Solenidade de Cristo Rei do Universo - Ano A - Subsídios exegéticos

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20 Novembro 2020

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana - ESTEF: Dr. Bruno Glaab, Me. Carlos Rodrigo Dutra, Dr. Humberto Maiztegui e Me. Rita de Cácia Ló. Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno. XXXIVº Domingo: Cristo Rei

Evangelho: Mt 25,31-46
Primeira Leitura: Ez 34,11-12.15-17
Segunda Leitura: 1Cor 15,20-26.28
Salmo: Sl 22,1-2a.2b-3.5-6 (R1)

Evangelho

No último domingo do ano litúrgico, Jesus já não mais se apresenta como o Mestre, mas como Juiz Escatológico, Pastor Messiânico, Filho do Homem e Rei do Universo. O texto se inspira em Ez 34, onde Deus é o pastor. A figura do Filho do Homem e Juiz vem de Dn 7,13 e também na literatura apócrifa de Henoc. O estilo é apocalíptico sobre a vinda do juízo, quando o Filho do Homem virá vitorioso com seus anjos para realizar a vitória final do bem sobre o mal.

Há controvérsias sobre a interpretação do texto. Alguns estudiosos creem que o julgamento é universal e que os “meus irmãos pequeninos” seriam os discípulos de Jesus que foram aceitos ou rejeitados ao levar a mensagem do Evangelho. O julgamento se daria diante do fato de ter aceito, ou não, os pregadores da Boa Nova.

Outros creem que estes “pequeninos” (famintos, sedentos, etc.) seriam todos os sofredores excluídos, pobres, cuja dignidade é aviltada pela carência crônica dos bens essenciais à vida e que o rei messiânico, dado a sua encarnação na história, teria se identificado com estas categorias, pois nela, a humanidade de Jesus foi também atingida, uma vez que, a encarnação do logos de Deus significa assumir a natureza humana até as suas últimas situações. Na carne do pobre, sofre a carne de Jesus. Optamos por essa segunda hipótese, coerente com a universalidade da salvação proposta por Jesus que se realiza, concretamente, na vida para os empobrecidos.

Neste julgamento não se pede nada de religioso aos julgados. Não se pergunta se se cumpriram preceitos religiosos, mas tão somente, como se relacionaram com os irmãos e irmãs, a começar pelos últimos. Os que prestaram ajuda nem sequer sabiam que estavam servindo a Jesus, mas simplesmente se compadeceram diante do necessitado, como também o ilustra o Bom Samaritano que não agiu por motivação religiosa, mas simplesmente por amor ao sofredor (Lc 10,29ss). Estas pessoas não fizeram o bem esperando alguma recompensa de Deus, pois neste caso, estariam ainda investindo em seus interesses pessoais. Agiram na total gratuidade. Os maus, por sua vez, ao ficarem insensíveis diante da dor dos pequenos, talvez até fossem religiosos, como o sacerdote e o levita do relato acima citado, mas esta prática religiosa não conta no juízo do Filho do Homem. Eles já encontraram Jesus, mas não o reconheceram na carne humana do pobre, por isto agora terão de encará-lo pela segunda vez na forma de juiz.

Alguns biblistas crerem que a intenção do texto seria uma denúncia sutil de Mateus diante da prática legalista da religião farisaica que se preocupava muito com os ritos e leis, julgando estar em dia com Deus, ignorando as consequências de sua piedade. Qualquer prática religiosa que não se expresse no amor ao próximo, é falsa. A essência da religião cristã, é o amor aos humanos.

Esta perícope serve também de parâmetro para o julgamento das pessoas que não conheceram Jesus: por não saberem dele, ou por não o reconhecer no sofredor. Quem nunca ouviu o anúncio do evangelho, mas tem compromisso com os pequeninos, age a favor dele. Quem o conhece intelectualmente, mas não se compromete com os sofredores é contra ele. O texto responde a uma pergunta crucial: os não cristãos podem se salvar? De acordo com o texto, pode-se afirmar: é mais fácil um não cristão que ama o próximo se salvar do que um cristão, que conhece Jesus, mas vive sem compromisso.

Jesus é o critério de julgamento e seu parâmetro é o amor desinteressado ao ser humano: justiça do Reino (Mt 3,15). Neste Reino o pobre é o sacramento de salvação, pois Jesus está presente na pele de todas as pessoas, principalmente nas que mais sofrem.

Relação com Ez 34,11-12.15-17

Em Ezequiel, Deus mostra compaixão com os pobres explorados entre o povo. Em Jesus se realiza este projeto de Deus. O que fora dito por Ezequiel, diante dos maus pastores do seu tempo, encontra a plena realização na nova justiça do Reino instaurado nas comunidades cristãs. Urge, nas comunidades cristãs lembrar a promessa do profeta e realizá-la a partir da fé em Jesus.

 

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