Domingo de Ramos - Ano B - O Rei se fez servo

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26 Março 2021

 

"Nessa Semana Santa renovemos nossa esperança e nosso compromisso com a opção de Jesus, pois a vida se mede pelo amor. Mesmo permanecendo em casa, diante do Crucificado, peçamos a graça de sempre mais e melhor fazermos o bem à humanidade. Deus Pai e Mãe, que sustentou Jesus na Paixão, anima-nos e fortalece-nos na luta por justiça, saúde, educação, direitos, respeito e igualdade."

A reflexão é de Marileda Baggio, mscs, religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu - Scalabrinianas, bacharel em teologia pela Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana - ESTEF, Porto Alegre/RS, mestre e doutora em teologia sistemática pela Pontifícia Universidade Gregoriana - UNIGRE e pós-doutora em teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS.

 

 

Leituras do Dia

 

1ª Leitura - Is 50,4-7
Salmo - Sl 21,8-9.17-18a.19-20.23-24 (R.2a)
2ª Leitura - Fl 2,6-11
Evangelho - Procissão - Mc 11,1-10
Evangelho - Mc 14,1-15,47

 

Domingo de Ramos vem do fato de se comemorar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando a multidão O recebeu com ramos de palmas (João 12, 13). Domingo da Paixão, provém do relato da Paixão que é lido neste mesmo domingo, porque de outro modo não seria lido em um domingo, já que no próximo a leitura será a da Ressurreição. Assim, une num todo o triunfo real de Cristo e o anúncio da paixão.

Aproxima-se a páscoa. Tempo em que a população judaica ia a Jerusalém para participar da grande festa da libertação do Egito. O Evangelho nos mostra: A multidão carrega nas mãos ramos de palmeira (ou de oliveira) que simbolizam a vitória. Jesus entra em Jerusalém montado em um jumentinho aliás, montaria de gente humilde, dos pobres. Jesus veio trazer a paz. Jerusalém era o centro do poder político e religioso prefere a violência. Não era mais o centro da religião judaica, mas do poder político e econômico, realidade que fazia Jesus sofrer.

Jesus foi aclamado como rei pelo povo de Israel. Mas naquele contexto é um rei diferente: não tem exército com cavalos e guerreiros. Nem o jumentinho é seu. É emprestado e depois será devolvido ao dono. Nunca dá ordens que oprimem os pobres, ao contrário é pobre e vive como tal. Não vai a banquetes dos ricos e nem mora em palácios. Não tem onde repousar a cabeça. É rei para servir. Acompanha-se de doentes, marginalizados, mulheres com crianças e pobres. Escolhe discípulos de classe social que ninguém dava valor. É tido como suspeito pelas autoridades civis, militares e religiosas. O seu poder é de caráter diferente!

Os peregrinos estendem suas capas no chão para que Jesus caminhe sobre elas. Isso pertence à tradição da realeza israelita (2 Reis 9, 13). Ramos de árvores nas mãos e gritos de hosana se tornam uma proclamação messiânica: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o reino que vem do nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus! (Mc 11, 9-10; cf. Sl 118, 26). São também orações da liturgia dos peregrinos de Israel. São gritos de alegria e uma oração profética que indicava que o reino davídico e, portanto, o reino de Deus sobre Israel, seria restaurado. Na aclamação de Hosana se expressam as emoções dos peregrinos que acompanham Jesus e seus discípulos e a esperança de que hora do Messias está chegando.

É Domingo de Ramos! E hoje abrem-se as portas da Semana Santa! Os Ramos evocam vitória, palmas, aclamações, esperanças que surgem e o retrato é de consagração e surpresa. Jesus sabe que a multidão que O segue desde a Galileia, que O aplaude na chegada ao templo de Jerusalém não é a mesma que exigiu sua crucificação. Assim narram os evangelhos sinóticos, bem como o de São João. Mostram que aqueles que aplaudem Jesus na sua entrada em Jerusalém não são seus habitantes, mas as multidões que sempre O acompanham. Este ponto é mais claro no relato de Mateus na passagem depois do Hosana dirigido a Jesus: "E entrando em Jerusalém, a cidade inteira agitou-se e dizia: Quem é este? A isso as multidões respondiam: Este é o profeta Jesus, o de Nazaré de Galileia (Mt 21, 10-11). As pessoas tinham escutado falar do profeta de Nazaré, mas isso não parece importar para os habitantes de Jerusalém, pois o conhecem.

Jesus sente que, mesmo estando junto a Ele os discípulos não compreendem tudo. Ele é o servo sofredor de Isaías (1ª leitura – Isaías 50, 4-7). Ele tem língua adestrada para animar as pessoas abatidas, essas o aplaudem de verdade. Sabe que, mesmo de condição divina, vai esvaziar-se a si mesmo, humilhar-se e tomar a condição de escravo, sem reagir, somente com a humildade, paciência e obediência do servo, sustentado pela força do amor. Jesus esvaziou-se a si mesmo (2ª leitura – Filipenses 2, 6-11) por amor a nós, a ponto de experimentar as situações mais dolorosas para quem ama: a traição do discípulo que O vendeu e, o abandono do discípulo que O renegou. Mas, sabe também que será o vivente para sempre!

Hoje, no drama da pandemia do COVID o sentido de abandono nos aperta o coração, Jesus diz a cada uma e cada um de nós: Coragem! Abramos nosso coração ao amor de Deus que nos sustenta. Disse

Papa Francisco no Domingo de Ramos de 2020, quando o mundo já atravessava a pandemia do COVID: “O drama que estamos atravessando nos impele a levar a sério o que é sério e a redescobrir que a vida não serve se não é para servir. Porque a vida mede-se pelo amor”. Francisco renovou o apelo à solidariedade para com os que sofrem, estão sozinhos, passam fome e frio. Afirmou que a atual pandemia obriga a humanidade a centrar-se no essencial e ainda reforça: "Criatividade do amor, é disso que precisamos hoje”.

Para refletir nessa Semana da Paixão de Jesus:

E nós, mulheres de fé e coragem, mães, religiosas consagradas, cidadãs, profissionais, políticas, o que Jesus pobre e humilde, aplaudido nesse domingo de Ramos ou condenado e crucificado na semana da Paixão, nos revela ou nos impulsiona a ser e a fazer? Somos, por natureza, defensoras da vida! Consumimos nossa vida para salvar a vida da Casa Comum e tudo o que dela faz parte!

Que reinado diferente o de Jesus! Isso nos encoraja a sermos mulheres de língua adestrada (cf. Is. 50,4) para denunciar o espírito de morte que ronda nosso país e o mundo, atingindo, sobretudo, os pobres, os migrantes e as pessoas refugiadas; temos os ouvidos atentos (cf. Is. 50, 5) para a realidade e se nos baterem na face (cf. Is. 50, 6) não nos intimidamos, nada nos abate o ânimo quando lutamos por justiça, dignidade e paz!

Nessa Semana Santa renovemos nossa esperança e nosso compromisso com a opção de Jesus, pois a vida se mede pelo amor. Mesmo permanecendo em casa, diante do Crucificado, peçamos a graça de sempre mais e melhor fazermos o bem à humanidade. Deus Pai e Mãe, que sustentou Jesus na Paixão, anima-nos e fortalece-nos na luta por justiça, saúde, educação, direitos, respeito e igualdade. É certo que, amar, rezar, perdoar, cuidar dos outros, tanto em família como na sociedade, pode custar, pode parecer uma via-sacra, mas a senda do serviço é o caminho vencedor, que nos salvou e salva. Cf. homilia do Papa Francisco, Domingo de Ramos 2020.

 

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