2º domingo de Páscoa - Ano B - Na força do Espírito do Ressuscitado, anunciar a misericórdia de Deus

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Por: MpvM | 09 Abril 2021

 

"O Ressuscitado está presente em quem se dispõe a viver num só coração e numa só alma, que remete a partilha de vida dos dons e dos bens. Deixemo-nos animar por Ele, a fim de superarmos todo o medo que paralisa, que fecha, que gera indiferença, e lhe damos uma resposta de compromisso na fé, no amor e na misericórdia."

A reflexão é de Liane Terezinha Berres, religiosa da Congregação Filhas do Amor Divino - FDC. Ela possui graduação em teologia pelo Instituto Missioneiro de Teologia, Santo Ângelo, e especialização em teologia da Vida Religiosa. Atualmente vive em Cerro Largo/RS, é agente de pastoral e integra o comitê gestor de sua Província.

 

 

Leituras do Dia
1ª Leitura - 
Salmo - Sl 117,2-4.16ab-18.22-24 (R. 1)
2ª Leitura - 1Jo 5,1-6At 4,32-35
Evangelho - Jo 20,19-31


"O Ressuscitado vive entre nós! Amém! aleluia!".

Acabamos de celebrar a oitava da Páscoa, como se fosse um único dia, e seguiremos o tempo Pascal até Pentecostes. Estamos no segundo domingo da Páscoa, o Domingo da Misericórdia Divina. O Deus que sente e age com o coração em relação ao coração ferido, angustiado, desesperado, desacreditado. O mundo, as pessoas, o planeta clamam por misericórdia. Somos chamadas e chamados e acolher o Deus misericordioso e amoroso, e enviadas e enviados a misericordiar. Assim como nosso querido Papa Francisco recorda, que não basta ter esperança – algo passivo – do ficar esperando, o convite é de esperançar – da mesma forma, ele convida a “deixar-nos misericordiar por Deus” – para assim, nos tornar agentes e testemunhas da Misericórdia Divina e humana de Deus. Essa experiência nos impulsiona a sentir e agir com o coração frente aos gritos, clamores, dores da humanidade... Esse verbo “misericordiar” pode não existir na gramática, mas sim em nosso coração e ação, para assim expressar a fidelidade de Deus para com cada uma das suas criaturas, especialmente junto aos nossos irmãos e irmãs que mais precisam de cuidado e proteção.

Voltemo-nos para a liturgia da Palavra desse final de semana, que traz luzes de como o amor, a misericórdia do Ressuscitado se manifesta na vida das primeiras comunidades cristãs. Em primeiro lugar a liturgia convida a acolher o Ressuscitado que traz o dom do Espírito Santo e da paz; a agradecer a Misericórdia de Deus, que é eterna, e que Ele é bom, como rezamos no Salmo 117.

O Ressuscitado está presente em quem se dispõe a viver num só coração e numa só alma, que remete a partilha de vida dos dons e dos bens. Deixemo-nos animar por Ele, a fim de superarmos todo o medo que paralisa, que fecha, que gera indiferença, e lhe damos uma resposta de compromisso na fé, no amor e na misericórdia.

A primeira leitura (At 4,32-35) 4,32-35, traz o segundo dos três relatos do ideal da vida cristã em comum: a assiduidade no ensinamento apostólico, a comunhão fraterno/sororal, a partilha do pão e a oração em comum, é o que identificava a quem seguia Jesus de Nazaré. A vivência da fé em Cristo provocava uma nova maneira de viver, diferente da dos grupos religiosos já existentes, a mensagem de Jesus atraia mais pelo entusiasmo e testemunho comprometido, do que pela força do discurso, do sermão... Esse testemunho que gera uma dinâmica de abertura, de partilha, de justiça, de solidariedade, de atenção e cuidado com os que necessitavam. Sua proposta é que não haja necessitados. Todos e todas são filhos e filhas de Deus, que sonhou e sonha com o cuidado de todas as suas criaturas. Eis um belo e desafiador Projeto de Vida de quem realmente deseja viver os valores do Evangelho.

Com certeza esta Palavra, está sendo testemunhada em muitos projetos alternativos, como Economia Solidária, Comunidades de Base, grupos de resistência, que são fonte de atenção, de cuidado, de inclusão dos excluídos e feridos em sua dignidade, diante de tempos tão difíceis de pandemia, e suas consequências, como também tantos outros desajustes sociais, políticos e religiosos.

Segunda leitura (1Jo 5,1-6At 4,32-35), que mais do que carta, é uma meditação, é destinada aos cristãos que se sentiam inseguros na sua relação com Deus. Os destinatários deste texto enfrentavam desafios para professarem a fé em Jesus e viverem o amor fraterno/sororal. Quem acredita que Jesus é o Filho gerado por Deus, deve amar aqueles e quelas que foram gerados por Ele, como nossos irmãs e irmãos. Jesus lembra em várias circunstâncias, que o amor a Deus se torna visível no amor ao próximo. Esse amor sempre é expresso com atitudes concretas. É esse amor misericordioso, voltado ao cuidado dos irmãos e irmãs, que aprendemos de Jesus “assim como eu vos amei, amai-vos uns aos outros”.

No Evangelho (Jo 20,19-31), lemos um dos relatos das chamadas aparições do Ressuscitado à comunidade dos discípulos e porque não dizer, das discípulas, que está reunida de portas fechadas por medo dos judeus. Jesus se coloca no meio deles deseja-lhes a paz, e “sopra” o Seu Espírito de vida, de força, de coragem, de confiança... e eles sentem a sua presença e o seu amor.

Essa experiência do encontro com o ressuscitado, abriu sua porta interior, dos fechamentos, das estruturas paralisantes, dos velhos esquemas e encheu-os de alegria que converteu a situação conflituosa e perturbadora em entusiasmo, ânimo e os tornou corajosos e conscientes de quem são e que missão lhes compete.

A experiência da ressurreição de Jesus é transformadora. E quem faz essa experiência do Encontro com o Ressuscitado não pode reter essa graça para si, mas se sente enviado e enviada para transmiti-la, a fim de converter os medos que assolam a vida da humanidade, e que são tantos nos dias de hoje, como: medo da violência que cresce assustadoramente em nossas cidades, bairros, periferias, famílias; medo de morrer, medo de adoecer da pandemia e outras doenças e de não ter o tratamento adequado; medo de perder pessoas que ama; de perder o emprego; medo das dívidas, da solidão... O medo nos tira a paz! Em Jesus Ressuscitado, com Sua Ruah inspiradora, a discípula e o discípulo, encontra força, coragem e ousadia para denunciar e lutar contra essas forças de morte, abrindo caminho de Vida nova, que brilha para toda a humanidade, no acontecimento da Páscoa.

No evangelho temos também a experiência de Tomé, que na primeira aparição de Jesus esteve ausente. No seu retorno à comunidade, ele ouve o testemunho dos outros discípulos: “Nós vimos o Senhor”. Tomé anseia pelo mesmo encontro, e quer colocar as mãos nas chagas de Jesus. João narra novamente um encontro de Jesus com os discípulos, dessa vez com a presença de Tomé. Jesus deseja mais uma vez a Paz, e convida Tomé a pôr o dedo nas feridas, nas chagas... um convite a experiência de fé e aproximação do mistério da ressurreição: o crucificado-glorificado é o Ressuscitado com suas chagas.

A Palavra nos impulsiona à relação e proximidade com o Ressuscitado. Nele e com Ele, podemos transformar nossos sentimentos de inquietude, de medo, de fechamento, em sentimento de alegria, coragem, ousadia e de Paz – essa paz que brota do verdadeiro compromisso com o cuidado da vida. Para isso Ele continua soprando o Seu Espírito, a Ruah que nos inspira, para não ficarmos indiferentes diante das feridas, das chagas de Jesus que continuam abertas em tantas vidas e corpos de irmãs e irmãos, aos quais Jesus, hoje, nos convida o tocar. E tocar essas feridas implica em ser presença solidária, acompanhar, contribuir, apoiar, alimentar uma sintonia e comunhão comprometida com aqueles que clamam por justiça e por uma presença consoladora, carregada de ternura e compaixão.

Que essa Palavra, que proporciona o encontro com o Ressuscitado, nos ajude a ser expressão da Misericórdia regeneradora de Deus.

Dai graças ao Senhor, porque ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia. (Sl 117)

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