“Os ‘cristãos marxistas’ montaram em um cavalo que pensavam que seria vencedor, mas estava drogado”, escreveu o jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio

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07 Abril 2021

 

La Civiltà Cattolica revela notas inéditas do hoje Papa Francisco, que datam de 1987 e 1988, nas quais analisa os métodos para análise da realidade.

A reportagem é de José Beltrán, publicada por Vida Nueva Digital, 06-04-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Para mim, no que diz respeito a nós, os ‘cristãos marxistas’ montaram em um cavalo que supostamente era um vencedor, mas que no fim estava drogado”. Assim se expressa o jesuíta Jorge Mario Bergoglio em uma das anotações inéditas reveladas por La Civiltà Cattolica, notas que datam de 1987 e 1988. Trata-se de reflexões do atual Papa quando estava trabalhando em sua tese sobre Romano Guardini e aprofunda o uso da análise marxista para a interpretação da realidade, chegando à conclusão do “fracasso” de algumas categorias que considerava obsoletas.

Inclusive utiliza do pesquisador dominicano Plácido Claver para asseverar que “por medo de serem os últimos cristãos, os cristãos marxistas são na realidade os últimos marxistas”. Desde então, alerta do risco de cair no relativismo quando “cada realidade impõe princípios interpretativos que a ‘abrem’ ao conhecimento”. Da mesma maneira, avisa do perigo de cair em “armadilhas do idealismo, da mera fenomenologia e de identificar o ser com conhecimento”.

O risco de projetar

Para Bergoglio, “interpretar a realidade não pode consistir em projetar uma ideia sobre ela, nem em descrever o fenomenológico sem transcender o próprio fenômeno, nem em assumir a imanência do pan-entismo (pan-ontoísmo), que sempre acaba – como toda gnosis – no panteísmo”. “Então, nem o idealismo, nem o fenomenalismo, nem a gnosis serão adequados”, argumenta.

O pensador jesuíta aponta que “as categorias de conhecimento mais adequadas para um ser ou uma realidade são aquelas que permitem que o ser ou a realidade se manifesta como é. Está é a verdade: captar e fazer explícita a manifestação do ser”. E conclui: “Aqui não há relativismo nem ideologia... simplesmente realidade, ser, isso é, aquilo que se manifesta e impõe sua realidade à abertura do intelecto do conhecedor”.

Princípios interpretativos

“Minha hipótese – expõe nestas notas – é que os princípios interpretativos de qualquer realidade devem se inspirar na própria realidade, tal como é: tanto a realidade que se interpreta como a realidade de quem interpreta”.

Como detalha o jesuíta Diego Fares, ao estudar estes textos desconhecidos de Francisco, “o destaque é o vigor de um pensamento original e maduro, avançando com liberdade de espírito e criatividade, em busca de critério para interpretar a realidade que nos permita pensar e discernir sem cair em rigidez ou relativismo”.

 

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