“De esperança em esperança”. 4 anos do falecimento de Dom Paulo Evaristo Arns

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14 Dezembro 2020

"Dom Paulo Evaristo Arns foi “intrépido pastor que no seu ministério eclesial se revelou autêntica testemunha do Evangelho no meio de seu povo, a todos apontando a senda da verdade, da caridade e do serviço à comunidade em permanente atenção pelos mais desfavorecidos”, escreve Eliseu Wisniewski em resenha sobre o livro Dom Paulo: testemunhos e memórias sobre o Cardeal dos Pobres (BRIGHENTI, Agenor; TAMAYO, Juan José (Orgs.). Paulinas, 2018).

Eliseu Wisniewski é presbítero da Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul, mestre e doutorando em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e professor na Faculdade Vicentina (FAVI).

Eis a resenha.

Como cristãos herdamos do judaísmo a capacidade de fazer memória e através desta atitude somos capazes de recordar sempre as maravilhas que Deus vai escrevendo ao longo da história. Imbuídos deste espírito queremos fazer a memória dos quatro anos do falecimento de Dom Paulo Evaristo Arns. Sua páscoa se deu no dia 14 de dezembro de 2016, aos 95 anos de idade. Natural de Forquilhinha, Santa Catarina, nasceu no dia 14 de setembro de 1921. Foi o quinto filho de Gabriel Arns e Helena Steiner. Frei franciscano foi Arcebispo da Arquidiocese de São Paulo e seu lema episcopal “de esperança em esperança” norteou de fato, sua vida como farol e método. Seu episcopado foi testado a fogo no crisol dos tempos de chumbo do Brasil. Sua voz denunciou os desmandos, as injustiças, as perseguições do regime ditatorial, agregou os dispersos e deu rumo aos que reconstruíram a democracia. Sofreu perseguições e calúnias, não somente dos donos do poder e dos inimigos da liberdade e da justiça, mas também de pares de dentro da Igreja. Viveu antes de tudo pela profecia, dispensou as honras e os privilégios que lhes pudessem render a posição de cardeal, perante a sociedade e perante a Cúria Romana. Viveu da liberdade que brota do Evangelho. De esperança em esperança caminhou sem cessar e jamais seu furtou da verdade a ser dita.


Em 1972, arcebispo de São Paulo, aos 51 anos (Foto: Outras Palavras)

No livro Dom Paulo: testemunhos e memórias sobre o Cardeal dos Pobres organizado por Dr. Agenor Brighenti e Dr. Juan Tamayo (Paulinas, 2018)**, Dom Paulo é descrito como uma “figura gigantesca”, o “Cardeal da Esperança” que “não conheceu o medo”, o “Apóstolo dos Direitos Humanos”. “Verdadeiro dom de Deus para seu povo”(p. 25), o “testemunho pessoal de Dom Paulo foi a força que aglutinou as energias da cidadania, que não se dobrou diante da repressão violenta e cruel” (p. 23), sendo “um dos personagens singulares da Igreja Católica no Brasil, de quem se vai falar por séculos. Mesmo em sua ausência, ele continuará inspirando processos pastorais, na perspectiva da renovação do Vaticano II e da tradição libertadora latino-americana, tal como o fez desde a década de 1970, até seu último dia como arcebispo de São Paulo” (p. 11). Por isso, “influenciou diretamente toda uma geração de padres e militantes cristãos de três décadas – 1970,1980 e 1990 –, o período de exercício de seu ministério como teólogo e bispo. Eram tempos difíceis, marcados pelo subdesenvolvimento e pela repressão da ditadura militar, mas também pela utopia e o heroísmo da “irrupção dos pobres” e do “terceiro mundo” (p. 12).

No reconhecimento de bispos e teólogos, Dom Paulo é tido como: “irmão e amigo” (p. 25-28), “mestre, intelectual e amigo dos pobres” (p. 35-39), “a voz dos sem-voz e sem-vez” (p. 41-44), “modelo de pastor” (p. 45-48), “aquele que brilhou com luz própria nos diferentes campos do saber e da vida religiosa e política de seu país e da América Latina” (p. 49-56); “um profeta que caminhou entre nós” (p. 57-59), “um bispo com a palavra adequada para seu momento histórico (p. 61-73).

Nos depoimentos de intelectuais e militantes cristãos, Dom Paulo é reconhecido como o “Apóstolo dos Direitos Humanos” (p. 77), “exemplo de coragem e firmeza na defesa da dignidade humana” (p. 85-89), “pastor com cheiro de ovelha” (p. 91-100), “construtor de uma Igreja pobre para os pobres” (p. 101-103).


Com o povo, em celebração na Praça da Sé, diante da catedral, nos anos 80 (Foto: Outras Palavras)

Nas repercussões e destaques na imprensa, Dom Paulo foi destacado como: “o cardeal e muitos epítetos” (p. 109-116), “cardeal-profeta” (p. 117-120), “o cardeal da esperança” (p. 121-125), “influente e ousado, líder católico que escreveu uma história de coragem” (p. 127-131), “símbolo da luta contra a Ditadura” (p. 133-138). “um tipo inesquecível/personagem público realmente inesquecível” (p. 139-141).

“Filho do Concílio Vaticano II” (p. 189-197), “lúcido intelectual” (p. 307), que “soube conciliar harmoniosamente o trabalho pastoral e a teologia” (p. 309), realmente, Dom Paulo é uma figura gigantesca, “resistindo a todas as pressões” (p. 312), foi um “testemunho luminoso de esperança” (p. 313). “Seu legado perpetuará para as gerações futuras, juntamente com os grandes pastores defensores dos pobres que agora triunfam na Igreja celeste e iluminam a Igreja terrestre” (p. 100). Dom Paulo “está vivo com seus ideais e projetos” (p. 95), sua “memória deve iluminar o presente e ser base para as gerações futuras” (p. 84).


Em 2010, durante celebração eucarística dos 65 anos de sua ordenação sacerdotal, na Catedral da Sé (Foto: Outras Palavras)

Dom Paulo Evaristo Arns foi “intrépido pastor que no seu ministério eclesial se revelou autêntica testemunha do Evangelho no meio de seu povo, a todos apontando a senda da verdade, da caridade e do serviço à comunidade em permanente atenção pelos mais desfavorecidos” (p. 93). Por isso, o “paradigma eclesial adotado por Dom Paulo Evaristo deve ser resgatado com toda a urgência, na fidelidade ao Evangelho, mas também na fidelidade ao Magistério de Francisco. A memória de sua era deverá alimentar os ideais e práticas de Igreja atuais, deverá deixar de ser memória e ser ação concreta” (p. 95). “A morte de Dom Paulo não apaga sua vida. Ao contrário, o bom pastor continua brilhando como exemplo e vivência da fé em nossos dias” (p. 98).

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