21º Domingo do tempo Comum - Ano A - E vós, quem dizeis que eu sou?

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Por: MpvM | 21 Agosto 2020

"E vós, quem dizeis que eu sou? (Mt 16,15).(...) Parafraseando esta pergunta, diríamos: Que sentido tenho na vida de vocês? Por quem vocês estão gastando as suas vidas? Pelo projeto dos grandes deste mundo ou pelo meu projeto?
Esta pergunta continua ressoando em nossos ouvidos hoje. Responder a esta questão não significa aprender lições de catequese ou tratados de teologia, mas sim interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na nossa existência. Responder a esta questão obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que fazemos ou que não fazemos para o seguir."

A reflexão é de Valdete Guimarães, religiosa da Congregação das Servas de Maria Reparadoras. Ela possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUC (2001); especialização em Psicopedagogia pela Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC (2008); graduação (2006), mestrado (2007) e doutorado (2018) em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - FAJE. Atualmente é professora e coordenadora do curso de Teologia na Faculdade Diocesana São José – FADISI, em Rio Branco, Acre.

Leituras do Dia

1ª Leitura - Is 22,19-23
Salmo - Sl 137,1-2a.2bc-3.6.8bc (R. 8bc)
2ª Leitura - Rm 11,33-36
Evangelho - Mt 16,13-20

O relato do Evangelho do 21º domingo do tempo comum trata da profissão de fé de Pedro e ocupa um lugar central no Evangelho de Mateus. Aparece num momento de virada, quando começa a perfilar-se no horizonte de Jesus um destino de cruz. Depois do êxito inicial do seu ministério, Jesus experimenta a oposição dos líderes e certo desinteresse por parte do Povo.

Jesus então, se dirige aos discípulos com duas perguntas sobre si próprio. Não se trata, tanto, de medir a sua quota de popularidade; trata-se, sobretudo, de tornar as coisas mais claras para os discípulos e confirmá-los na sua opção de seguir Jesus e de apostar no Reino.

A primeira pergunta feita por Jesus é: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? (Mt 16,13). A pergunta ressoa questionando se a sua presença é significativa para as pessoas?

Os discípulos que têm diante de si muitas pessoas de prestígio que são admiradas pela sociedade, poderiam dizer que Jesus se parecia com alguma delas, mas eles afirmam que Jesus é como Elias, João Batista e Jeremias. Já é alguma coisa, porque eles não percebem em Jesus a mínima semelhança com os grandes deste mundo.

Jesus se parece com João Batista porque não é como o caniço que se deixa esvoaçar pelo vento. Assemelha-se a Jeremias porque contesta o templo e a religião feita de ritualismos. E, enfim, se parece com Elias, aquele que professou a fé no único Deus e refutou qualquer outro compromisso com os ídolos.

A segunda pergunta direciona-se aos discípulos: E vós, quem dizeis que eu sou? (Mt 16,15).

Parafraseando esta pergunta, diríamos: Que sentido tenho na vida de vocês? Por quem vocês estão gastando as suas vidas? Pelo projeto dos grandes deste mundo ou pelo meu projeto?

Esta pergunta continua ressoando em nossos ouvidos hoje. Responder a esta questão não significa aprender lições de catequese ou tratados de teologia, mas sim interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na nossa existência. Responder a esta questão obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que fazemos ou que não fazemos para o seguir.

Pedro responde corretamente a esta pergunta: Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo.

Mas, apesar da resposta, Pedro ainda não entendeu de fato quem é Jesus. Ainda tem em mente um Messias segundo a tradição de seu povo, pois o Filho de Davi é aquele que conquistará o mundo. No entanto, ao menos Pedro entendeu que Jesus é o Messias.

Jesus diz: Feliz és tu Simão, Filho de Jonas porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu (Mt 16,17).

Pedro mostrou-se aberto à Revelação, porque somente deste modo pode reconhecer a verdadeira identidade de Jesus. Não podemos reconhecer Jesus a não ser pela graça de Deus.

Pedro reconheceu a identidade de Jesus, agora é Jesus que reconhece a identidade de Simão: Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus: tudo que desligares na terra, será desligado nos céus (Mt 16,18).

Jesus muda o nome de Simão, chama-o de Pedro e acrescenta: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (o nome "Pedro" é a tradução grega do hebraico Kephâ – pedra - rocha). O que é que significa Jesus dizer a Pedro que ele é pedra sobre a qual a Igreja de Jesus vai ser construída? Mateus está afirmando que a base firme sobre a qual vai assentar a Igreja de Jesus é a fé de Pedro e da comunidade dos discípulos que professam Jesus como o Messias, Filho de Deus vivo.

Para que seja possível a Pedro testemunhar que Jesus é o Messias Filho de Deus e edificar a comunidade do Reino, Jesus promete-lhe “as chaves do Reino dos céus” e o poder de “ligar e desligar”.

Pedro recebe as chaves. Significa que ele se torna o porteiro do paraíso? Não. A entrega das chaves equivale à nomeação do “administrador do palácio” de que falava a primeira leitura (Is 22,19-23). O “administrador do palácio” administrava os bens do soberano, fixava o horário da abertura e do fechamento das portas do palácio e definia quais visitantes poderiam entrar no Palácio.

Nesta leitura, Isaías mostra como se deve concretizar o poder “das chaves”. Aquele que detém “as chaves” não pode usar a sua autoridade para realizar interesses pessoais e para impedir aos seus irmãos o acesso aos bens eternos, mas deve exercer o seu serviço como um pai que procura o bem dos seus filhos.

Assim, Jesus nomeia Pedro para ser “administrador” da Igreja, com autoridade para interpretar as suas palavras e para adaptar os seus ensinamentos às novas necessidades e situações.

A expressão “as chaves do Reino dos céus” é uma figura que representa o serviço pastoral. Não significa o céu como a vida do além, mas o Reino de Deus (os Judeus chamavam Deus de céus). Trata-se do reino de Deus entendido como a comunidade, da qual Pedro tem a missão de zelar.

O sentido de “ligar ou desligar” designava, entre os judeus, o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido, para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade.

No entanto, esta tarefa não está confiada somente a Pedro, mas a todos os discípulos. É a esta comunidade, representada por Pedro, que Jesus confia as chaves do Reino. Jesus confiou à Igreja a tarefa de ser fiel à fé professada por Pedro.

Concluo esta reflexão fazendo lembrança de outro Pedro, o poeta do Araguaia, que abraçou a fé professada por Simão e as primeiras comunidades cristãs, como causa maior do que a própria vida. E a todos os que se dispõem aderir a mesma fé, sua poesia ousa alertar: “Se não vens para dar o coração e a vida, não te preocupes em entrar; porque em tua entrada está tua saída” (CASALDÁLIGA, Pedro. Quando os dias fazem pensar: memória, ideário, compromisso. São Paulo: Paulinas, 2007).

 

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