Por que o Vaticano guarda silêncio sobre as declarações do Papa no documentário Francesco?

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27 Outubro 2020

A parte do documentário sobre as uniões civis foi cortada de uma entrevista do papa Francisco à rede mexicana Televisa, em 2019. “Estamos atuando para enfrentar a atual crise”, respondeu a Sala de Imprensa do Vaticano depois de um jornal italiano questionar sobre o fato.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 26-10-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A declaração do papa Francisco favorável a uma lei de convivência civil para os homossexuais, incluída em um documentário que deu a volta ao mundo por ser a primeira vez que como pontífice expressava tão abertamente sobre essa questão. Porém a forma como esta declaração chegou ao diretor Evgeny Afineevski tornou-se uma história de censuras e silêncios por parte do Vaticano.

“Os homossexuais têm direito de estar em uma família. O que deve haver é uma lei de união civil, dessa maneira estarão legalmente cobertos”, afirma Francisco em um momento do filme. Uma afirmação que foi notícia em todo o mundo, provocando críticas da ala mais conservadora da Igreja.

Críticas da Igreja mais conservadora

O ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, até 2017, o cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller, inclusive assegurou que ainda que esteja sempre ao lado do Papa, “não é uma lealdade absoluta” porque o pontífice “não está acima da palavra de Deus”, em uma entrevista no jornal “Corriere della Sera”.

E acrescentou que muitos fiéis estão “incomodados” porque as palavras do Papa seriam “o primeiro passo para uma justificação das uniões homossexuais por parte da Igreja, e isto não é possível”.

Também o cardeal estadunidense Raymond Burke, conhecido por suas posturas contrárias a Francisco, afirmou em uma nota que “as opiniões privadas atribuídas a Francisco não correspondem ao constante ensinamento da Igreja”.

Entrevista cortada e silêncio do Vaticano

A importância da fala era tal que começou a se investigar em que momento o papa Francisco pronunciou estas palavras que davam tanto alento e esperança aos homossexuais e sobretudo a aqueles católicos que se viam rejeitados pela Igreja.

Um dos homens mais próximos do papa Francisco, o também jesuíta Antonio Spadaro, em uma entrevista aos meios de comunicação da Conferência Episcopal Italiana, surpreendeu ao declarar que a parte em que fala dos homossexuais foi retirada de uma entrevista dada em maio de 2019 à correspondente do canal mexicano de televisão Televisa, Valentina Alazraki.

E então por que ninguém notou? Porque essa parte nunca foi transmitida.

Um porta-voz da Televisa confirmou à agência EFE que a parte da entrevista na qual o Papa “faz referência ao tema das uniões entre pessoas do mesmo sexo, dentro do documentário, sim é parte da entrevista que Valentina Alazraki fez”.

E de fato, a sequência na qual o pontífice fala das uniões civis homossexuais coincide com o mesmo plano da entrevista de Alazraki, a mesma cadeira e uma parede idêntica de fundo. Porém, acrescenta: “não podemos estar certos pois essa parte do material nunca esteve em nossas mãos”.

O Vaticano pretende geralmente se encarregar de gravar em vídeo as imagens das entrevistas, que depois de revisar entrega a quem as realizou com os cortes ou correções que considera necessários.

Entrevista com Valentina Alazraki

No caso da entrevista realizada por Alazraki, uma veterana e conceituada jornalista com mais de 150 viagens papais, o mesmo aconteceu e apenas uma parte foi concedida a ela. Uma parte, na qual, como a rede mexicana confirmou à EFE, nunca chegou o comunicado sobre as uniões civis.

Nem aparece na transcrição da entrevista que também foi publicada na época pela mídia do Vaticano.

O Vaticano se recusou a comentar por que essa parte cortada da entrevista chegou às mãos do diretor do documentário “Francesco”, que teve acesso a todo o material gravado pelo Vaticano nestes sete anos de pontificado.

Além disso, um e-mail interno vazou entre os funcionários que trabalham na Secretaria de Comunicação do Vaticano no qual pediam para não escrever nada sobre o assunto e afirmavam que “está em andamento para enfrentar a crise atual”.

Nessas horas, é lembrado como em 2018 o papa Francisco fez o então prefeito do Secretário de Comunicação, dom Dario Viganó, renunciar por ter modificado digitalmente uma fotografia de uma carta privada enviada pelo papa emérito Bento XVI enviada à imprensa.

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