“As políticas monetárias atuais favorecem as desigualdades”, afirma Thomas Piketty

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10 Outubro 2020

O economista francês Thomas Piketty advertiu, nesta sexta-feira, que as políticas monetárias dos grandes bancos centrais para enfrentar a crise do coronavírus, ao incentivar o crédito para investimentos financeiros, podem acabar agravando ainda mais as desigualdades sociais.

A reportagem é publicada por El Diario, 09-10-2020. A tradução é do Cepat.

Piketty, que participou em uma conferência da OCDE sobre as emergências planetárias, fez notar que com a criação massiva de dívida para adotar medidas de enfrentamento à pandemia de Covid-19, o Federal Reserve dos Estados Unidos e o Banco Central Europeu (BCE) estão favorecendo que boa parte desse dinheiro acabe nos mercados financeiros.

Com o preço do dinheiro tão baixo, segundo sua análise, são as faixas populacionais mais favorecidas as que mais podem pegar dinheiro emprestado para investir em produtos financeiros.

A longo prazo, isso aumentará o seu poder econômico em relação a outros grupos da sociedade que não estão em condições de tirar o mesmo proveito da situação.

Em sua avaliação, a criação monetária em que o Federal Reserve e o BCE entram de cheio deveria ser orientada à redução das desigualdades.

Piketty, conhecido em particular por seus estudos sobre a distribuição desigual do capital, lamentou que nos últimos dez anos tenha diminuído a transparência sobre a distribuição de renda em muitos países desenvolvidos (em parte por reformas fiscais) e isso dificulta o estudo e a medida dessas desigualdades.

Outra economista francesa, a prêmio nobel Esther Duflo, avaliou que um dos ensinamentos desta crise de coronavírus, com sua dimensão global e multifatorial, precisa ser a necessidade de converter em urgência planetária a luta contra a mudança climática.

Para Duflo, essa urgência precisa caminhar de mãos dadas com uma política social adequada para que as ações contra a mudança climática sejam aceitas pela população.

A Nobel de Economia em 2019 lembrou a previsão do Banco Mundial de que por causa da crise da Covid-19 o número de pessoas em pobreza extrema no mundo aumentará em 150 milhões, em 2021.

Em sua avaliação, os países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico - OCDE têm “uma grande responsabilidade” para impedir que isso ocorra.

A conferência, aberta pelo secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, pretende servir como reflexão sobre as crises sistêmicas enfrentadas pelo mundo a partir da experiência do ocorrido com o coronavírus.

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