Epifania do Senhor – Ano B - O Senhor de todos os povos e nações

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02 Janeiro 2021

"No hoje de nossa existência, faz-se necessário reconhecer a luz de Cristo numa sociedade dividida na pluralidade de tantas luzes que apontam para várias direções, mas nem sempre refletem a luz inextinguível que é o Cristo.

"Para que as pessoas de hoje possam adorar o Deus vivo e verdadeiro, é necessário que os cristãos saiam do comodismo e individualismo e, por meio da missão e do testemunho de vida, façam brilhar para o mundo a “estrela de Davi”, o Filho de Deus."

A reflexão é de Aíla Luzia Pinheiro de Andrade, religiosa do Instituto Nova Jerusalém. Ela possui graduação em Licenciatura em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (1998), graduação (2000), mestrado (2003) e doutorado (2008) em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia FAJE/BH. Tem experiência na área de Teologia, com ênfase em Carta Aos Hebreus, atuando principalmente nos seguintes temas: Messianismo, Philon de Alexandria, Flávio Josefo, Judaísmo, Targum, Midrash, Talmud.

 

 

Leituras do Dia
1ª Leitura - Is 60, 1-6
Salmo - Sl 71, 1-2.7-8.10-11.12-13 (R. Cf.11)
2ª Leitura - Ef 3,2-3a.5-6
Evangelho - Mt 2,1-12

Na liturgia da Epifania do Senhor, celebramos a manifestação e o reconhecimento da divindade de Jesus por todos os povos. Nas liturgias passadas, o enfoque estava na humanidade do Filho de Deus. O que celebramos na liturgia é o que esperamos: que todos as nações reconheçam e adorem em Jesus o Deus de Israel. A primeira leitura (Is 60, 1-6) já vislumbra a vocação das nações à fé no Deus vivo e verdadeiro. No evangelho, em torno de Jesus estão os magos (sábios do Oriente), como representantes de todos os povos, para prestar-lhe homenagem e adoração. Na humildade do ambiente onde se encontra o menino, deve-se reconhecer a luz da salvação oferecida por Deus a todas as pessoas sem distinção de raças (etnias) e culturas.

Epifania significa literalmente manifestação. Nesta solenidade, a liturgia nos apresenta a manifestação da universalidade da salvação realizada em Cristo. Jesus, o rei dos judeus, é adorado pelos magos, representantes de todos os povos. Isso significa que a promessa feita primeiramente a Israel atinge agora a todos os que acolhem o Cristo.
Na época em que foi escrito o Novo Testamento, os povos ainda eram politeístas (adoravam muitos deuses). Por isso se usava a metáfora de que as nações caminhavam nas trevas enquanto Israel era orientado pela luz da Escritura.

Com a entrada de Jesus na história, a palavra de Deus incultura-se. O evangelho afirma que sábios estrangeiros (do Oriente) viram a estrela e a seguiram. Isso significa que Deus se valeu da admiração que os astros exerciam sobre as nações politeístas e as guiou para o Cristo. Os sábios orientais enfrentaram um caminho desconhecido e encontraram o Menino, a verdadeira luz, da qual a estrela era apenas um sinal. Os sábios se deixaram guiar e encontraram um menino muito mais humilde e também mais importante do que pensaram. Depois daquele encontro, eles percorreram outro caminho, não mais guiados por um corpo estelar, mas pela estrela de Davi, o Messias. Seguiram o caminho indicado por Deus, o caminho que é a verdade e a vida, o próprio Jesus.

O evangelho (Mt 2,1-12) afirma que os mestres (ou sábios) judeus tinham conhecimento até do local onde deveria nascer o Messias descendente de Davi. Mas, apesar de serem os primeiros destinatários das promessas de Deus, aqueles mestres de Jerusalém não acolheram a luz verdadeira que é Jesus. Foi necessário que sábios estrangeiros viessem do Oriente para lhes anunciar (orientar sobre) a chegada do Messias de Israel, quando, ao contrário, Israel é que deveria orientar as nações para Deus.

Também Paulo (Ef 3,2-3a.5-6) fala desse grandioso mistério que ele mesmo teve a missão de anunciar: os gentios são chamados a formar o mesmo corpo, isto é, a ser participantes da mesma promessa anteriormente destinada apenas a Israel. É na luz de Jesus que caminham os cristãos e é para essa luz que deve se encaminhar toda a humanidade

O apóstolo afirma ter recebido um encargo sagrado: foi-lhe conferida a graça de proclamar o evangelho aos gentios, ou seja, aos não judeus.

Paulo insiste que sua atividade missionária entre os gentios não foi uma decisão pessoal. Dar a conhecer o evangelho a todas as nações foi um ato poderoso de Deus em seu plano eterno de salvação da humanidade. Coube a Paulo a docilidade e a fidelidade ao chamado divino.

Solicitude e prontidão são as atitudes dos magos e do apóstolo Paulo, que servem de exemplo aos cristãos de nosso tempo. Quem vê a luz da estrela deve pôr-se a caminho.

No hoje de nossa existência, faz-se necessário reconhecer a luz de Cristo numa sociedade dividida na pluralidade de tantas luzes que apontam para várias direções, mas nem sempre refletem a luz inextinguível que é o Cristo.

Para que as pessoas de hoje possam adorar o Deus vivo e verdadeiro, é necessário que os cristãos saiam do comodismo e individualismo e, por meio da missão e do testemunho de vida, façam brilhar para o mundo a “estrela de Davi”, o Filho de Deus.

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