A moral do Papa Francisco: um projeto a partir dos descartados

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16 Outubro 2020

"O livro que temos em mãos não se atém apenas a comentar a moral de Francisco de maneira genérica, mas ajuda cada um de nós a ir além de uma moral meramente casuística e a buscar uma teologia moral mais inspirada nos valores do Evangelho, proposta esta capaz de fazer com que a Igreja seja ainda mais serva da humanidade, com os mesmos sentimentos de Cristo Jesus e corajosamente decidida a fazer as opções que Ele fez", escreve Eliseu Wisniewski, presbítero da Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul, mestre e doutorando em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e professor na Faculdade Vicentina (FAVI), sobre o livro "A moral do Papa Francisco: um projeto a partir dos descartados" de Ronaldo Zacharias e Maria Inês de Castro Millen.  

Eis o artigo.

"A moral do Papa Francisco:
um projeto a partir dos descartados". 
Ronaldo Zacharias e Maria Inês de Castro Millen. 
São Paulo: Santuário, 2020, 392 p., 14 x 21 mm.

O livro A moral do Papa Francisco: um projeto a partir dos descartados, organizado por Ronaldo Zacharias e Maria Inês de Castro Millen, oferece as reflexões do 43º Congresso Brasileiro de Teologia Moral promovido pela Sociedade Brasileira de Teologia Moral (SBTM).

A obra é composta de doze (12) capítulos com a Apresentação feita pelo Dr. Mário Marcelo Coelho (p. 9-17), o qual salienta que o desafio e a tarefa dos autores consistem em “interpretar a proposta moral do Papa Francisco a partir dos descartados (...), trazendo para a nossa realidade o significado e a profundidade dos ensinamentos de Francisco” (p. 13). Assim, a “intenção desta obra é abrir perspectivas para a ação evangelizadora da Igreja na esteira do Papa Francisco” (p. 17).

O capítulo O projeto moral do Papa Francisco. Sete lugares teológicos como desafios morais é escrito pelo Me. Pablo A. Blanco (p. 19-54); busca “vislumbrar pontos-chave que nos permitem compreender qual é o projeto moral do Papa Francisco e quais são os desafios propostos por ele para a Igreja e toda comunidade de fiéis” (p. 19-20). Para Pablo, “é impossível compreender o projeto de Francisco para a humanidade sem um olhar de misericórdia, sem uma leitura lúcida dos sinais dos tempos, sem uma visão crítica dos sistemas opressivos e das estruturas injustas e sem assumir o desafio de construir a unidade na diferença dentro da Igreja” (p. 48). Para isso, faz-se necessária a conversão como parte de um novo posicionamento ético (p. 43-48). Pablo apresenta, assim, os setes lugares teológicos importantes para Francisco:

1) a história (p. 27-28), “Deus se manifesta e se encarna em todos os contextos históricos” (p. 48);

2) o povo (p. 29-30), “os sinais dos tempos estão presentes e decifráveis-nos eventos do Povo” (p. 48);

3) os pobres (p. 30-31), “Deus – no meio do povo- se manifesta preferencialmente naqueles que são esquecidos e desprezados - os pobres” (p. 48);

4) a cultura (p. 31-35), “na religiosidade popular e na cultura, Deus se faz presente” (p. 48);

5) na política (p. 35-38), “o Evangelho – isso serve também para vida política - sempre nos convida a correr o risco do encontro com o roto do outro, com a sua presença que nos interpela” (p. 48);

6) a periferia (p. 38-40), “a Igreja é chamada a sair de si mesma e ir para as periferias, não apenas geográficas, mas também existenciais” (p. 48);

7) a criação (p.40-43), “só pode ser entendida como um dom que surge da mão aberta do Pai de todos, que nos chama para a comunhão universal” (p. 48).

O bacharelando em Teologia Thales Martins dos Santos é o autor do segundo capítulo: Uma humanidade descartável? Um projeto social chamado “Francisco” (p. 55-75). Thales desenvolve uma “reflexão que pretende apresentar um projeto inclusivo” (p. 55), à luz “ética de Cristo” (p. 55). Apresentando considerações sobre a fraqueza de uma humanidade desumana (p. 56-60), sobre a cultura do descartável versus o imperativo evangélico (p. 61-68), o autor destaca o profetismo do papa Francisco em defesa dos descartados (p. 68-72), com a seguinte conclusão: “Francisco, a partir de suas lúcidas reflexões, convida todos a sair da zona de conforto e trabalhar pelo bem comum, envolver-se na causa dos pobres e sonhar juntos uma civilização do amor” (p. 73).

O terceiro capítulo, Por uma ética social da misericórdia: da compaixão à justiça para como os pobres e marginalizados (p. 77-111), é escrito pelos bacharelandos em Teologia Adilson Fábio Furtado da Silva, Alexandre Angelotti Cruz, Pedro Félix Rodrigues de Matos e Pedro Paulo Espírito Santo Queiroz. Os autores apresentam o resultado da pesquisa feita graças à Bolsa de Iniciação Científica (BIC-SAL) concedida a eles pelo Programa de Bolsa de Iniciação Científica do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL). Essa pesquisa, orientada pelo Prof. Mestre Nei Márcio de Oliveira Sá, tem como eixo articulador a “misericórdia no pontificado de Francisco” (p. 78). Os autores, à luz da misericórdia - entendida como “ética social” (p. 78-80) -, abordam os principais temas do magistério de Francisco em favor dos descartados da sociedade” (p. 86): o cuidado e a justiça social (p. 87- 89), a Casa Comum (p.90-95) e a alegria (p. 95-97). Concluem as reflexões propondo um “itinerário com cinco pistas para a ação pastoral da Igreja o Brasil” (p. 78):

1) inclusão pastoral do empobrecido (p. 98-99);

2) prioridade ao discernimento e à sensibilidade (p. 100-102);

3) experiência de amor e perdão para a juventude (p. 102-104);

4) conversão ecológica (p. 104-106);

5) valorização do testemunho ético-cristão (p. 106-108).

O Dr. Francisco de Aquino Júnior trata no quarto capítulo da violência contra os pobres: um pecado contra o próprio Deus (p. 113-147). Apresenta algumas considerações prévias sobre a violência em geral para, em seguida, abordar a problemática da violência contra os pobres em suas várias dimensões e configurações: violência socioeconômica (p. 120-122), violência psicossocial (p. 123-125), violência pandêmica (p. 125-127), violência estatal-policial (p. 128-130), violência sociopolítica (p. 130-133). Aquino Júnior conclui apresentando “três aspectos ou traços fundamentais da experiência judaico-cristã de Deus narrada na Escritura que são decisivos para uma reflexão cristã sobre a violência contra os pobres:

1) o Deus bíblico é o Deus da vida, Deus criador e salvador, Deus dos pobres e marginalizados, e o seu desígnio para a humanidade é um reino de fraternidade, justiça e paz;

2) todo atentado/violência contra os pobres e marginalizados é, em última instância, um atentado/violência contra o próprio Deus, é um pecado que clama aos céus;

3) a resposta de Deus e do seu povo a essa violência é uma ação salvífico-redentora em favor das vítimas, ação que pode chegar ao extremo de entrega/doação da própria vida” (p. 135).

No quinto capítulo, A violência contra as mulheres: a face macabra do cotidiano, (p. 149-171), a Dra. Maria Inês de Castro Millen, partindo de uma mensagem recebida por WhatsApp com uma nota de pesar pelo assassinato de uma jovem chamada Brenda, chama a atenção para a cumplicidade diante da violência contra a mulher: “não basta que fiquemos incomodadas exatamente porque sabemos que também não basta estarmos aturdidas, enraivecidas, indignadas e até mesmo amedrontadas diante desta triste realidade que se impõe e da qual muitas vezes somos cúmplices” (p. 150-151). Diante disso, Maria Inês propõe que, antes de enfrentar a questão da violência contra as mulheres (p. 161-169), é preciso enfrentar, primeiramente, algumas questões difíceis e geradoras de tensões e de polarizações como as questões de gênero, raça, classe social (p. 151-157) e estruturação da sociedade (p. 157-161).

A violência contra a terra é assunto do sexto capítulo: A violência contra a terra. O rosto do Crucificado na terra crucificada (p. 173-196). O Dr. Alexandre A. Martins, num texto cheio de metáforas e paralelos, convida os leitores a se deixarem “navegar pelas ondas da linguagem contemplativa” (p. 176). Num primeiro momento, relata que, por meio da sua experiência pessoal com os Krenak, entendeu profundamente o que Papa Francisco afirmou na Laudato Si’: que a terra é sagrada (p. 176-180). Num segundo momento, Alexandre tece reflexões sobre a terra “crucificada”: “o rosto de Cristo se faz presente nela e nos chama a agir em vista do cuidado com a nossa casa comum, para que a natureza volte a ter a oportunidade de ser a manifestação da beleza e do amor criador de Deus. Contemplando a crucificada, encontramos o Verbo que se fez carne na realidade do mundo” (p. 186), e conclui apresentando um exemplo de violência contra a terra: a violência da exploração capitalista predatória dos recursos naturais no Estado de Minas Gerais, que levou aos desastres naturais em Mariana, em 2015, e em Brumadinho, em 2019 (cf. p. 187-193).

A crítica da idolatria do dinheiro: o fim da fronteira entre teologia moral, dogmática e estética é o tema abordado pelo Dr. Jung Mo Sung no sétimo capítulo (p. 197- 227). O autor define a idolatria do dinheiro como “uma das principais causas do sofrimento e morte das pessoas desprezadas e descartadas por um sistema capitalista global marcado pela ganância sem fim e pela indiferença frente a essas mortes” (p. 198). Entendendo que os temas de moral social ganharam novamente destaque na Igreja Católica (cf. p. 203), a hipótese do autor “é que o discernimento feito pelo papa Francisco sobre a idolatria do dinheiro como um dos problemas fundamentais da globalização e da vida dos pobres rompe o edifício teológico do mundo moderno e com a própria compreensão que a sociedade contemporânea tem de si própria em relação ao seu sistema econômico” (p. 198). Isso porque Francisco “deslocou o foco da Igreja Católica da ênfase na questão doutrinária, na ortodoxia e na teologia dogmática para o campo da prática moral. E, dentro desta, da questão da sexualidade para o campo da moral social” (p. 200). Por isso, salienta o autor: “para entendermos a novidade do Papa Francisco, em relação aos Papas anteriores, precisamos, entre outras coisas, de uma nova articulação entre os campos da dogmática e da moral e da espiritualidade; entre a verdade sobre Deus (metafísica), o caminho da justiça/bem (ética) e a sensibilidade social-espiritual (estética)” (p. 205).

O Dr. Luiz Augusto de Mattos apresenta no oitavo capítulo uma reflexão sobre O cuidado da casa comum: os desafios éticos e espirituais de uma Ecologia Integral (p. 229-255). Servindo-se da Carta Encíclica Laudato Si’, cuja preocupação é o cuidado com a Casa Comum, o autor destaca como ela contribuiu para “a compreensão da interdependência e da coexistência fundamental entre todos os habitantes do planeta e, ao mesmo tempo, para a consciência ético-teológica de que a destinalidade da vida ou a sustentação da vida dependerá impreterivelmente de uma solidariedade global entre todos. Enfim, sem uma panrelacionalidade ecológica, justa, humanizadora e libertadora de tudo o que maltrata a vida dificilmente a atual civilização garantirá o Bem Viver planetário para as futuras gerações” (p. 230). Para Luiz Augusto, o ser humano depende da terra, que depende do ser humano (p. 230-234) e, por isso, propõe algumas reflexões que ajudam na compreensão desta realidade: a relação entre paradigma tecnocrático e paradigma ecológico e panrelacional (p. 235-242); a relação Bem Viver, espiritualidade, ética e ecologia integral (p. 242-250) e a relação entre ecologia integral e as organizações que dão sustentabilidade à Casa Comum (p. 250-253).

A formação presbiteral segundo Francisco é o tema desenvolvido pelo Me. Felipe Sardinha Bueno no nono capítulo: Entre o rigorismo moral e a flexibilidade pneumatológica (p. 257-282). Felipe pretende “apresentar a relação da integração, proposta por Francisco, entre a sensibilidade pastoral (sobretudo com os que sofrem, tendo em vista a ética social assumida pela Igreja no seu dia a dia) e uma mentalidade eclesiológica sinodal, que não se permite contaminar por clericalismos de cunho autoritário (rigorista e legalista). Para o autor, “tais clericalismos, por se atrelarem a um poder absolutizado manipulado do sagrado, podem favorecer abusos de controle de consciência, gerando consequências catastróficas no ambiente eclesial para todos os envolvidos” (p. 260). Ele propõe assim a vivência do Concílio Vaticano II como medicamento moral eclesial (p. 261-271), a substituição do rigorismo absolutista no trato pastoral pela sinodalidade (p. 272-277) e o reforço da opção fundamental contra o rigorismo simplista (p. 277-280), convicto de que, “por meio de metodologias eclesiais sinodais, podemos chegar a uma sinodalidade moral, ou seja, à expressão madura, não individualista e não legalista, do agir cristão, criando espaços de liberdade de espírito e diálogo, que certamente muito contribuirão para a felicidade e a completude dos discípulos de Jesus, além de responder melhor aos sinais dos tempos” (p. 280).

O Dr. Ronaldo Zacharias, no décimo capítulo, Repensando a moral sexual (p. 283-329), Francisco optou por um “caminho metodológico que possibilite fazer uma leitura da sexualidade à luz dos fundamentos da moralidade propostos por Francisco” (p. 286), isso porque Francisco “ainda não escreveu um texto específico sobre sexualidade, mas a abordou indiretamente no âmbito do matrimônio e da família” (p. 286). Na primeira parte do texto, o autor apresenta uma “síntese de alguns aspectos importantes do ensinamento da Igreja que são questionados quando confrontados com a realidade concreta em que as pessoas vivem” (p. 286). Num segundo momento, Ronaldo aborda “a moral do papa Francisco em linhas gerais, propondo algumas reflexões sobre a sexualidade feitas a partir das portas abertas por ele” (p. 286). E, por fim, apresenta alguns elementos para uma nova moral sexual (p. 310-320). Conclui dizendo que “urge uma mudança no modo de pensar a moralidade: precisamos passar de uma moralidade centrada em atos a uma moralidade de relacionamentos, que preste atenção em como as pessoas interagem umas com as outras e respondem às necessidades umas das outras como seres humanos. Consequentemente, não podemos continuar focalizando exclusivamente na abstinência sexual. Precisamos de uma abordagem que supere a questão de saber se a intimidade sexual e a abstinência sexual são sempre boas ou más; uma abordagem que enfoque o tipo de pessoas em que está se transformando quem opta pela intimidade sexual ou pela prática da abstinência sexual. Intimidade sexual e abstinência sexual, em si mesmas, não tornam ninguém mais ou menos humano. O que humaniza, de fato, é a qualidade das relações vividas pelas pessoas, sejam elas abstinentes ou sexualmente ativas. O que desumaniza, portanto, vai muito além de atos meramente ocasionais ou isolados” (p. 320-321).

No décimo primeiro capítulo, A lógica inclusiva do Evangelho: renovada esperança para a comunidade LGBT+ (p. 331-355), de autoria do Dr. José Antonio Trasferetti, tendo como referência principal a Amoris Laetitia, “objetiva apresentar uma reflexão sobre a ação pastoral realizada nas paróquias, tendo em vista o acolhimento e a integração as pessoas LGBT+” (p. 331, nota 3). O autor “apresenta os passos necessários para o bom discernimento, tendo em vista o acolhimento carinhoso, misericordioso, educativo e construtivo que deve nortear nossas ações pastorais em tempos de combate à homofobia e tantas outras fobias e racismos que permeiam nosso tecido social. Toda pessoa humana deve ser amada e integrada com o mesmo respeito e carinho com que Deus ama a humanidade. A diversidade deve ser um fator de crescimento, aprendizado, união e construção de relações humanas mais fecundas” (p. 333). Os passos são:

1) acolher (p. 333-335);

2) a lógica da misericórdia pastoral para a compreensão das questões que envolvem a história pessoal das pessoas LGBT+ (p. 335-337);

3) acompanhar: educar para a misericórdia (p. 337-339);

4) discernir (p. 339-341);

5) o discernimento na formação da consciência (p. 341-344);

6) integrar (p. 344-346).

Trasferetti propõe, ainda, algumas considerações aos sacerdotes e aos párocos como ações de “extrema importância na tarefa do acolhimento, acompanhamento, discernimento, formação da consciência e integração das pessoas LGBT+” (p. 347-351).

O décimo segundo capítulo consiste numa justa homenagem ao padre camiliano Leocir Pessini - mais conhecido como Pe. Léo - falecido no dia 24 de julho de 2019. O Dr. Alexandre A. Martins apresenta o legado do P. Léo para a teologia moral e a bioética. Considerando sua profícua vida, assim o define: Leo Pessini: um bioeticista camiliano com o coração nos escritos (p. 357-390). Nestas páginas, Alexandre dialoga com um aspecto da obra intelectual do P. Léo: “o conceito de vulnerabilidade na bioética” (p. 361-370). Apresenta, num segundo momento, alguns elementos bibliográficos e uma seleção das suas publicações (p. 370-390). Em síntese, segundo Alexandre, a Providência Divina primeiramente moldou o P. Léo para ser “um camiliano samaritano (mundo da dor, sofrimento humano) e depois como camiliano educador e finalmente para caminhar junto com os coirmãos camilianos no serviço da autoridade, como guia e pastor” (p. 374), tendo sido ele Superior Geral dos Camilianos e morrido no exercício desta missão.

Esta obra, A moral do Papa Francisco: um projeto a partir dos descartados – organizada pelos doutores Ronaldo Zacharias (Secretário da Sociedade Brasileira de Teologia Moral) e Maria Inês de Castro Millen (Presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Moral) – nasceu e insere-se na recepção dos ensinamentos do Papa Francisco e da função pública da Teologia Moral. A Sociedade Brasileira de Teologia Moral, nas palavras do Dr. Mário Marcelo Coelho, registradas na Apresentação deste livro, tem consciência de “que o conhecimento da teologia moral coloca-nos diante da sociedade e chama nossa atenção para o papel do teólogo e de cada cristão na vida social” (p. 16). E a faz na perspectiva eclesiológica e pastoral de Francisco – “certos de que as palavras do Papa Francisco são mais atuais do que nunca” (p. 17).

Sabemos que Francisco abriu novos horizontes eclesiológicos mudando o foco de uma Igreja de poder, autoridade e controle para uma Igreja de serviço, diálogo e comunhão. Tudo isso traz profundas implicações para a moral e/ou o ensino moral como mostram os autores desta obra. Há uma evolução no tom do ensino moral. A mudança de foco para a moral social (não mais obcecada com questões como aborto, contracepção e uniões homoafetivas) permitiu abertura e entrada de oxigênio capaz de alimentar e trazer luz às discussões/diálogos com contextos sociais, históricos e culturais. Essa mudança feita por Francisco é extremamente necessária na perspectiva do magistério moral.

Cada uma das reflexões feitas neste substancioso livro por professores/pesquisadores alinhados/sintonizados à perspectiva pastoral e eclesiológica de Francisco confirma que a credibilidade da Igreja consiste em ser expressão (do amor misericordioso e compassivo de Deus. Francisco, resgatando o espírito do Concílio Vaticano II e da tradição libertadora da Igreja na América Latina, é um defensor convicto dos pobres e vulneráveis e de uma Igreja pobre para os pobres.

O livro que temos em mãos não se atém apenas a comentar a moral de Francisco de maneira genérica, mas ajuda cada um de nós a ir além de uma moral meramente casuística e a buscar uma teologia moral mais inspirada nos valores do Evangelho, proposta esta capaz de fazer com que a Igreja seja ainda mais serva da humanidade, com os mesmos sentimentos de Cristo Jesus e corajosamente decidida a fazer as opções que Ele fez.

 

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