“É hora de renunciar aos valores do lucro a qualquer custo”. Entrevista com Carlo Petrini

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30 Setembro 2020

“O horizonte está tingido de verde, o importante é que não seja um verde apenas de fachada". É um misto de entusiasmo e desencanto o que aflora das palavras de Carlo Petrini, que estará entre os protagonistas do Green & Blue Festival. Petrini é o fundador do Slow Food, o ativista e gastrônomo, o sociólogo e escritor de livros, o mais recente dos quais, Terrafutura (Giunti e Slow Food Editore), relata suas conversas com o Papa Francisco sobre a "ecologia integral” e o destino do planeta.

A entrevista com Carlo Petrini é editada por Francesca Sforza, publicada por La Stampa, 28-09-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Esta pandemia, por exemplo, o que nos ensina?

Estamos no centro de três grandes crises, econômica, climática e pandêmica, todas as três sem solução. Por onde começar? Acredito com a exigência de construir um novo humanismo, que renuncie aos valores absolutos da competitividade, do lucro a todo custo, da produção indiscriminada.

O que falta para passar do idealismo ecológico a uma prática virtuosa dos governos?

Precisamos de um salto qualitativo, da coragem de fazer escolhas radicais. Vamos dar uma olhada à nossa volta: hoje, apesar do impulso dado por Greta à causa ambiental, encontramo-nos em uma fase de estagnação e se não for implementada uma série de posições políticas precisas, ficaremos ali.

O que mais o impressionou na postura do Papa Francisco sobre a ecologia?

Especialmente o fato de que não chegou no último momento. A encíclica Laudato si' data de maio de 2015 e foi apresentada em função da Conferência de Paris, demonstrando assim que se pretende dar apoio aos compromissos assumidos naquela ocasião pelos governos. Foram compromissos importantes, que foram renegados ao longo do tempo, demonstrando que a situação nestes cinco anos piorou ao invés de melhorar. O fato de o Papa Francisco insistir nessas temáticas dentro e fora da Igreja é agora ainda mais fundamental, especialmente se pensarmos no impulso negacionista dado por Trump e Bolsonaro em nível global.

Por que é tão difícil para as empresas e o mundo do trabalho se adaptarem às políticas industriais verdes, mesmo quando os indicadores falam a favor de um maior desenvolvimento de longo prazo?

A mudança de paradigma não é simples, sobretudo numa fase em que se assume uma sensibilidade generalizada da sociedade civil sobre as questões ambientais. Porém, há uma tendência de abraçar os termos da sustentabilidade sem depois aplicá-la, uma espécie de greenwashing. As empresas deveriam dar respostas concretas às mudanças: abordar as questões da água, emissões de CO2, poeira fina, reciclagem de resíduos, salubridade do solo ... Se uma mudança real não começar, feita por análises e políticas precisas, a mudança será apenas de fachada.

Como você acha que a retomada do consumo, de que tanto se fala nesta fase, convive com o respeito ao meio ambiente?

Convive pouco, porque uma das causas do desastre ambiental é precisamente a bulimia do consumo, que nos levou a consumir excessivamente e a aumentar a quantidade de resíduos. Quando se fala em sustentabilidade, esquecemos que sustain, em inglês, é a propriedade de um instrumento musical de manter o som por um tempo depois de ser tocado. Os franceses o traduzem como durable, duradouro. Essa é, essencialmente, a sustentabilidade, a capacidade de durar, enquanto a lógica do consumo prevê que quanto menos dure cada objeto, melhor.

As novas gerações são as mais sensíveis às questões ambientais, mas ao mesmo tempo as mais orientadas para o consumo: como se sai disso?

Com um grande processo educacional e um grande trabalho de comunicação. É isso, espero que mesmo uma novidade como Green & Blue assuma sobre si o peso político dessa tarefa, e se torne uma oportunidade de debate e de desenvolvimento virtuoso.

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