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13 Janeiro 2021

O desafio agora é criar comunidades de apoio verdadeiras e vivificantes nas paróquias católicas, segundo Daniel Moulinet, professor de História da Igreja na Universidade Católica de Lyon, na França.

O artigo foi publicado por La Croix International, 11-01-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o aritgo.

A Igreja será mais uma vítima da Covid? Em muitos lugares da França, parece ter ocorrido um grande declínio na prática dominical. O levantamento do limite de 30 pessoas não parece ter provocado um retorno em massa dos fiéis.

Alguns idosos talvez tenham considerado que não é prudente se expor à doença voltando à missa paroquial. Talvez, com a ajuda do inverno, eles tenham descoberto que a missa televisionada era suficiente para alimentar a sua fé. Parece que, em muitas paróquias, são eles que agora estão ausentes da missa aos domingos.

Embora permita uma qualidade real de oração, a missa televisionada não oferece, no entanto, certas dimensões da eucaristia que são – ou deveriam ser – importantes: uma verdadeira participação por meio das respostas ou dos cantos, a possibilidade de comungar e, finalmente, a dimensão comunitária.

Este último ponto merece reflexão. Se alguns fiéis não têm pressa em regressar ao seio da sua igreja paroquial, talvez seja porque a dimensão comunitária era pouco perceptível para eles.

A “comunidade paroquial”, segundo a terminologia habitual, era realmente uma comunidade? A própria crise sanitária deve permitir que cada fiel – leigo ou clérigo – se interrogue: até que ponto temos cuidado dos nossos irmãos e irmãs, da sua saúde, do seu possível isolamento, daquela solidão que, em períodos de confinamento, poderia os ameaçar, principalmente os irmãos e irmãs idosos, sozinhos, doentes ou vivendo longe de suas famílias? Buscamos notícias sobre eles, nos oferecemos para ajudá-los com pequenos serviços?

Em quantas assembleias dominicais o sinal de paz não é nada mais do que superficial? Antes da pandemia, os fiéis dedicavam um tempo para conversar um pouco, se informar, se conhecer ou mesmo para trocar sorrisos?

Se a honestidade nos leva a responder negativamente a essas perguntas, devemos concluir que a comunidade paroquial não existia, mas era simplesmente um agregado de fiéis.

Na mesma medida, se as pessoas frágeis não encontraram o calor humano que esperavam nas nossas igrejas, elas realmente gostariam de voltar?

Um desafio para os agentes de pastoral

Talvez, alguns dirão que eles tinham apenas uma visão bem reduzida da eucaristia, se eles não têm mais apetite pela comunhão hoje. Mas nos contentarmos em reprová-los sem nos interrogarmos seria insuficiente.

Se esses fiéis não retornarem quando a pandemia acabar, a assembleia dominical ficará amplamente amputada. Em alguns lugares, especialmente na zona rural, os idosos representam uma grande parte da assembleia, às vezes de 70% a 80%. A Covid acelerou um fenômeno de declínio constante da prática dominical. A queda agora parece brutal.

Isso não deveria desafiar os agentes de pastoral, convidando-os a colocar novamente o essencial em primeiro plano: o amor a Deus e ao próximo, traduzido em uma verdadeira fraternidade no seio da comunidade cristã?

Para isso, talvez possamos nos orientar para um encorajamento decisivo à constituição de pequenas “comunidades de base”, cujos membros se conheçam, cuidem uns dos outros e se encontrem regularmente para a oração comum. Na maioria das vezes, essas comunidades podem ter uma base geográfica, um vilarejo, um bairro. Mas também podem ter outras facetas: uma comunidade profissional, por exemplo.

Os movimentos da Ação Católica e de espiritualidade já não figuram em tais comunidades? A pastoral impulsionada pelo movimento “Igreja para o Mundo” também vai nessa direção.

Paróquia, uma federação de “comunidades de base”

Dessa forma, um verdadeiro tecido eclesial seria refeito. Em tais comunidades, os responsáveis podem ser leigos espiritualmente bem formados, que tiveram uma verdadeira experiência de encontro e de caminhada com Cristo Jesus. A escola inaciana certamente seria de alguma utilidade aqui. Os diáconos também teriam seu lugar no acompanhamento.

A paróquia apareceria então como uma federação de “comunidades de base”, e o papel do pároco seria assegurar a comunhão dessas comunidades.

Isso não significa que se deveria abandonar a pastoral tradicional. Pelo contrário, isso a enriqueceria. Vamos dar um exemplo. Hoje em dia, os pais não praticantes que pedem à sua paróquia geográfica o batismo de seus filhos são geralmente bem acolhidos e acompanhados em seu processo.

Mas, assim que a celebração termina, o contato se rompe e, no melhor dos casos, só será restabelecido ocasionalmente.

Em um contexto renovado, eles poderiam ser acompanhados por pessoas mais próximas, com as quais estabeleceriam vínculos ao longo do tempo, que dariam um rosto à Igreja aos seus olhos, não a fazendo mais parecer uma entidade impessoal.

Assim, a pandemia não poderia também ter um efeito benéfico para a nossa Igreja, levando-nos a renovar a nossa pastoral para construir uma verdadeira comunidade fraterna de fiéis?

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