos 30 dias do mês, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) e do Ministério da Saúde.

O número supera o recorde anterior, registrado em março de 2021, quando morreram mais de 66 mil pessoas em decorrência da doença, segundo números oficiais. Antes disso, a cifra mensal mais alta havia sido contabilizada em julho de 2020, com mais de 32 mil mortes.

Segundo o portal G1, ao longo de abril o país bateu recorde de mortes por covid-19 em dois terços de seu território, ou seja, em 18 das 27 unidades federativas.

Na sexta-feira (30/04), último dia do mês, o Brasil registrou oficialmente 2.595 óbitos ligados à covid-19 em 24 horas, fazendo com o que o país fechasse abril com 403.781 mortos. Também foram computados 68.333 novos casos da doença, elevando o total de infectados para 14.659.011.

Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação.

A média móvel de mortes (soma dos óbitos nos últimos sete dias e a divisão do resultado por sete) ficou em 2.481 na sexta-feira, o que significa que o país está há 45 dias consecutivos registrando um índice acima de 2.000. Embora a média viesse seguindo uma tendência de queda desde 12 de abril, quando estava em 3.125, ela voltou a subir na sexta, após registrar 2.387 na quinta.

Dias e semanas mais letais

Em abril, o Brasil também viveu seus dois dias mais letais desde o início da pandemia. Foram 4.249 óbitos ligados ao coronavírus em 8 de abril, superando o recorde anterior de dois dias antes, 6 de abril, quando o país havia registrado 4.195 vidas perdidas – e rompido pela primeira vez a barreira das 4 mil mortes em 24 horas.

Abril também foi o mês com as semanas mais mortais da pandemia: o recorde foi no período entre 4 e 10 de abril, quando foram confirmados 21.141 óbitos em sete dias, segundo dados do Conass. Em nenhuma outra semana, desde que o coronavírus chegou ao país no início de 2020, a covid-19 matou tantas pessoas.

A maior letalidade da doença é atribuída ao sistema de saúde trabalhando próximo ou acima de seu limite e também pode estar relacionada à variante P1, mais transmissível, identificada pela primeira vez em Manaus e hoje predominante no país – essa cepa do vírus já responde por 90% das amostras analisadas no estado de São Paulo.

400 mil mortos

Em 29 de abril, o Brasil superou a marca de 400 mil mortos na pandemia. A cifra foi alcançada apenas 36 dias após o país ter registrado 300 mil vítimas, e na mesma semana em que o Senado instalou a CPI da Pandemia para investigar a atuação do governo do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento da covid-19.

O registro ocorre em um momento da pandemia que pode ser traiçoeiro para o país. Os números mais recentes indicam leve desaceleração do contágio, o que incentivou parte dos governantes e da população a relaxar o distanciamento social. Mas o número de novos casos e mortes segue em patamar muito elevado, assim como a ocupação das UTIs na maior parte do país.

Como resultado, o aumento na circulação de pessoas, enquanto a vacinação completa chegou a menos de 10% da população adulta, tem potencial para reverter a tendência de queda e elevar rapidamente o número de mortes diárias acima do patamar de 4 mil, segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil.

 

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