Jesus: a enciclopédia

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19 Março 2021

 

"Trata-se de uma obra coletiva – aproximadamente setenta autores - com a finalidade de esclarecer como pode ser compreendido aquilo que o Novo Testamento nos informa a respeito de Jesus, mostrando na medida do possível como e por que ele o faz. Seguindo o relato do evangelista Lucas – por ser o evangelho que cobre de fato o conjunto da trajetória de Jesus desde sua geração até o momento em que ele nos foi arrebatado", escreve Eliseu Wisniewski, ao fazer a resenha do livro Jesus: a enciclopédia [1].

Eliseu Wisniewski é presbítero da Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul, mestre e doutorando em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

 

Eis o artigo.

 

Uma obra para abordar o “problema-Jesus”, ou seja, explicar como este homem, pelo que se pode saber, pôde ser apresentado, compreendido e seguido não como um homem entre outros, por maior que fosse, mas até como “mais do que um homem”. Em suma, como aquele que, tendo efetivamente pretendido anunciar a Deus e levar para Ele, pôde além disso ser compreendido, ou até dar-se a compreender como estando associado a Deus e como sendo, de alguma forma, o próprio Deus. Essa é a tarefa da obra Jesus: a enciclopédia dirigida por Joseph Doré e coordenada por Christine Pedotti.

José Doré é arcebispo emérito de Estrasburgo, teólogo reconhecido. Foi reitor da Faculdade de Teologia de Ciências Sociais do Instituto Católico de Paris, presidiu uma Academia Internacional e interconfessional de ciências religiosas. Sua atividade pastoral se pautou por um trabalho de aproximação, de diálogo e de colaboração com as três interfaces que lhe parecem importantes: primeiramente, a das outras confissões religiosas e religiões; em seguida, a da cultura em seus diferentes âmbitos; enfim, a do campo sociopolítico com o qual sempre pensou ser extremamente necessária uma inter-relação, respeitando evidentemente a distinção republicana entre o espiritual e o temporal. É nesta qualidade de sábio e com esta autoridade que ele pôde reunir num espírito ecumênico autores provenientes de sete países, eles mesmos reconhecidos em sua especialidade.

Trata-se de uma obra coletiva – aproximadamente setenta autores - com a finalidade de esclarecer como pode ser compreendido aquilo que o Novo Testamento nos informa a respeito de Jesus, mostrando na medida do possível como e por que ele o faz. Seguindo o relato do evangelista Lucas – por ser o evangelho que cobre de fato o conjunto da trajetória de Jesus desde sua geração até o momento em que ele nos foi arrebatado.

No espírito das palavras de Joseph Doré ditas na apresentação (p. 13-26) a presente obra se estrutura em três livros. Sob o título Inícios, sublinha-se de imediato que “tudo partiu de um rumor”, o boato que, pouco tempo após a morte de Jesus, divulgou sua “ressurreição dentre os mortos” (p.29-108). E seguida, como convém, considera-se seu nascimento, sua infância e aquilo que se chama sua “vida oculta” durante cerca de trinta anos na Galileia (p. 109-162). Termina-se com sua “entrada em cena” para o que será sua vida e seu ministério públicos (p. 163-201).

Jesus: a enciclopédia. Sob a direção de Joseph Doré (Foto: Divulgação/Editora Vozes)

O segundo livro apresenta então o desenrolar desta vida pública – seus atos (p. 203-310) e seus ensinamentos (p. 311-451). – para desembocar nas interrogações que o conjunto de seu comportamento suscitou a respeito de sua identidade. Tendo exposto primeiramente a subida para Jerusalém e intitulando-se Paixão e ressurreição, o terceiro e último livro evoca sua despedida e em seguida o desenrolar de sua Paixão e ressurreição (p. 453-517).

O terceiro e último livro evoca suas “despedidas” (p. 521-624) e em seguida o desenrolar de sua Paixão e de sua morte, para terminar com os misteriosos acontecimentos que se seguirão (p. 625-752).

Cada um dos 27 capítulos começa com um prólogo narrativo, evocação literária do relato evangélico, que não se situa no registro científico, mas permitirá aos leitores entrar facilmente e pertinentemente na temática abordada e perceber melhor o que se segue. Seguem-se exposições de especialistas que tratam em detalhes o episódio ou ensinamentos respectivos. A estes artigos de fundo seguem-se esclarecimentos sobre algum ponto que exige explicação ou explicitação particularizadas. Estes focos têm a ver ainda com a exegese crítica e nisto se diferem dos contrapontos que eventualmente os seguem, nos quais especialistas provenientes de outros horizontes (judaísmo, ética, psicanálise...) apresentam seu ponto de vista sobre uma questão relevante da temática do capítulo. No fim de cada capítulo é oferecida também uma carta branca a uma personalidade que expressa ali aquilo que a evocação Jesus lhe sugere pessoalmente.

Nestas reflexões figuram nomes como: Jean-Claude Guillebaud, Edgar Morin, André Comte-Sponville, Daniel Marguerat, Enzo Bianchi, Joseph Moingt – autores já conhecidos do público brasileiro.

O mérito desta relevante obra de fácil linguagem e leitura agradável está em auxiliar na busca pelo Jesus histórico atento a todo o ambiente sociopolítico e a todo o contexto ideológico-religioso no qual o homem de Nazaré apareceu, viveu e foi morto e no qual, portanto, reagindo à sua mensagem, seus contemporâneos o compreenderam enquanto alguns dentre eles, que haviam decidido segui-lo em vida, julgaram ter boas razões para permanecer fiéis a ele e, em seguida dar testemunho dele após sua morte.

Para ajudar o leitor a obra traz quadros que apresentam ora citações de textos evangélicos (ou outros), ora a explicação de alguma noção. Remissões frequentes permitem o leitor circular de acordo com seu interesse. Excelente glossário pode ser consultado, bem como, cronologia e a cada capítulo é dedicada uma bibliografia. Os leitores interessados poderão beber desta fonte que ora vem a público por Editora Vozes.

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